XPENG apresenta o robô humanoide Iron, capaz de andar imediatamente após ser montadoPor Thiago Lemos
4 min de leitura
![]() |
O robô humanoide Iron deixou por conta própria a linha de montagem onde acabou de ser fabricado. A fabricante chinesa de veículos elétricos XPENG afirma que a máquina caminhou de forma autônoma logo após a montagem ser concluída, um passo que a empresa liga diretamente ao início da produção em massa ainda neste ano. O presidente e CEO da companhia, He Xiaopeng, chegou a entregar um crachá de funcionário ao robô durante o evento.
Segundo a XPENG, mais de 80% dos processos centrais da linha de montagem já funcionam de forma automatizada. A empresa diz aplicar ao setor de robótica os mesmos sistemas de controle de qualidade usados na fabricação de automóveis, na tentativa de manter a consistência conforme a produção aumentar. “Hoje é um passo pequeno, mas a XPENG está construindo as linhas de produção para uma categoria de produto inteiramente nova”, disse He, em anúncio feito em 7 de setembro.
A caminhada funciona bem como demonstração pública, mas não responde se o Iron aguentaria uma jornada de trabalho inteira. A XPENG não revelou o volume atual de produção da linha nem quantos testes foram feitos antes da apresentação. A meta de produção em massa segue marcada apenas para o fim do ano, sem detalhes adicionais sobre o cronograma interno.
Robô vai atuar primeiro em lojas e unidades da própria XPENG
Um encontro com o Iron pode acontecer numa visita a uma concessionária. A XPENG já havia citado funções de recepção, condução de visitas guiadas e apoio a vendas como tarefas previstas para o robô. A empresa planeja usá-lo primeiro em lojas e campi próprios, com entregas na China e em mercados internacionais programadas para 2027. O anúncio não mencionou disponibilidade nos Estados Unidos nem valores de venda.
De acordo com a XPENG, o Iron tem 76 graus de liberdade distribuídos pelo corpo e 21 em cada mão, número que indica a quantidade de movimentos independentes que a máquina consegue realizar. Essa articulação sustenta tanto a caminhada quanto a manipulação de objetos em ambientes construídos para pessoas.
Três chips Turing AI equipam o robô e juntos entregam até 2.250 trilhões de operações por segundo. A XPENG afirma que essa capacidade permite ao Iron rodar seu modelo de inteligência artificial internamente, sem depender de um operador remoto para tarefas complexas. Processar dados localmente ajuda a reduzir atrasos, mas o número isolado não garante desempenho diante de um cliente que fuja do roteiro esperado.
A estrutura externa do robô foi projetada, segundo a empresa, para ser flexível e segura. Isso importa para uma máquina que vai interagir com o público, mas o anúncio não trouxe uma avaliação de segurança independente. As funções estão definidas no papel; o desempenho no dia a dia ainda precisa ser comprovado.
Tesla também disputa a corrida dos robôs humanoides
A comparação com a Tesla é imediata. As duas fabricantes de carros querem aplicar know-how de inteligência artificial e manufatura à robótica. A Tesla já anunciou a conversão de linhas de produção do Model S e do Model X para fabricar o robô Optimus, e incluiu preparativos para produção em larga escala no balanço do segundo trimestre. Ainda é cedo para apontar uma vencedora.
Outras empresas já produzem humanoides em quantidade relevante. Em abril, a Figure informou ter fabricado mais de 350 unidades do robô Figure 03 e demonstrado um ciclo de produção de uma unidade por hora. Essas máquinas foram destinadas a usos internos, como desenvolvimento e coleta de dados, e não devem ser lidas como entregas a clientes.
Uma comparação mais realista está no que os robôs conseguem fazer depois de sair da fábrica. A BMW afirma que um modelo anterior da Figure, o Figure 02, inseriu peças de chapa metálica para solda em sua planta de Spartanburg. A tarefa era específica e repetitiva, longe de montar um carro inteiro do zero. Ao longo de dez meses, o robô apoiou a produção de mais de 30 mil unidades do BMW X3.







