Golpe do falso Elon Musk gera prejuízo de R$ 140 mil a idosas em MinasPor Carolina Costa
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Duas idosas moradoras do Sul de Minas Gerais perderam mais de R$ 140 mil ao caírem no golpe do falso romance com o empresário Elon Musk em um intervalo inferior a seis meses. As ocorrências foram registradas nos municípios de Bandeira do Sul e Santa Rita do Sapucaí, onde criminosos usaram perfis falsos, promessas de casamento e ferramentas de manipulação de vídeo para enganar as vítimas e obter vantagens financeiras.
O caso mais recente teve início em 5 de setembro de 2026, quando uma aposentada de 71 anos residente em Bandeira do Sul começou a receber mensagens pelo aplicativo WhatsApp enviadas a partir de um número com prefixo internacional da Nigéria. O interlocutor dizia ser o dono da Tesla, da SpaceX e da rede social X. Ao longo das conversas, o golpista declarou intenções amorosas, prometeu casamento e afirmou que enviaria um veículo elétrico Tesla de presente para a idosa. Para viabilizar a suposta entrega do automóvel, o estelionatário passou a exigir o envio de quantias para o pagamento de taxas alfandegárias e orientou a transferência das conversas para a plataforma de mensagens Signal.
Para sustentar a farsa, o autor do crime realizou chamadas de vídeo simulando o rosto de Elon Musk com recursos de inteligência artificial. Durante essas ligações, a moradora de Bandeira do Sul exibiu o próprio rosto e encaminhou fotografias de documentos pessoais. Com a imagem e os dados cadastrais da vítima, o suspeito capturou a biometria facial da idosa e contratou um empréstimo bancário fraudulento de R$ 68.000,00 diretamente na conta da aposentada. O prejuízo total da moradora chegou a R$ 71.500,00, cálculo que reúne o financiamento indevido, gastos de pelo menos R$ 2.000,00 na aquisição de códigos de cartões virtuais de lojas de aplicativos a pedido do fraudador e R$ 1.500,00 em dívidas contraídas no comércio local. A mulher também relatou que acreditava manter contato prévio com a modelo Maye Musk, mãe do empresário. A filha da vítima, de 43 anos, formalizou o boletim de ocorrência na Delegacia da Polícia Civil de Campestre na terça-feira, 15 de setembro de 2026.
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Transferências bancárias e compras em Santa Rita do Sapucaí
A outra ocorrência foi registrada em Santa Rita do Sapucaí em 31 de março de 2026. Na ocasião, uma idosa moradora da cidade também passou a conversar com um interlocutor que afirmava ser o empresário e sustentou um suposto relacionamento amoroso à distância. Durante o contato mantido por aplicativo de mensagens, a vítima realizou duas operações bancárias solicitadas pelo fraudador.
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As perdas financeiras em Santa Rita do Sapucaí ocorreram por meio de repasses diretos e uso indevido de cartões de crédito:
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- R$ 5.000,00 enviados por transferência via Pix para uma conta da Caixa Econômica Federal aberta em nome de terceiro;
- R$ 62.000,00 encaminhados na segunda transferência via Pix por solicitação do estelionatário;
- R$ 10.000,00 acumulados em compras indevidas realizadas no cartão de crédito da vítima após a entrega de dados financeiros.
O golpe foi descoberto pela idosa quando o suposto parceiro deixou de devolver os valores prometidos durante as conversas. As forças de segurança e a Polícia Civil informaram que não constataram conexão direta entre os episódios registrados nas duas cidades e que não há comprovação de atuação da mesma quadrilha em ambos os municípios. A identidade real dos operadores das linhas telefônicas com prefixo internacional e dos titulares que receberam os repasses bancários segue sob investigação.
Orientações de segurança contra estelionato sentimental
A prática de estelionato sentimental tem associado a notoriedade de empresários e personalidades globais a recursos tecnológicos como ferramentas de deepfake, técnica que altera voz e imagem em transmissões digitais para enganar alvos no país. Diante dos registros, a Polícia Civil orienta que usuários desconfiem de abordagens amorosas feitas pela internet que envolvam pedidos de dinheiro, taxas alfandegárias ou repasses de recursos para terceiros.
A corporação recomenda ainda não aceitar chamadas de vídeo como garantia de autenticidade, não fornecer biometria facial, senhas bancárias ou fotos de documentos para contatos virtuais, além de consultar familiares de confiança antes de efetuar transações. Em caso de suspeita, a orientação oficial é suspender a conversa, salvar capturas de tela e comprovantes bancários e procurar uma delegacia para registrar a ocorrência.








