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A Delegacia de Defraudações investiga uma suspeita de fraude contra credores no processo de recuperação judicial do Vasco em 12 de setembro de 2026. O caso apura os cálculos de dívidas cobradas pelo ex-lateral Max, atleta do clube no início da década de 2010. O inquérito começou em maio e apura também a conduta do presidente da Assembleia Geral vascaína, Alan Belaciano.

O Vasco contestou na Justiça em abril a elevação repentina do crédito do atleta de R$ 2,5 milhões para mais de R$ 8 milhões. O ex-jogador já prestou depoimento.

Belaciano atuou como advogado de Max na ação proposta em 2016 e depois transferiu a representação para Moisés Gleicher, que também figura entre os investigados na apuração policial.

A Polícia Civil investiga se o dirigente manteve atuação no caso trabalhista após assumir o cargo diretivo na instituição. Belaciano já presidia a mesa da Assembleia Geral quando o clube apresentou a impugnação judicial da dívida.

O caso provocou protestos internos de sócios vascaínos, ocasião em que Belaciano sustentou publicamente que “não participara da elaboração, negociação e/ou aceitação do acordo junto a nenhum credor”.

Em esclarecimento enviado, Belaciano declarou que as suspeitas decorrem de disputa política após o racha do grupo que elegeu Pedrinho. O dirigente mencionou a saída recente de antigos integrantes da gestão esportiva.

O advogado declarou que o Vasco e os escritórios jurídicos contratados reconheciam uma pendência original de R$ 7 milhões que chegava a pouco mais de R$ 8 milhões com correções monetárias, sustentando que a alteração de posicionamento do clube ocorreu por divergências políticas internas para enfraquecer Pedrinho.

Belaciano afirmou que deixou a defesa jurídica de Max em 2017, período da vitória eleitoral do grupo político Sempre Vasco. Naquela disputa de conselheiros, Alexandre Campello superou o candidato Julio Brant.

Em oitiva perante os policiais, o ex-lateral informou que seus atuais defensores são Sergio Aguiar e Moisés Gleicher e que foi informado sobre a cobrança de R$ 8 milhões da ação de 2016, calculando receber R$ 5 milhões devido aos limites do plano de recuperação.

Max relatou que Belaciano compareceu a audiências judiciais em 2017 e 2019 a seu pedido direto, em razão do histórico profissional que mantinham. A reportagem buscou contato com Max e Moisés Gleicher, mas não obteve retorno de nenhum dos dois.

Administradora do processo e antigos gestores apresentam versões opostas

A autoridade policial intimou Belaciano duas vezes sem comparecimento, manteve a notificação para Moisés Gleicher ir prestar esclarecimentos e marcou novo depoimento com a previsão de intimar o presidente Pedrinho.

Os policiais colheram depoimentos do ex-diretor executivo Carlos Amodeo e da ex-diretora jurídica Bianca Reis. Prestaram esclarecimentos também o diretor financeiro Gabriel Souza e a representante da Wald Administração de Falências, Adriana Zamponi.

Os investigadores estimam encerrar o inquérito em um mês após realizar a tomada de depoimento de Pedrinho.

Carlos Amodeo e Bianca Reis disseram em depoimento que receberam alertas sobre “possível irregularidade” durante a conclusão do balanço financeiro de 2025. Os antigos gestores informaram que o próprio ex-atleta incluiu o crédito de R$ 8 milhões no processo.

Os ex-dirigentes afirmaram que Alan Belaciano se colocou à disposição da diretoria para intermediar contatos com advogados trabalhistas de forma informal durante a fase de conciliação.

Adriana Zamponi declarou aos investigadores que a direção vascaína aceitava como incontroverso o valor aproximado de R$ 7,9 milhões antes dos novos cálculos elevarem o total para cerca de R$ 8 milhões. A administradora judicial detalhou que as discussões anteriores envolviam apenas deduções de tributos e verbas de previdência.

A responsável pela administração judicial demonstrou surpresa aos policiais diante da “alteração de posicionamento” institucional sobre a dívida aceita anteriormente.

Órgão fiscalizador exigiu apuração formal sobre conflito de interesses

Integrantes do Conselho Fiscal da SAF vascaína exigiram providências internas sobre as divergências na recuperação de dívidas. O caso entrou na pauta da reunião oficial do colegiado em 18 de fevereiro de 2025.

O parecer do conselho apontou que a atuação de Alan Belaciano na mediação com credores da classe trabalhista entrava em conflito com o histórico do advogado em processos anteriores contra o clube, recomendando que os órgãos de controle apurassem o caso formalmente.

O relatório fiscal exigiu explicações detalhadas sobre sete cobranças impugnadas pela direção vascaína. O clube busca cancelar pagamentos considerados indevidos que somam R$ 10,8 milhões no total dos casos examinados, incluindo o processo de Max.

Em sua defesa formal, Belaciano declarou que não cometeu irregularidades nem calculou valores da recuperação, afirmando que as condições foram estabelecidas por bancas especializadas e confirmadas em depoimentos internos.

O dirigente sustentou que deixou de advogar contra o clube ao assumir as funções diretivas e que colaborou a pedido de Carlos Amodeo para aproximar os representantes dos credores. O advogado afirmou que sua atuação buscou devolver credibilidade institucional aos acordos financeiros do Vasco.

Belaciano argumentou que a ex-diretora jurídica assinou petição favorável ao valor de R$ 8 milhões em janeiro com o aval da administração judicial e da Justiça, apontando que o pedido posterior de cancelamento partiu de executivos da SAF após divergências internas.

O presidente da mesa alegou que o caso só virou denúncia anônima após o rompimento entre os grupos políticos dirigentes. O advogado declarou que o tema foi reaberto em período eleitoral durante a qualificação de novos investidores para o clube.

Belaciano encerrou sua manifestação afirmando que os executivos responsáveis pela condução dos acordos silenciaram até o racha político e que tais dirigentes devem explicações formais sobre o processo.

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Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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