Jovem morre após dar à luz em Bangu e caso vira alvo de inquéritoPor Beatriz
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Familiares de Jéssica Gonçalves, de 28 anos, relataram que a paciente recebeu alta médica sentindo fortes dores abdominais no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, e retornou à unidade de saúde menos de duas horas depois. A jovem morreu vítima de infecção generalizada antes do sepultamento marcado para 16 de setembro de 2026.
A Polícia Civil apura a morte da mulher de 28 anos ocorrida cinco dias após o parto da terceira filha no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, depois de Jéssica Duarte Gonçalves falecer em 13 de setembro de 2026 após receber liberação com dores intensas.
O sepultamento ocorreu em 16 de setembro de 2026. Paralelamente, a recém-nascida segue internada em estado grave no Centro de Terapia Intensiva com diagnóstico de infecção.
Jéssica deu entrada no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro em 8 de setembro de 2026 para o nascimento da terceira filha em parto normal, após gestação sem complicações relatada pelo marido Jonathan Vieira de Moura.
A recém-nascida Jade veio ao mundo com quase quatro quilos em boas condições de saúde. A mãe começou a se queixar de fortes dores abdominais logo em seguida.
Jonathan relatou que o hospital não solicitou exames de imagem para checar as causas do sofrimento e administrou apenas soro com dipirona na paciente.
“Olharam minha mulher e falaram assim: bota ela no soro e dá dipirona. E fizeram isso nela. Entrou uma senhora na sala, olhou ela, enfiou a mão nela e começou a tirar umas coisas, coágulo. Aí falou para ela assim: ‘Nossa, deixaram isso dentro de você?’. E nada de melhorar, a dor piorando, piorando. Médica foi, bateu na barriga dela, falou que era gases”, contou o marido.
Jéssica recebeu alta médica 48 horas após o parto, mesmo mantendo o abdômen inchado e queixas persistentes de dor.
Jonathan explicou que o quadro clínico da esposa piorou cerca de uma hora após chegarem na residência. O marido retornou imediatamente com ela ao Hospital da Mulher Mariska Ribeiro.
A paciente precisou ser intubada logo na chegada em estado grave, momento em que o marido gravou um diálogo com a equipe da unidade de saúde.
“Ela está com um quadro de infecção e essa infecção está se generalizando”, disse a funcionária na gravação feita pelo marido. O áudio registrou a gravidade da situação apresentada pela mulher.
Jéssica seguiu transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, na Zona Oeste, onde médicos retiraram seu útero e ovários em procedimento cirúrgico.
O óbito da mulher de 28 anos ocorreu em 13 de setembro de 2026. A jovem não resistiu às complicações decorrentes da infecção.
O laudo médico oficial registrou que Jéssica morreu devido a choque misto, coagulação intravascular disseminada, sepse puerperal e atonia uterina, disfunção caracterizada pela incapacidade do músculo uterino de realizar a contração adequada logo após o término do procedimento de parto.
Investigadores da Polícia Civil apuram se a equipe hospitalar cometeu negligência durante o atendimento médico. O inquérito busca esclarecer as condutas adotadas antes da liberação da paciente.
Direção da unidade hospitalar contesta ausência de exames
O Hospital da Mulher Mariska Ribeiro afirmou em nota que Jéssica passou por todas as avaliações recomendadas para o pós-parto e apresentava condições estáveis.
A direção comunicou que a alta ocorreu 48 horas após o nascimento sem qualquer manifestação de alarme. O documento oficial sustentou que não havia queixas com sinais de gravidade.
Jonathan contesta a versão médica.
“Isso é mentira. Ela não melhorou. Por que não fizeram os exames que tinham que ser feitos na hora, quando ela estava após o parto sentindo muita dor?”, questionou Jonathan.
A Secretaria Municipal de Saúde não explicou os motivos para a não realização de exames de imagem solicitados pelo marido antes da liberação médica. O órgão público não enviou esclarecimentos desde 15 de setembro de 2026.
A filha recém-nascida de Jéssica continuava internada na unidade enquanto os parentes realizavam a despedida da mãe em 16 de setembro de 2026.
Familiares confirmaram que Jade contraiu uma infecção hospitalar. A criança segue em estado grave no Centro de Terapia Intensiva.
O marido de Jéssica acompanha o tratamento da recém-nascida no hospital e relatou o sofrimento dos parentes.
“Era um momento para estar feliz, agora com a nossa filha em casa, e está sendo um momento de… um momento triste. Eu não sei nem explicar”, disse Jonathan.







