Fitas da Apollo 11 compradas em leilão da Nasa alcançam US$ 1,82 milhão
Três fitas magnéticas com as filmagens originais da caminhada lunar da missão Apollo 11, compradas em 1976 por US$ 217,77, renderam US$ 1,82 milhão ao engenheiro mecânico aposentado Gary George. O material foi leiloado pela Sotheby’s, em Nova York, após permanecer sob a posse do antigo estagiário do Centro Espacial Johnson da Nasa por mais de três décadas.
A comercialização dos registros em primeira geração da chegada do homem à Lua ocorreu em 20 de julho de 2019, marco de 50 anos da missão espacial, e voltou a circular com repercussão internacional em setembro de 2026. Gary George havia adquirido as bobinas em um leilão de excedentes governamentais com a intenção inicial de revendê-las virgens para redes regionais de televisão.
A compra de 1.150 fitas na Base Aérea de Ellington em 1976
Em junho de 1976, Gary George era estudante de engenharia e estagiava na agência espacial norte-americana quando decidiu participar de uma concorrência pública de descarte de bens na Base Aérea de Ellington, no Texas. Na ocasião, o jovem arrematou um lote inteiro composto por aproximadamente 1.150 rolos de fita magnética pelo valor total de US$ 217,77.
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O objetivo comercial do estudante era obter lucro com a venda das peças para canais de televisão locais que reutilizavam mídias para novas gravações. Naquele período, um único rolo virgem de fita de vídeo da marca Ampex custava cerca de US$ 260 nas lojas especializadas.
“Eu não tinha ideia de que havia algo de valor nelas. Eu as estava vendendo para emissoras de TV apenas para que gravassem por cima”, afirmou Gary George em entrevista à Reuters, em tradução livre.
O conselho paterno e a identificação do lote da Apollo 11
O plano de reciclagem do material sofreu uma mudança após o pai de Gary George inspecionar as embalagens do lote adquirido na base militar. Ao separar as caixas, ele identificou três fitas rotuladas com a inscrição “APOLLO 11 EVA”, sigla em inglês para atividade extraveicular, referência direta à operação executada pelos astronautas na superfície da Lua.
Com base nessa anotação técnica, o pai orientou o filho a não repassar essas três unidades adiante e a mantê-las sob custódia particular. O engenheiro preservou os rolos ao longo das mudanças de residência que realizou pelos Estados Unidos durante os 32 anos seguintes.
“Ele gostava muito do programa espacial e disse: ‘Acho que guardaria essas. Elas podem ser valiosas algum dia’. Então, por esse motivo, eu as retirei e as carreguei pelo país pelos 43 anos seguintes. Foi assim que elas sobreviveram”, declarou George, em tradução livre.
A missão Apollo 11, em 1969, foi a histórica missão que levou astronautas à Lua pela primeira vez. Já a missão Apollo 17, em 1972, marcou a última vez que humanos estiveram na Lua.
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A perda das gravações pela Nasa e a redescoberta em 2008
Em 15 de agosto de 2006, a Nasa admitiu formalmente ao público que havia perdido os arquivos originais em vídeo de alta qualidade com a telemetria do pouso da Apollo 11. O órgão espacial confirmou que, durante um período de escassez e corte de custos na década de 1980, as matrizes guardadas pelo governo foram desmagnetizadas, apagadas e reaproveitadas para registrar novas missões orbitais.
A existência dos registros em poder do ex-estagiário veio à tona somente em 2008, durante uma viagem de férias em que George conversava com um amigo em atividade no Centro Espacial Johnson. O funcionário comentou que a agência tentava localizar desesperadamente cópias primárias das imagens para as celebrações do aniversário de 40 anos da chegada à Lua.
“Com toda a franqueza, eu estava sentado à mesa tomando uma cerveja e disse: ‘Bem, caramba, eu tenho essas fitas'”, relembrou o proprietário, em tradução livre.
Após a constatação, George encaminhou as três mídias para um estúdio especializado para executar a primeira leitura técnica e a conversão digital de todo o material preservado.
A superioridade técnica das gravações em fita Quadruplex
As mídias guardadas por George são fitas do tipo Quadruplex de 2 polegadas, padrão industrial de radiodifusão da década de 1960. O conteúdo reúne o registro bruto recebido diretamente pelas antenas em Houston, no Texas, no domingo, 20 de julho de 1969, captando a transmissão direta da superfície lunar.
O sinal exibido pelas redes de televisão à época sofreu degradações óticas, pois passou por conversores de varredura analógica e redes de torres de micro-ondas antes de alcançar as residências. As fitas de Gary George continham imagens de primeira geração, apresentando níveis de contraste e nitidez visual superiores aos arquivos sobreviventes nas emissoras de comunicação.
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O registro audiovisual bruto documenta os primeiros passos de Neil Armstrong, a descida de Buzz Aldrin pelo módulo lunar Eagle, a instalação da bandeira norte-americana em solo extraterrestre e a chamada telefônica realizada pelo então presidente Richard Nixon com a tripulação.
Cronologia e dados da trajetória das fitas da Apollo 11
- 20 de julho de 1969: astronautas da Apollo 11 realizam a primeira caminhada na Lua e o sinal é gravado em primeira geração em Houston.
- Junho de 1976: Gary George adquire 1.150 bobinas por US$ 217,77 em um leilão de excedentes na Base Aérea de Ellington.
- 15 de agosto de 2006: Nasa confirma que perdeu suas fitas originais com dados de alta qualidade após reutilização interna nos anos 1980.
- 2008: George toma conhecimento das buscas governamentais e digitaliza as fitas após 32 anos de armazenamento particular.
- 20 de julho de 2019: casa de leilões Sotheby’s vende os três rolos e suas cópias digitais por US$ 1,82 milhão no cinquentenário do pouso lunar.
- 2 horas e 24 minutos: tempo total de exibição contínua do vídeo não restaurado contido nas mídias vendidas, descrito em catálogos do leilão.
O leilão na Sotheby’s e a situação do material
A venda pública foi conduzida pela Sotheby’s em Nova York no sábado, 20 de julho de 2019. O lote foi negociado com as três bobinas magnéticas Quadruplex e um disco rígido moderno que continha a digitalização completa de todas as cenas registradas no formato analógico.
Houve divergência nas coberturas informativas gerais quanto à metragem temporal das fitas, com notícias apontando cerca de duas horas e meia de filmagem, enquanto o detalhamento do catálogo da casa leiloeira registrou exatamente 2 horas e 24 minutos de duração.
A identidade do comprador responsável pelo lance vencedor de US$ 1,82 milhão permanece sem divulgação, já que o arrematante optou por manter o sigilo de seus dados cadastrais perante a organização do evento.

