Câmara debate protocolo nacional para padronizar atendimento de pessoas LGBTQIA+ no SUS

Projeto tem orientações específicas para o atendimento de pessoas trans, como respeito ao nome social - Foto: Geovana Albuquerque/Arquivo Agência Saúde.

Projeto tem orientações específicas para o atendimento de pessoas trans, como respeito ao nome social - Foto: Geovana Albuquerque/Arquivo Agência Saúde. Crédito: Geovana Albuquerque/Arquivo Agência Saúde

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados busca estabelecer um protocolo de atendimento nacional para a população LGBTQIA+ dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, identificada como PL 3337/26, visa aprimorar a qualidade e a padronização dos serviços oferecidos, garantindo que todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero, recebam cuidado adequado e respeitoso.

A proposta centraliza a responsabilidade pela elaboração desse protocolo no Ministério da Saúde. O objetivo primordial é unificar os fluxos de atendimento, desde a atenção primária até os serviços especializados e as unidades de referência, assegurando uma jornada de saúde mais integrada e eficiente para este segmento da população.

Diretrizes para um atendimento equitativo no SUS

O protocolo nacional proposto pelo Projeto de Lei 3337/26 pretende preencher uma lacuna existente na rede de saúde pública do país. A ausência de orientações uniformes tem sido apontada como um fator que contribui para a violação de direitos e a prestação de serviços inadequados. Com a implementação de diretrizes claras, o objetivo é mitigar situações de constrangimento e discriminação que, infelizmente, ainda são vivenciadas por muitos usuários.

Para o atendimento de indivíduos trans, a iniciativa prevê que o SUS deverá garantir um conjunto mínimo de serviços e direitos, embora os detalhes específicos ainda não tenham sido integralmente delineados na proposta inicial. A expectativa é que essas garantias assegurem um cuidado integral e respeitoso às particularidades de cada pessoa.

Combate à desigualdade e à discriminação

A deputada Dandara (PT-MG), autora da proposição, ressalta a importância de enfrentar a falta de diretrizes clínicas e assistenciais padronizadas. Segundo a parlamentar, essa carência expõe a comunidade LGBTQIA+ a atendimentos desiguais, inseguros e, em muitos casos, marcados por constrangimentos e discriminação. A medida legislativa busca, portanto, ser um instrumento para promover a equidade e a segurança no acesso à saúde.

A criação de um protocolo robusto e abrangente é vista como um passo fundamental para a construção de um ambiente de saúde mais inclusivo. Ele não apenas orientará os profissionais, mas também servirá como uma ferramenta de garantia de direitos para os pacientes, fortalecendo a confiança no sistema e promovendo o bem-estar.

Construção e atualização do protocolo

A responsabilidade pela elaboração, revisão e atualização do protocolo será do Ministério da Saúde. Este processo não será isolado, mas sim colaborativo, contando com a participação ativa de diversas esferas da sociedade. A intenção é que o documento seja construído de forma plural e representativa, incorporando as necessidades e perspectivas de todos os envolvidos.

Entre os participantes previstos para contribuir com a construção do protocolo estão:

  • Entidades da sociedade civil que representam a população LGBTQIA+.
  • Conselhos profissionais da área da saúde.
  • Especialistas e pesquisadores no campo da saúde e direitos humanos.
  • Instâncias de controle social do SUS, garantindo a fiscalização e a transparência.

Essa abordagem participativa visa assegurar que o protocolo seja eficaz, relevante e alinhado com as melhores práticas e as demandas reais da comunidade.

Conteúdo e tramitação da proposta legislativa

O protocolo a ser desenvolvido pelo Ministério da Saúde deverá abordar diversos aspectos cruciais do atendimento. Ele estabelecerá diretrizes para cada nível de atenção à saúde, detalhará os fluxos de encaminhamento entre os serviços, definirá critérios claros para o acesso a serviços especializados, e criará regras específicas para os registros em prontuário, incluindo a garantia do uso do nome social. Além disso, o documento deverá conter orientações detalhadas para a capacitação e sensibilização dos profissionais de saúde, visando um atendimento mais humanizado.

Atualmente, o Projeto de Lei 3337/26 segue em análise na Câmara dos Deputados. Ele será examinado em caráter conclusivo por três importantes comissões: a Comissão de Saúde; a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial; e a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que a proposta se torne lei, ela precisará ser aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado Federal, marcando um avanço significativo na política de saúde para a população LGBTQIA+ no Brasil.