Astrônomos captam ondas de rádio do planeta Beta Pictoris b

Exoplaneta semelhante à TerraExoplaneta semelhante à Terra

Exoplaneta semelhante à Terra - Artsiom P / Shutterstock.com

Pesquisadores registraram emissões de rádio aurorais originadas diretamente no exoplaneta Beta Pictoris b, um gigante gasoso situado a 63 anos-luz do Sistema Solar. A observação inédita permitiu mensurar pela primeira vez a força magnética de um corpo planetário fora da órbita do Sol, revelando uma intensidade mínima de 1.250 gauss na área onde a radiação é gerada, patamar cerca de 2.500 vezes superior ao registrado na superfície da Terra.

O estudo científico detalhando a descoberta foi submetido em 15 de setembro de 2026 ao repositório digital arXiv pelos astrofísicos Kevin N. Ortiz Ceballos e Edo Berger, ambos ligados ao Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian, em conjunto com a professora assistente Yvette Cendes, da Universidade de Oregon. Segundo Cendes, em tradução livre sobre a natureza do sinal, quando as pessoas veem sinal de rádio de um exoplaneta, pensam em alienígenas, mas não são alienígenas.

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Sinais de rádio de Beta Pictoris b captados na África do Sul

As medições que comprovaram a origem do fenômeno foram executadas pelo conjunto de radiotelescópios MeerKAT, instalado na província de Cabo Setentrional, na África do Sul. Os astrônomos realizaram quatro baterias de monitoramento entre 2025 e 2026, examinando frequências situadas no intervalo de 0,85 a 3,5 gigahertz. Os dados revelaram rajadas periódicas a cada oito ou nove horas, coincidindo com a rápida rotação do próprio gigante gasoso em torno do seu eixo, além de apresentarem polarização circular de 40% a 70%.

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A estrutura ondulatória espiralada e intermitente decorre da instabilidade máser de ciclotron de elétrons, processo físico que acelera elétrons nas linhas magnéticas superiores da atmosfera gerando radioauroras, de modo semelhante ao que ocorre em Júpiter e nas zonas polares terrestres. Para garantir que a fonte dos pulsos não partia da estrela Beta Pictoris ou do planeta vizinho Beta Pictoris c, a equipe calibrou a posição do alvo usando quasares catalogados na base de dados astrométricos Gaia, alcançando um índice de confiabilidade estatística de 4,4 sigmas. Em tradução livre, Yvette Cendes afirmou que os pesquisadores puderam descartar a estrela e confirmar a origem em um planeta específico.

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Campos magnéticos intensos e a física de Beta Pictoris b

A frequência de corte das emissões registradas pelo MeerKAT forneceu aos cientistas a ferramenta necessária para estipular a força do dínamo interno de Beta Pictoris b. Como a frequência limite detectada bateu no teto de 3,5 gigahertz, o cálculo estabeleceu o valor basal de 1,25 kilogauss para a atmosfera do planeta, cuja massa total equivale a um intervalo de 10 a 12 vezes a massa de Júpiter. Avaliações teóricas complementares descartaram que ventos estelares ou a atração gravitacional com luas desconhecidas pudessem suprir a energia necessária sem a presença de um campo magnético tão robusto.

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A constatação marca um ponto de virada nos métodos de análise da astrofísica observacional. Até então, a presença de escudos magnéticos ao redor de corpos fora do Sistema Solar era calculada apenas por modelos teóricos indiretos, fundamentais para estimar como as atmosferas planetárias resistem à erosão provocada pela radiação emitida por suas estrelas hospedeiras.

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Histórico de buscas astronômicas no sistema Beta Pictoris

  • 2008 — Descoberta de Beta Pictoris b por meio de imagem direta captada pelo Very Large Telescope no Observatório Europeu do Sul.
  • 2022 — Varredura com o observatório Very Large Array tenta encontrar emissões de rádio planetárias, mas termina sem sinais detectados.
  • 2024 — Monitoramento focado em frequências baixas de 250 a 500 megahertz não encontra respostas no sistema estelar.
  • 2026 — Pesquisa com o telescópio MeerKAT registra emissões em alta frequência e confirma campo magnético de 1.250 gauss.

Próximos passos e validação do estudo de Beta Pictoris b

O astrônomo Joe Callingham, da Universidade de Amsterdã, que avaliou a descoberta de maneira independente, comentou que o resultado representará um avanço expressivo caso receba validação integral dos revisores. Em tradução livre, o pesquisador declarou que este resultado, se sustentado na revisão por pares, é um avanço incrivelmente empolgante e fantástico.

O artigo acadêmico depositado no arXiv aguarda a conclusão da revisão formal por pares para publicação definitiva em periódico da área. Paralelamente, o grupo de astrofísicos iniciou a preparação de observações direcionadas a outros sete gigantes gasosos distribuídos por cinco sistemas planetários próximos, aproveitando o planejamento de futuras redes de rádio que devem multiplicar a sensibilidade dos instrumentos entre cinco e sete vezes.