Ciência

Eclipse solar total de 2027 terá duração recorde de escuridão no Egito e passará por dez países

eclipse solar
eclipse solar - Jason Daniel Mann/Shutterstock.com

Astrônomos e observadores do céu preparam expedições para acompanhar o eclipse solar total programado para 2 de agosto de 2027, apontado como o evento do tipo mais longo visível sobre terra firme em décadas. O fenômeno alcançará seu ponto máximo nas proximidades de Luxor, no Egito, onde a Lua bloqueará completamente a luz solar por 6 minutos e 23 segundos, gerando um período de escuridão total incomum para áreas continentais habitadas.

O astrofísico solar Ryan French, integrante do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado em Boulder, declarou que o evento representa uma oportunidade rara para a ciência. O especialista afirmou que este será o eclipse mais longo do restante da vida da maior parte das pessoas que tiverem a chance de testemunhar a totalidade diretamente na faixa central projetada pela sombra lunar.

Trajetória da sombra cobre dez nações e monumentos históricos

A faixa de escuridão completa atravessará dez países e territórios entre o sul da Europa, o norte da África e o Oriente Médio, abrangendo Espanha, Gibraltar, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália. Essa faixa territorial estreita colocará sítios arqueológicos e centros de peregrinação religiosa sob alinhamento astronômico direto, atraindo pesquisadores e turistas de diversas partes do planeta.

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Monumentos antigos no Egito, como as tumbas do Vale dos Reis e as estruturas da Grande Pirâmide de Gizé, estarão sob a rota direta da sombra projetada pela Lua. O fenômeno também cruzará a cidade de Meca, na Arábia Saudita. Conforme medições do Observatório Solar Nacional, o evento de 2027 é o segundo mais extenso de todo o século XXI, ficando atrás somente do registro verificado em 2009 sobre águas abertas do oceano Pacífico, o que torna a passagem sobre o continente a mais longa desta era moderna.

Condições climáticas desérticas favorecem visibilidade do fenômeno

A probabilidade de céu limpo é considerada um dos pontos fortes para a observação científica ao longo do trajeto terrestre. Segundo a análise técnica de Ryan French, a localização predominantemente árida da trajetória reduz o risco de bloqueio visual provocado pela formação de nuvens espessas durante o instante máximo da cobertura solar.

“O mais importante é que, em agosto, o tempo estará praticamente garantido ensolarado ao longo de toda a trajetória do eclipse, porque grande parte da área é desértica”, afirmou Ryan French sobre a estabilidade atmosférica das regiões selecionadas para o trânsito da sombra lunar.

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Populações situadas fora do corredor estreito da totalidade verão o alinhamento de forma parcial. A Nasa confirmou que o disco solar parcialmente encoberto poderá ser observado em quase toda a Europa, na maior parte do continente africano, no Oriente Médio, no Sudeste Asiático e em áreas do leste do Canadá e do norte do estado do Maine, na América do Norte.

Sequência de fenômenos astronômicos confirmados até 2045

O intervalo entre fenômenos dessa magnitude varia conforme os ciclos orbitais da Terra e da Lua em relação ao Sol. Antes do evento de 2027, o último eclipse solar total sobre terra firme que superou seis minutos contínuos de totalidade aconteceu em 1991, e cálculos astronômicos apontam que outro evento com essa duração em solo continental acessível só deve se repetir no ano de 2114.

  • 12 de agosto de 2026 — Eclipse solar total visível no hemisfério norte, com travessia sobre o território da Espanha
  • 2 de agosto de 2027, às 10:06 UTC — Eclipse solar total mais longo das próximas décadas sobre terra firme, com ápice de 6 minutos e 23 segundos próximo a Luxor, no Egito
  • 22 de julho de 2028 — Eclipse solar total com visibilidade projetada sobre áreas da Austrália e da Nova Zelândia
  • 25 de novembro de 2030 — Eclipse solar total observável a partir da Namíbia, Botsuana, África do Sul, Lesoto e Austrália
  • 20 de março de 2034 — Eclipse solar total com trajetória sobre setores da África, do Oriente Médio e do continente asiático
  • 12 de agosto de 2045 — Próximo eclipse solar total observável a partir do território brasileiro, abrangendo faixas das regiões Norte e Nordeste

Recomendações de viagem e janela de visibilidade no Brasil

A corrida por acomodações em hotéis nas cidades que integram o corredor central já mobiliza a indústria do turismo internacional. A largura reduzida da faixa de totalidade concentra a demanda hoteleira em poucas localidades específicas no norte da África e na Península Arábica, o que eleva a procura meses antes da compra usual de bilhetes de transporte.

“Os caminhos dos eclipses são relativamente estreitos, então são os hotéis e acomodações que costumam lotar e ficar muito caros bem antes das passagens aéreas”, disse o astrofísico Ryan French, ao orientar planejamento prévio para viajantes interessados no registro do fenômeno.

Para o público brasileiro, a observação de um alinhamento total só será viável em solo nacional no dia 12 de agosto de 2045. A passagem da sombra nesse evento futuro contemplará faixas selecionadas das regiões Norte e Nordeste do Brasil, marcando o encerramento de um intervalo de décadas sem eventos de ocultação completa do Sol no território do país.

A Austrália também registrará concentração singular de fenômenos solares totais nos próximos anos, somando quatro eventos em dez anos com passagens em 2028, 2030, 2037 e 2038, permitindo novos estudos sobre a atmosfera externa do Sol.

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