El Niño pode atingir força recorde com 75% de chance de ser o mais potente desde 1950, alertam projeçõesPor Luís Pereira
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Uma nova projeção climática divulgada nesta quinta-feira (10/09/2026) aponta para uma intensificação preocupante do fenômeno El Niño, com a possibilidade de se tornar o evento mais forte já registrado desde o ano de 1950. Os dados, atualizados pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), indicam que essa escalada deve perdurar até o final de 2026, com repercussões significativas para diversas regiões do planeta.
No Hemisfério Sul, as expectativas são de um evento climático de grande intensidade durante a primavera e o verão de 2026–2027, com uma probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte. A chance de que este fenômeno específico supere todos os seus antecessores em intensidade desde meados do século XX é de 75%, conforme informações repercutidas no Brasil pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Impactos iminentes no setor pesqueiro e de aquicultura
A iminente intensificação do El Niño representa uma ameaça direta à subsistência de milhares de trabalhadores e trabalhadoras nos setores da pesca e aquicultura em todo o Brasil. As alterações nos padrões de chuva, nas temperaturas e na disponibilidade hídrica em diferentes bacias e ecossistemas podem desorganizar cadeias produtivas e impactar diretamente a vida de comunidades que dependem desses recursos para sua economia e alimentação.
As mudanças climáticas associadas ao El Niño podem provocar uma série de desequilíbrios ecológicos e operacionais. A elevação da temperatura da água, por exemplo, pode afetar a reprodução e migração de espécies marinhas e de água doce, alterando a produtividade pesqueira. Além disso, a variação extrema nos regimes de chuva pode comprometer a qualidade da água e a saúde dos cultivos aquáticos, exigindo adaptações rápidas e investimentos em novas tecnologias por parte dos produtores.
Cenários regionais e desafios específicos
As projeções climáticas detalham cenários distintos e desafiadores para as diferentes macrorregiões brasileiras, cada uma enfrentando um conjunto particular de riscos decorrentes do El Niño. A diversidade geográfica do país amplifica a complexidade dos impactos, exigindo respostas adaptadas a cada contexto local. As principais preocupações regionais incluem:
- Norte e Nordeste: A previsão de chuvas abaixo da média é um alerta para a redução drástica dos níveis dos rios, um fator crítico para a navegação e o transporte de mercadorias. Comunidades ribeirinhas podem ter seu acesso comprometido, além de enfrentar escassez de água para consumo e irrigação. A atividade pesqueira, vital para a economia local, também será diretamente afetada pela diminuição dos estoques hídricos e alterações nos ecossistemas fluviais.
- Sul: Em contraste, a região Sul do país deve se preparar para a ocorrência de chuvas acima da média, o que eleva significativamente o risco de enchentes e inundações. Esses eventos podem causar danos extensos a infraestruturas essenciais para a pesca e a aquicultura, como tanques de criação, viveiros e equipamentos de pesca, resultando em perdas econômicas substanciais e ameaça à segurança das comunidades.
- Outras regiões: Em diversas outras áreas do território nacional, a principal preocupação reside nas temperaturas elevadas. O aumento do calor pode exigir maior atenção às condições da água em reservatórios e sistemas de cultivo, bem como à saúde dos animais e plantas aquáticas. O estresse térmico pode levar à proliferação de doenças e à redução da produtividade, demandando um monitoramento constante e medidas de mitigação.
Preparação e orientações do Ministério da Pesca e Aquicultura
Diante do cenário de intensificação do El Niño, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) tem reforçado a importância da preparação e da adoção de medidas preventivas por parte dos municípios e das comunidades envolvidas. A pasta tem atuado na disseminação de informações e na elaboração de diretrizes que visam minimizar os efeitos adversos do fenômeno sobre o setor.
O objetivo é capacitar gestores e produtores para que possam implementar ações que preservem a segurança dos trabalhadores, a integridade das infraestruturas e a sustentabilidade das atividades pesqueiras e aquicultoras. A colaboração entre diferentes esferas de governo e a sociedade civil é fundamental para enfrentar os desafios impostos por um El Niño que se anuncia como um dos mais potentes da história recente, garantindo a resiliência das comunidades e a segurança alimentar do país.






