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Emissão de LCIs e LCAs desaba no país e taxas médias caem para 86% do CDI

Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
Letras de Crédito Imobiliário (LCI) - Foto: AndreyPopov/istock

Um levantamento da empresa de inteligência de mercado Quantum Finance aponta que o volume de emissões e as taxas médias de remuneração das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) sofreram retração contínua entre 2024 e setembro de 2026. A diminuição da oferta desses papéis decorre de medidas restritivas adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e de uma posição de liquidez confortável nas tesourarias bancárias.

Os títulos atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) passaram a oferecer rendimentos médios próximos a 86,6% da taxa de referência para prazos de 12 meses. O movimento ocorre em paralelo à condução da política monetária pelo Banco Central, em um período em que a taxa básica de juros, a Selic, opera em 13,75% ao ano em setembro de 2026, após ter alcançado a marca de 15% ao ano durante 2025.

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Contração severa no número de ofertas e queda nos rendimentos

O recuo na quantidade de títulos emitidos atingiu ambos os instrumentos incentivados, com impacto pronunciado nas captações imobiliárias. A pesquisa revelou que o mercado operou com uma presença residual de novos lançamentos ao longo de 2026.

  • LCAs em setembro de 2024: 2.180 emissões registradas
  • LCAs em setembro de 2025: 1.740 emissões registradas
  • LCAs até 17 de setembro de 2026: 405 emissões registradas
  • LCIs em setembro de 2024: 29 emissões registradas
  • LCIs em setembro de 2025: 11 emissões registradas
  • LCIs até 17 de setembro de 2026: 1 emissão registrada
  • Taxa média da LCA de 12 meses em setembro de 2024: 93,3% do CDI
  • Taxa média da LCA de 12 meses em setembro de 2026: 86,6% do CDI

A taxa média das LCAs pós-fixadas de 12 meses, que marcava 93,3% do CDI em setembro de 2024, recuou para 90,1% em 2025 até se fixar em 86,6% do CDI na apuração parcial de setembro de 2026.

Exigências do CMN e regras no Fundo Garantidor de Créditos

O encolhimento das opções nas prateleiras começou com a determinação do CMN que alterou o lastro admitido para a estruturação das letras de crédito. O órgão regulador excluiu determinados títulos das operações elegíveis e ampliou o prazo mínimo de vencimento dos papéis, que passou de seis meses para um ano. A medida reduziu o universo de ativos aptos a embasar novas captações bancárias.

Posteriormente, episódios de tensão no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) envolvendo instituições financeiras, como o Banco Master, levaram o CMN a fixar novas exigências prudenciais. O pacote impôs regras mais rígidas para as contribuições destinadas ao fundo e fixou limites para a alocação de capital em títulos públicos. As exigências encareceram o custo de captação por meio de instrumentos cobertos pelo mecanismo, cujo teto permanece em R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Renda Fixa cofre Poupança
Renda Fixa cofre Poupança – Foto: Rmcarvalho/istock

Caixa bancário abastecido após debate tributário

Outro elemento decisivo para a retração foi o comportamento dos bancos diante de propostas legislativas no segundo semestre de 2025. Naquele período, o governo federal colocou em pauta a cobrança de Imposto de Renda sobre ativos incentivados a partir de 1º de janeiro de 2026. A perspectiva de alteração causou uma corrida de investidores e emissores para antecipar aplicações isentas.

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Embora a cobrança tenha sido rejeitada e não tenha entrado em vigor em 2026, as instituições financeiras fecharam o período com volumes elevados de captação em tesouraria. “Banco que já está com o caixa cheio não tem motivo para pagar caro por financiamento”, declarou Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital. O estoque conjunto de LCIs e LCAs alcançou a marca de R$ 1 trilhão em 30 de junho de 2026, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Avaliação de risco e retorno real na renda fixa

Com a taxa Selic situada entre 10% e 10,5% em 2024, atingindo 15% em 2025 e recuando para 13,75% ao ano nesta quinta-feira (24), a rentabilidade final depende da composição entre juros nominais e o benefício fiscal. A aplicação de uma alíquota menor do CDI em um patamar de juros de dois dígitos altera o rendimento comparado a ciclos de juros baixos.

“O investidor precisa considerar todos os aspectos do investimento, e não simplesmente percentual do CDI. Além da rentabilidade, deve se considerar prazo, liquidez e risco de crédito”, afirmou Gabriel Santos, head de research da Bloxs. O especialista explicou que ofertas muito elevadas deixaram de representar o padrão do setor: “Parece claro que taxas de 95% ou 100% do CDI em instrumentos isentos tendem a ser oportunidades pontuais agora, e não necessariamente uma referência permanente de mercado”.

Quando taxas elevadas surgem em plataformas, elas costumam estar associadas a emissores de menor porte. “Nesses casos o investidor precisa lembrar que taxa acima da média é o preço do risco”, declarou Ricardo Trevisan. O executivo apontou ainda cautela com promessas de retornos atípicos: “Taxa de IPCA+ 12% isenta parece bonita no aplicativo, mas muitas vezes não paga o risco que carrega”.

Novos dados setoriais e eventuais mudanças nas diretrizes de crédito do Banco Central serão consolidados ao término do terceiro trimestre de 2026.

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