Meme ‘Cachorro A Folou’ surgiu de fotos feitas na Ucrânia por Iryna Kalamurza
A fotógrafa ucraniana Iryna Kalamurza detalhou nesta quinta-feira (24) a trajetória de sua cadela Maya, da raça Jack Russell Terrier, que se transformou em um dos personagens mais populares da internet brasileira sob o apelido de Cachorro A Folou. Os registros do animal foram captados originalmente em Kiev no início dos anos 2010 e ganharam projeção mundial anos depois.
As imagens de estúdio foram disponibilizadas em bancos comerciais e se tornaram o material de maior vendagem no portfólio da profissional, com licenciamentos para publicidade e produtos de ração animal. Segundo Iryna Kalamurza, o alcance das publicações ganhou contornos inesperados. “Para ser honesta, ainda é um sentimento bem surreal. Eu comecei a receber tantas mensagens gentis, comoventes, de pessoas que estavam bem emocionadas, tipo, em lágrimas mesmo”, afirmou a fotógrafa.
Origem do apelido nas redes brasileiras e alcance global
A disseminação do conteúdo no Brasil começou por volta de 1 de julho de 2021, quando internautas associaram as diferentes expressões faciais da cadela à música I Follow Rivers, interpretada pela cantora sueca Lykke Li. A repetição do refrão gerou a escrita fonética aportuguesada A Folou ou Ai Folou, levando parte do público a supor que o animal era um cão macho semelhante a um vira-lata caramelo.
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No ano seguinte, a repercussão internacional ampliou a visibilidade de Maya com a faixa Summer, do produtor escocês Calvin Harris. Sob a corruptela fonética Wenomechainsama, em alusão ao verso de abertura da canção, a imagem do animal passou a ilustrar cartazes levados a festivais de música e foi compartilhada pelo próprio músico em seus canais oficiais.
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Trajetória de Maya entre sessões de estúdio e tributos
Maya acompanhou a tutora ao longo de mais de uma década de produção visual e viveu até os 16 anos de idade, falecendo em 1 de abril de 2026. A fotógrafa deixou a Ucrânia e passou a morar em Barcelona, na Espanha, em decorrência da invasão russa ao território ucraniano.
- 10 anos de produção contínua de fotos de Maya para acervos digitais entre 2012 e 2022
- 16 anos de idade completados pela Jack Russell Terrier até sua morte em abril de 2026
- 5 pessoas relataram à tutora terem feito tatuagens permanentes com a imagem da cachorra
- 2 canções pop internacionais impulsionaram os dois picos de circulação das fotos na web
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Debate sobre direitos autorais e uso em bancos de imagens
A repercussão em larga escala recolocou em pauta as discussões sobre a cultura de remixagem de memes e a proteção dos direitos patrimoniais de autores de fotografias comerciais. A circulação massiva não gerou remuneração direta à fotógrafa pelo uso viral, cenário que ela aceita para fins não comerciais entre usuários comuns, mantendo restrições apenas a utilizações indevidas por marcas.
Sobre a perda de controle sobre a distribuição dos arquivos digitais, a profissional avaliou a dinâmica dos serviços de estoque. “Aprendi com minha própria experiência que essa é, infelizmente, a natureza da fotografia de banco de imagens: quando as fotos chegam à internet, elas podem começar a se espalhar e ser reutilizadas de maneiras quase impossíveis de controlar ou impedir”, declarou a fotógrafa, em tradução livre.
A tutora declarou que o acolhimento do público ajudou no processo de luto após a perda do animal. “Agora, eu vejo mais como algo precioso e único que compartilhamos. É maior do que uma perda. É um sentimento agridoce, mas, de um jeito, ela continua vivendo. E isso me deixa feliz”, disse Iryna Kalamurza.
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A identidade do primeiro usuário do Twitter que editou o vídeo original sincronizando as fotos de Maya com a música em 2021 permanece desconhecida.

