O escritor Charles Spencer, 9º Conde Spencer e irmão da princesa Diana, revelou que seu principal arrependimento foi não ter feito mais para apoiar a irmã contra a exposição midiática e contestou a versão histórica de que teria negado abrigo a ela em Althorp após o divórcio. As declarações foram concedidas na propriedade da família em Northamptonshire, na Inglaterra, em razão do lançamento de sua nova obra autobiográfica.
O nobre de 62 anos afirmou que buscou proteger a princesa de Gales nos bastidores em diferentes momentos. “Será que eu poderia ter feito mais para ajudá-la em sua vida pública? Provavelmente sim”, disse Charles Spencer, em tradução livre. Ele explicou ainda: “No final da vida dela, eu a ajudei um pouco. Tive alguns desentendimentos com a mídia. Ajudei-a a ganhar um grande processo por difamação contra um jornal britânico. Eu lutava algumas batalhas por ela discretamente.”
Charles Spencer explica veto policial à residência em Althorp
A narrativa de que Charles Spencer teria barrado a permanência de Diana na propriedade ancestral foi rebatida pelo conde com base em laudos de proteção da época da separação oficial, ocorrida em 1996. Segundo o relato, a princesa solicitou a Garden House, residência nos fundos do parque onde a irmã Jane Fellowes morava com os filhos, mas a polícia constatou a inviabilidade operacional do plano para a integridade dos príncipes William e Harry.
“A polícia local foi até lá comigo e disseram que simplesmente não podiam proteger William e Harry. Ela não poderia ter morado na Garden House. Não era uma opção viável”, declarou Charles Spencer, em tradução livre. Diante do parecer negativo emitido pelas forças de segurança locais, a princesa permaneceu estabelecida no Palácio de Kensington, enquanto a guarda dos filhos era dividida com o então príncipe Charles entre a capital inglesa e a propriedade de Highgrove House.
Livro de Charles Spencer aborda atritos com o Palácio de Buckingham
A publicação do livro de memórias Swan Song: Diana, My Sister, lançado em 22 de setembro de 2026 no Reino Unido pela editora Michael Joseph, selo da Penguin Random House, reúne 384 páginas com memórias que antecedem a marca de 30 anos da morte de Diana, prevista para agosto de 2027. O conde destacou que resolveu estruturar o texto para garantir um registro público definitivo sobre o convívio fraterno antes de novas especulações no aniversário da perda.
O conteúdo da obra provocou atrito direto com a monarquia britânica ao relatar discussões tensas mantidas com o atual rei Charles III sobre a caminhada de William e Harry no cortejo fúnebre de 1997 e o comportamento do herdeiro da coroa. Em manifestação sobre as revelações familiares, um porta-voz do Palácio de Buckingham afirmou, em tradução livre: “Embora não comentemos livros por princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode nublar a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda.” O conde definiu publicamente a nota da realeza como uma forma clássica de manipulação psicológica.
Datas centrais na trajetória da princesa Diana e da família Spencer
- 28 de agosto de 1996 — Oficialização do divórcio entre o então príncipe Charles e a princesa Diana
- 31 de agosto de 1997 — Morte da princesa Diana, aos 36 anos, em um acidente de carro em Paris
- 22 de setembro de 2026 — Lançamento comercial do livro de memórias de Charles Spencer no Reino Unido
Lembranças pessoais preservadas por Charles Spencer
Como forma de homenagem à irmã, que morreu aos 36 anos, o 9º Conde Spencer relatou que mantém o hábito de usar abotoaduras que ganhou de Diana no fim da década de 1980 sempre que participa de compromissos profissionais decisivos ou momentos de crise pessoal.
Apesar dos detalhes revelados sobre os embates judiciais travados nos anos 1990, Charles Spencer não especificou o nome do jornal britânico contra o qual auxiliou a princesa a vencer a ação judicial por difamação.

