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Marcos Lamacchia vence leilão da SAF do Vasco com proposta homologada na Justiça

Vasco da Gama - X/Twitter
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A Almirante Participações S/A arrematou 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol do Club de Regatas Vasco da Gama em leilão judicial realizado na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (25). A proposta da companhia foi a única apresentada no certame e recebeu homologação do juízo por volta das 14h50, marcando o avanço do processo de alienação de ativos da recuperação judicial do clube associativo.

O empresário Marcos Faria Lamacchia, principal acionista da empresa e CEO da Blue Star, não compareceu presencialmente ao Fórum Central por estar no exterior, sendo representado na audiência pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica. “Vai ser o maior projeto esportivo da América do Sul”, afirmou Junqueira após a confirmação da vitória no tribunal, em sessão acompanhada pelo presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, Pedrinho, e pelo diretor-executivo da Vasco SAF, Fred Luz.

Leia também: Guerra na SAF do Vasco: BAP, Leila, Pedrinho e Textor trocam farpas por venda milionária

Valores da oferta e investimentos previstos em contrato

O plano apresentado pela Almirante Participações estrutura compromissos financeiros obrigatórios para a reestruturação e a operação da SAF nos próximos anos. A proposta homologada pela Justiça do Rio de Janeiro estabelece uma divisão rigorosa dos recursos aplicados diretamente no esporte e na infraestrutura patrimonial vinculada à agremiação:

  • R$ 500 milhões em aportes diretos e exclusivos para o departamento de futebol, divididos em parcelas de R$ 100 milhões ao ano entre 2026 e 2030;
  • R$ 120 milhões carimbados para a realização de obras e melhorias na infraestrutura do Centro de Treinamento;
  • R$ 80 milhões referentes à conversão de empréstimo de financiamento na recuperação judicial (DIP) em participação acionária definitiva;
  • R$ 30 milhões alocados exclusivamente para as categorias de base do clube;
  • R$ 27 milhões já depositados em juízo pela compradora como garantia para dois anos de obrigações da recuperação judicial.

Além das injeções financeiras, a empresa vencedora assume a responsabilidade pela condução do fluxo de caixa e pelos pagamentos das dívidas listadas no plano de recuperação judicial e demais passivos do clube. Pelos termos fixados na negociação judicial, a Almirante Participações fica expressamente proibida de alienar as ações adquiridas ou de realizar a distribuição de dividendos pelo período de 10 anos.

Veja também: SAF do Vasco vai a leilão na Justiça do Rio com proposta única de Marcos Lamacchia

Origem da alienação e modelo de disputa judicial

A venda do controle acionário ocorre a partir da alienação da UPI Equity, mecanismo processual previsto na Lei de Recuperação Judicial para isolar ativos e permitir a transferência societária livre de sucessão direta das dívidas anteriores. A medida jurídica sucede a perda de controle da gestora anterior, a 777 Partners, que detinha a fatia majoritária da empresa vascaína antes das intervenções judiciais movidas pela associação civil.

Para viabilizar a concorrência formal exigida pela legislação em 25 de setembro de 2026, a empresa de Lamacchia atuou sob a figura jurídica de stalking horse bidder. A condição previa a apresentação prévia de uma proposta firme de referência para balizar o preço das ações no certame, resguardando o direito contratual de cobrir eventuais ofertas de concorrentes que surgissem durante a sessão na 4ª Vara Empresarial, o que não ocorreu devido à ausência de outros proponentes.

Trâmites internos e análise de órgãos reguladores

A vitória no leilão judicial não encerra os procedimentos de transferência acionária. Para que o contrato final de compra e venda seja assinado, a transação necessita da aprovação dos conselheiros do Vasco em reunião do Conselho Deliberativo e da ratificação soberana dos sócios reunidos em Assembleia Geral Extraordinária (AGE).

O negócio também passa pelo crivo dos órgãos reguladores do esporte. A Confederação Brasileira de Futebol e a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) apuram eventual conflito de interesses desportivo decorrente das relações familiares do comprador, já que Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras.

As datas para as convocações das sessões do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral Extraordinária ainda não foram divulgadas pela diretoria vascaína. Não há prazo limite fixado ou parecer conclusivo emitido pela Anresf acerca da apuração regulatória sobre o caso.

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