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Custo da cesta básica recua em 25 capitais brasileiras em agosto com deflação de café e tomate, aponta pesquisa

Conab registra queda do custo da cesta básica em 25 capitais no mês de agosto
Foto: Conab registra queda do custo da cesta básica em 25 capitais no mês de agosto Crédito: Conab registra queda do custo da cesta básica em 25 capitais no mês de agosto
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A maior parte das metrópoles brasileiras registrou uma diminuição nos valores da cesta de alimentos essenciais durante o mês de agosto. Em 25 das 27 capitais analisadas, os consumidores observaram um alívio nos orçamentos dedicados à alimentação básica, trazendo um fôlego para as finanças familiares em um período de desafios econômicos.

Essa tendência de queda foi impulsionada, principalmente, pela redução nos preços de itens como café em pó e tomate, que se tornaram mais acessíveis em mais de 80% das cidades pesquisadas. Os dados foram compilados por um levantamento conjunto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta quinta-feira (10 de setembro de 2026).

Conab registra queda do custo da cesta básica em 25 capitais no mês de agosto
Conab registra queda do custo da cesta básica em 25 capitais no mês de agosto Crédito: Conab registra queda do custo da cesta básica em 25 capitais no mês de agosto

Principais quedas nos itens essenciais

Entre os componentes da cesta básica que apresentaram maior recuo, o café em pó se destacou com variações de queda de até 5,98% no Rio de Janeiro. Embora a oferta tenha mostrado retração devido ao fim da colheita, ao início das exportações e ao regime de chuvas, a redução na demanda do varejo foi crucial para os percentuais de decréscimo observados em 23 capitais. Apenas em João Pessoa houve um leve aumento de 1,55% no preço do grão.

O tomate também contribuiu significativamente para a deflação, ficando mais barato em 22 das cidades monitoradas. As maiores reduções foram notadas em Campo Grande (-27,09%), Manaus (-26,99%), Rio Branco (-25,93%), Salvador (-23,05%) e Aracaju (-20,20%). Esse declínio é um alívio considerável, dada a importância do tomate na culinária diária dos brasileiros.

No Centro-Sul do país, a batata, um item fundamental da cesta básica, registrou variações negativas superiores a 14% em todos os 11 estados onde é incluída na pesquisa. O aumento da oferta proveniente da safra de inverno elevou a disponibilidade do tubérculo no mercado, com as quedas mais expressivas ocorrendo em Brasília (-34,18%) e São Paulo (-14,65%).

Variações no feijão e açúcar pelo país

O feijão, em suas variedades carioca e preto, teve um comportamento misto, mas com predominância de queda. O feijão-carioca, em particular, apresentou decréscimo em 19 das 22 capitais onde é considerado na composição da cesta, impulsionado pelo avanço da colheita da terceira safra, com uma redução de até 15,47% em Goiânia. Já o feijão-preto, que se encontra em período de entressafra, registrou aumento de valores em quatro das cinco capitais em que é avaliado, refletindo a menor disponibilidade no mercado.

O açúcar, considerando os subtipos cristal e refinado, também mostrou uma tendência de barateamento em grande parte do território nacional. O quilograma do açúcar teve diminuição percentual em 16 capitais. Para o tipo cristal, os preços oscilaram entre uma queda de 5,64% em Manaus e uma elevação de 11,14% em São Luís. O açúcar refinado, por sua vez, ficou mais barato nas cinco capitais pesquisadas, com as maiores reduções em São Paulo (-3,99%) e Florianópolis (-3,24%).

Alimentos que registraram alta de preços

Apesar da tendência geral de queda, alguns produtos essenciais apresentaram encarecimento no mês de agosto, impactando o bolso do consumidor. O arroz agulhinha e o leite integral, por exemplo, tiveram aumento de preços em 23 capitais. A baixa disponibilidade do cereal, a necessidade de recomposição dos estoques industriais e as intercorrências logísticas causadas pelas chuvas foram fatores que influenciaram o preço do arroz, que cresceu mais de 5% em Porto Alegre (6,43%), Brasília (6,29%), Vitória (5,54%) e Curitiba (5,28%).

Para o leite, as cotações também subiram significativamente, superando 7% em João Pessoa (7,08%), Campo Grande (7,42%) e Teresina (7,66%). Outros itens que ficaram mais caros em 18 capitais foram o pão francês e o óleo de soja, com variações de crescimento superiores a 2%. A alta do preço do trigo e da farinha elevou o custo do pão, com maiores aumentos em Florianópolis (2,68%), Curitiba (2,59%) e Porto Velho (2,55%).

O óleo de soja, por sua vez, teve maiores incrementos em Manaus (2,33%), Curitiba (1,96%) e Natal (1,89%), cenário justificado pela demanda global e pelos possíveis efeitos climáticos do El Niño sobre a safra 2026/2027. A carne bovina de primeira e a banana também registraram aumento em 16 capitais. O quilograma da proteína oscilou entre queda de 3,57% em Aracaju e elevação de 4,81% em Campo Grande. Para a fruta, a menor cotação foi em Natal (-7,13%) e a maior em Campo Grande (9,03%).

Em resumo, os principais produtos com alta nos preços em agosto foram:

  • Arroz agulhinha: devido à baixa disponibilidade, necessidade de recomposição de estoques industriais e problemas logísticos por chuvas.
  • Leite integral: cotações elevadas em diversas cidades do país, com destaque para o Nordeste e Centro-Oeste.
  • Pão francês: impactado pela alta nos preços do trigo e da farinha no mercado.
  • Óleo de soja: influenciado pela demanda global e as projeções de impactos climáticos.
  • Carne bovina de primeira: com variações regionais, mas tendência de alta em mais da metade das capitais.
  • Banana: apresentando oscilações significativas de oferta e demanda em diferentes mercados.

Cenário acumulado e as capitais mais caras

Apesar da redução mensal em agosto, o cenário acumulado dos preços da cesta básica ainda aponta para uma tendência de alta no custo da alimentação. No período entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o percentual acumulado da cesta básica cresceu em todas as capitais, com elevação mínima em Brasília (+2,82%) e máxima em Porto Velho (+12,29%). No comparativo dos últimos 12 meses, o crescimento ocorreu em 25 capitais, variando entre uma redução de 0,64% em Brasília e um aumento de 7,51% em Goiânia.

Em agosto, o valor mais caro da cesta básica foi apurado em São Paulo, atingindo R$ 900,59. A capital paulista também registrou crescimento acumulado superior a 5% tanto em 2026 quanto no comparativo dos últimos 12 meses. Outras cidades com cestas básicas de alto custo foram Cuiabá (R$ 851,57) e Rio de Janeiro (R$ 851,19), que também mantiveram um crescimento acumulado acima de 5% no último mês. Esses dados reforçam a persistência da pressão sobre o poder de compra das famílias, mesmo com quedas pontuais.

A importância da pesquisa Conab e Dieese

A pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos é resultado de uma parceria estabelecida entre a Conab e o Dieese desde 2024. O objetivo dessa colaboração é monitorar os preços dos alimentos essenciais e, com isso, contribuir para o fortalecimento da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, além da Política Nacional de Abastecimento Alimentar. Essa iniciativa é crucial para a formulação de estratégias que garantam o acesso da população a uma alimentação adequada.

Por meio dessa pesquisa, a coleta de preços de alimentos básicos foi expandida de 17 para 27 capitais brasileiras, ampliando a abrangência e a representatividade dos dados. Os resultados, que passaram a ser divulgados em agosto de 2025, oferecem um panorama detalhado da variação dos preços em todo o país, auxiliando governos e consumidores a compreenderem melhor a dinâmica do mercado de alimentos e a planejarem suas ações e orçamentos.

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