Bacabal: Buscas por irmãos sumidos no Maranhão ganham apoio da InterpolPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
A Interpol ofereceu suporte para as ações de busca dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que sumiram no município de Bacabal, no Maranhão, conforme comunicado apresentado pela defesa dos familiares em 8 de setembro de 2026. Os recursos de cooperação jurídica foram colocados à disposição para agilizar diligências caso surjam pistas concretas fora das fronteiras brasileiras.
Clarice Cardoso, mãe dos garotos, marcou uma reunião com a equipe do Núcleo de Cooperação Internacional para 9 de setembro de 2026 na superintendência da Polícia Federal, situada em São Luís, com a finalidade de alinhar o uso prático dos mecanismos ofertados pela entidade.
A inclusão dos dispositivos operacionais da organização não comprova a localização das duas crianças até o momento. Não existem registros ou elementos probatórios que conectem o sumiço dos irmãos maranhenses ao grupo de 163 menores recolhidos pelas autoridades durante uma ação recente deflagrada nos Estados Unidos. O trabalho investigativo segue concentrado na coleta de novos elementos.
Desaparecimento de crianças completa oito meses no Maranhão
Os irmãos foram vistos pela última vez em 4 de janeiro de 2026 no território quilombola São Sebastião dos Pretos, que fica na zona rural de Bacabal, a 250 quilômetros da capital São Luís.
O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal contatou a representação jurídica da família para colocar à disposição instrumentos globais capazes de agilizar o rastreamento em território estrangeiro e permitir uma repatriação imediata caso os menores sejam encontrados vivos fora do território nacional. A advogada Nathaly Moraes assumiu a interlocução direta com as equipes federais para receber os dados técnicos.
“Hoje nós recebemos o apoio. Recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol à nossa disposição para nos ajudar. Até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, afirmou Nathaly.
A defensora informou que o pacote técnico cedido pelo órgão auxilia no rastreamento e na condução de exigências legais em outras jurisdições.
“Essas ferramentas ajudam tanto na busca pelas crianças quanto na repatriação, para trazer as crianças de volta, caso sejam encontradas em outros países. Eles têm essa possibilidade em 197 países. Isso deixou a gente extremamente animado”, disse.
Tentativa de transferência das investigações para a esfera federal
Nathaly Moraes formalizou anteriormente um pedido para transferir o caso da Polícia Civil para a Polícia Federal por suspeitar de um esquema de tráfico internacional de pessoas.
“Quando nós procuramos a Polícia Federal, eu pedi o desvio de competência da Polícia Civil para a Polícia Federal porque eu entendia que podia sim ser tráfico humano. Inicialmente, a Polícia Federal respondeu que era para arquivar o meu pedido porque não havia indícios suficientes de que houvesse tráfico humano, que não seria competência deles”, afirmou.
A advogada declarou que o posicionamento adotado pelo Núcleo de Cooperação Internacional modifica a conduta institucional mantida até agora no inquérito. A postura oficial mudou. Novas etapas de verificação passam a ser consideradas pelas equipes mobilizadas.
“Quando foi hoje, o Núcleo de Cooperações Internacionais entrou em contato falando que a Interpol estará conosco, que ela está oferecendo todas as ferramentas para nos ajudar, porque até então nós não tínhamos apoio da Interpol, de maneira nenhuma”, disse.
Situação de menores localizados em território norte-americano
A entrada formal da Interpol no monitoramento não estabelece que Ágatha e Allan tenham sido localizados ou que integrem a lista de 163 crianças resgatadas em operação nos Estados Unidos. O acompanhamento consular prossegue sem confirmação de identidade.
A advogada relatou que o corpo diplomático do Consulado Brasileiro realiza interlocução direta com os policiais americanos encarregados da ocorrência internacional.
“Tem um representante do consulado que está fazendo esse acompanhamento presencial lá com as autoridades americanas, e eles disseram que era para a gente aguardar. Está sendo feito o levantamento do reconhecimento de algumas crianças, porque algumas foram desconhecidas”, explicou.
O apoio técnico internacional amplia a capacidade de ação dos investigadores diante da possibilidade de trânsito dos irmãos por outros países.
Mobilização das forças de segurança e atuação parlamentar
A ausência de informações sobre Ágatha Isabelly e Allan Michael atingiu a marca de oito meses em 4 de setembro de 2026. O desaparecimento ocorreu na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, no município de Bacabal, localizado a 250 quilômetros de São Luís.
A mãe das crianças, Clarice Cardoso, enfrenta a rotina sem respostas e relata a persistência para encontrar os dois filhos.
“Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, disse.
Ao longo de oito meses de buscas, as operações reuniram equipes policiais, moradores voluntários e comissões enviadas pelo Congresso Nacional. Nenhuma pista substancial sobre o local onde as crianças estão foi tornada pública.
Parlamentares da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil estiveram na comunidade em maio de 2026.
O grupo reuniu depoimentos da mãe das crianças e cobrou relatórios das autoridades maranhenses designadas para a condução do caso. Diligências foram requeridas formalmente durante a passagem da comissão pelo Maranhão.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que mantém equipes em diligências contínuas para localizar os irmãos Ágatha e Allan, mantendo os autos sob segredo de Justiça.
A pasta estadual orienta que informes sobre o paradeiro das crianças sejam enviados pelo número 190 da Polícia Militar ou pelo canal 181 do Disque-Denúncia. O anonimato é garantido.
Boatos espalhados em plataformas digitais nos últimos meses relataram falsamente a localização dos irmãos, redes de tráfico de órgãos e tiroteios com mortes de agentes policiais na região.
A Secretaria de Segurança Pública comunicou que a circulação de boatos infundados compromete a rotina dos policiais envolvidos na apuração. Mensagens sem comprovação técnica prejudicam o trabalho de campo e provocam desgaste emocional aos familiares.







