Disputa legal entre Apple e OpenAI se acirra por saída de funcionários e segredos comerciaisPor Jeronimo Santos
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A OpenAI refutou as alegações da Apple de que antigos colaboradores teriam subtraído segredos comerciais ao encerrar suas atividades na gigante da tecnologia. Em petição enviada à Justiça dos Estados Unidos em julho, a startup argumenta que a Apple não apresentou evidências concretas do roubo de dados confidenciais.
A controvérsia gira em torno da contratação de especialistas para o setor de hardware da OpenAI e sinaliza um aprofundamento da tensão entre as companhias, que anteriormente haviam estabelecido uma colaboração para integrar o ChatGPT em dispositivos da Apple.
Documentos relacionados ao processo indicam que aproximadamente 400 profissionais que trabalhavam para a Apple foram recrutados pela OpenAI para sua empreitada no desenvolvimento de hardware.
Apple aponta apropriação de dados por ex-colaboradores
A empresa Apple instaurou um processo contra a OpenAI e seus antigos funcionários, Tang Tan e Chang Liu, durante o mês de julho. A gigante tecnológica sustenta que a dupla se apropriou indevidamente de informações cruciais sobre design de equipamentos, processos de fabricação e toda a sua cadeia de fornecimento.
A OpenAI, por outro lado, interpreta a ação legal de maneira distinta. A companhia percebe o processo como um esforço para conter sua expansão como potencial rival e para desestimular que colaboradores da Apple busquem novas oportunidades. Como registrado nos autos do processo, cerca de 400 indivíduos que estavam na fabricante foram incorporados à área de hardware da OpenAI.
“Essa controvérsia foi gerada pela própria Apple, e ela tenta atribuir a culpa a todos”, declarou a OpenAI.
A startup de inteligência artificial também defende que a legislação estadual da Califórnia assegura aos trabalhadores o direito de se desligar de uma organização para integrar outra, mesmo que ambas atuem no mesmo segmento de mercado.
Acesso a documentos internos se torna foco do litígio
A Apple insiste que Tan e Liu acessaram materiais confidenciais da empresa após o término de seus contratos. Para a fabricante, essa ação seria parte de um plano da OpenAI para adquirir dados estratégicos.
A OpenAI contestou essa alegação, mencionando os próprios protocolos de desligamento de funcionários da Apple. A empresa argumenta que esses procedimentos poderiam dificultar a distinção entre documentos de cunho pessoal e os arquivos corporativos.
- A permissão para que colaboradores utilizem suas contas pessoais do iCloud no acesso a documentos profissionais;
- A remoção abrupta de funcionários das instalações, o que diminuiria o prazo para a devolução de aparelhos corporativos;
- A possibilidade de que arquivos internos não fossem integralmente transferidos de volta à empresa antes do desligamento;
- A dificuldade na transição de responsabilidades, que poderia ser comprometida.
Liu, por sua vez, declarou ter acessado alguns documentos depois de sua saída para auxiliar ex-colegas a encontrar arquivos e esclarecer dúvidas sobre suas antigas funções. Ele relatou que colaboradores da Apple continuaram a solicitar seu apoio.
Ex-funcionários apresentam sua defesa e contrariam acusações
Tang Tan, com 24 anos de serviço na Apple, assegurou ter entregado todos os protótipos antes de se desligar da empresa. Ele afirmou ter retido apenas materiais sem caráter confidencial, como uma lista de verificação utilizada nos trâmites de desligamento de colaboradores.
“Profissionais podem se desvincular de uma empresa como a Apple, que enfrentou desafios na implementação da inteligência artificial, para integrar uma startup inovadora e empolgante que cria produtos de ponta”, manifestou a OpenAI.
A dinâmica entre as duas empresas passou por uma rápida transformação. Aproximadamente dois anos atrás, Apple e OpenAI selaram um acordo com o objetivo de expandir o alcance do ChatGPT e fortalecer a posição da fabricante no competitivo mercado de inteligência artificial.
Atualmente, com a OpenAI expandindo-se para o setor de hardware e atraindo talentos da Apple, essa antiga parceria cedeu espaço a um embate legal. A disputa agora foca em segredos comerciais, processos de contratação e as normas internas das companhias.







