Polícia apura mortes de mãe e bebê após parto no Rio de JaneiroPor Jeronimo Santos
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A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro investiga a morte de Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos, e da filha recém-nascida Jade Duarte de Moura, após o parto realizado no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste da capital, onde parentes denunciam negligência da equipe de atendimento médico.
A paciente deu entrada no hospital em 8 de setembro de 2026 para o nascimento de Jade, sua terceira filha. Familiares relataram que o período gestacional ocorreu sem nenhuma complicação e que o procedimento final foi um parto normal.
Dores abdominais intensas atingiram a mulher poucas horas após o procedimento. O marido dela, Jonathan Vieira de Moura, relatou que os profissionais do local não solicitaram exames de imagem para checar os sintomas corporais. Médicos associaram o quadro ao acúmulo de gases e prescreveram dipirona.
O pai da criança descreveu a conduta observada durante o atendimento prestado à companheira: “Olharam minha mulher e falaram assim: ‘bota ela no soro e dá dipirona’. Entrou uma senhora na sala, olhou ela, enfiou a mão nela e começou a tirar umas coisas, coágulo. Aí falou para ela assim: ‘nossa, deixaram isso dentro de você?’. E nada de melhorar, a dor piorando, piorando. A médica foi, bateu na barriga dela, falou que era gases.”
Após receber alta médica 48 horas depois do procedimento cirúrgico, a mulher retornou à unidade com inchaço e quadro de dor aguda, sendo intubada e transferida ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, onde passou por cirurgia de emergência para retirada dos ovários e do útero.
Jéssica morreu cinco dias após dar à luz a menina. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou que a paciente permaneceu internada em unidade de terapia intensiva, mantendo sigilo familiar sobre o diagnóstico final da causa do óbito. A mulher deixa outros dois filhos, de 9 e 4 anos.
A recém-nascida Jade morreu nove dias após o parto, em decorrência de complicações com febre tratadas na UTI neonatal do Hospital Municipal Albert Schweitzer. O sepultamento da menina foi organizado no Cemitério do Murundu.
Manifestação da unidade hospitalar e apuração policial
A direção do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro declarou que a paciente recebeu todas as avaliações clínicas indicadas, teve medicações ministradas após apresentar queixas e que o atendimento prestado passa por processo de revisão interna.
A unidade sustentou que Jéssica recebeu alta sem queixas clínicas indicando qualquer sinal de gravidade. Familiares contestaram a versão apresentada pela instituição de saúde e apontaram falhas nos procedimentos adotados. “Por que não fizeram os exames que tinham que ser feitos na hora, quando ela estava após o parto sentindo muita dor?”, questionou o marido.
A 34ª DP conduz a investigação. Agentes da Polícia Civil realizam diligências em Bangu com o objetivo de apurar os fatos e definir responsabilidades no atendimento prestado às vítimas.







