Reforma Tributária encarece expansão e aperta caixa de empresasPor Jeronimo Santos
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A Reforma Tributária sobrecarrega o capital de giro de companhias em expansão devido ao mecanismo do split payment, que retém tributos no instante da liquidação de cada venda. O sistema altera o caixa.
A sistemática em vigor permite que a distância entre o faturamento e a quitação de guias tributárias componha o fluxo operacional diário, mas a retenção imediata forçará companhias a tomarem empréstimos para bancar despesas correntes antes atendidas por esses montantes provisórios.
Com a taxa básica Selic fixada em 14% ao ano, o Comitê Gestor do IBS estabeleceu, em julho, a alíquota referencial prevista em 27,91% para a soma do Imposto sobre Bens e Serviços e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços. No comércio varejista, faturamentos emitidos em março custeiam fornecedores por semanas antes do recolhimento.
A implementação do recolhimento automático suprime cerca de 50 dias de liquidez nas transações financeiras. Negócios focados em giro rápido e margem estreita sofrem as maiores consequências. A compressão atinge redes de atacado, distribuição, transporte e prestadores de serviços intensivos em pessoal.
O mecanismo do split payment preserva os percentuais nominais da lei, mas eleva o custo total da infraestrutura financeira. As empresas passam a contratar linhas bancárias para repor os valores recolhidos antecipadamente.
Empresas com balanços lucrativos podem perder fôlego para manter investimentos de expansão sem capital disponível. O diretor Rodrigo Barbeti, do Grupo BLB, explica que margem reflete eficiência operacional enquanto caixa traduz dinamismo financeiro. A legislação afeta o segundo componente.
A readequação contábil redefine o diálogo com instituições financeiras e investidores que calculam o valor do crédito a partir da previsibilidade do funding corporativo.
Mudanças na tributação afetam cálculo do lucro e valuation das empresas
Companhias com índice idêntico de Ebitda registram capacidade de pagamento distinta caso uma enfrente a supressão de 40 a 50 dias no capital circulante. Avaliações de valuation passarão a exigir auditorias sobre a qualidade dos créditos tributários e a capacidade real de geração de receita líquida.
A nova compensação de créditos vincula o aproveitamento fiscal do comprador à regularidade das certidões emitidas pelos prestadores. Contratantes passam a exigir auditorias fiscais rígidas de parceiros comerciais. A idoneidade tributária ganha o mesmo peso de preços e prazos em contratações corporativas.
O processo demanda cooperação obrigatória entre os departamentos de contabilidade, jurídico, suprimentos, comercial e tecnologia para converter dados fiscais em diretrizes estratégicas.
Barbeti recomenda que diretores financeiros tracem cenários comparativos de alíquotas, revisem os contratos da cadeia e reformulem o fluxo prevendo a retenção na fonte. O planejamento orçamentário deve mitigar a dependência de socorro financeiro imediato.
O custo final da captação de recursos para cobrir os dias sem faturamento líquido ditará a sobrevivência e o ritmo de expansão das marcas durante o período de transição.








