Reajuste salarial motiva professores de colégios particulares do Rio de Janeiro em greve de 24 horasPor Luís Henrique Costa
5 min de leitura
![]() |
Educadores de colégios privados do Rio de Janeiro iniciaram uma paralisação de 24 horas em 2 de setembro de 2026, em virtude do impasse nas discussões sobre a campanha salarial da categoria. O movimento pode impactar as atividades de instituições de ensino em diversas áreas da capital fluminense, com a situação variando entre as unidades. Conforme o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), ao menos 19 estabelecimentos suspenderam suas aulas.
A paralisação foi deliberada por educadores da Educação Básica da rede particular durante as conversas entre o Sinpro-Rio e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio). Nas primeiras horas da manhã, ocorreram pequenas mobilizações na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, na Praça Antero de Quental, no Leblon, e na Avenida Francisco Bicalho, na Leopoldina. Os profissionais da educação também planejam um evento conjunto no Largo do Machado, na Zona Sul.
Certas escolas já confirmaram o impacto do movimento paredista, enquanto outras optaram por manter suas operações normais. A Escola Parque e o Colégio Cruzeiro, por exemplo, comunicaram que acolherão os estudantes em 2 de setembro de 2026, apesar de a dinâmica diária poder ser ajustada conforme a adesão de uma parcela dos professores à greve.
Em nota dirigida aos pais e responsáveis, o Colégio Cruzeiro declarou ter sido informado em 1º de setembro de 2026 sobre a participação de alguns de seus docentes na paralisação organizada pelo Sinpro-Rio. A instituição esclareceu que o movimento não está diretamente ligado ao colégio, que já havia antecipado o reajuste salarial para a categoria.
A direção do Colégio Cruzeiro comunicou que a unidade permanecerá aberta e se empenhará em preservar o cronograma letivo e as ações pedagógicas previstas. Contudo, a rotina pode sofrer modificações dependendo das faltas e da quantidade de docentes presentes no local de trabalho.
Conforme Afonso Celso Teixeira, diretor do Sinpro-Rio, a paralisação decorre de demandas que vêm se acumulando por anos e de uma jornada de trabalho que extrapola o período em sala de aula. Ele disse que “as reivindicações têm sido feitas há anos. E o trabalho só aumenta. O professor chega em casa e continua trabalhando. O trabalho fora de sala de aula tem aumentado muito.”
Professores buscam reajuste salarial e reconhecimento de horas extras
Entre as principais exigências dos professores está o reajuste dos vencimentos. O Sinpro-Rio indicou que a categoria diminuiu a porcentagem inicial solicitada de 8% para 6%, enquanto a contraproposta do Sinepe-Rio foi de 3,77%, com aplicação retroativa a abril.
A lista de demandas inclui, ainda, a incorporação de 3% nos salários referentes à hora-atividade. Essa medida visa remunerar tarefas executadas fora do ambiente de sala de aula, como o planejamento, a preparação de lições, a correção de avaliações e a participação em encontros pedagógicos.
De acordo com Afonso Celso Teixeira, o trabalho extraclasse representa um dos eixos centrais da mobilização. A exigência é que esse período, crucial para o desempenho da profissão, seja formalmente reconhecido na remuneração dos profissionais.
A categoria reivindica também a formação de uma mesa paritária para debater temas acadêmicos, um plano de igualdade salarial entre docentes de distintos níveis da Educação Básica e a extensão da licença-paternidade para 20 dias. Atualmente, o Sinpro-Rio aponta que os professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I recebem salários-base menores em comparação com os de outras fases da Educação Básica.
A mobilização ganhou força nas últimas semanas. Uma manifestação ocorreu na Barra da Tijuca em 21 de agosto de 2026 e, quatro dias após, uma tentativa de mediação judicial entre o Sinpro-Rio e o Sinepe-Rio não resultou em consenso. Na assembleia promovida em 29 de agosto de 2026, os professores aprovaram a greve de 24 horas e a manifestação agendada para 2 de setembro de 2026.
Como o funcionamento das escolas particulares se adapta à greve
O sindicato antecipa que a paralisação terá participação em estabelecimentos de ensino de diversas áreas da cidade. Contudo, o impacto nas aulas será determinado pela adesão dos docentes e pelas deliberações das administrações escolares.
Dessa forma, uma escola pode continuar aberta mesmo com parte de seu corpo docente em greve, propondo atividades alternativas ou ajustando sua rotina em virtude da quantidade de professores disponíveis.
O Mix Vale apurou informações sobre escolas indicadas como possíveis participantes do movimento paredista para entender o funcionamento em 2 de setembro de 2026. O Sinpro-Rio informou que docentes do Colégio São Vicente, Edem, CEAT, Sá Pereira, Andrews, Escola da Travessa, Ogamitá, Habitat (Recreio), Santa Teresa de Jesus, Nossa Senhora de Lurdes (Botafogo), QI (Barra, Recreio, Freguesia e Tijuca), Maria Felipa, Semente do Saber, Escola Jangada, Casa da Mangueira e Teresiano aderiram à paralisação. O sindicato acrescentou que instituições como Sagrado Coração de Maria, Franco Brasileiro e Colégio Santos Anjos contam com educadores nos protestos, mas não estão completamente paralisadas.
A orientação é que pais e responsáveis verifiquem diretamente com cada unidade de ensino os detalhes sobre o funcionamento para 2 de setembro de 2026.







