Crise das bets: Governo de Minas socorre Atlético, Cruzeiro e América com R$ 32 milhões

Governo de Minas anuncia patrocínio a Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG - GloboGoverno de Minas anuncia patrocínio a Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG - Globo

Governo de Minas anuncia patrocínio a Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG - Globo

O Governo de Minas Gerais confirmou a liberação de R$ 32 milhões em patrocínios de estatais para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG nesta terça-feira (29). O pacote financeiro foi estruturado para amenizar as perdas das equipes da capital após a decisão do Governo Federal que determinou a interrupção das atividades de casas de apostas esportivas em território nacional.

O governador Mateus Simões formalizou a proposta em reunião com dirigentes dos três clubes em Belo Horizonte e detalhou a divisão dos repasses públicos. “É um ato de responsabilidade com o futebol de Minas Gerais, um ato de responsabilidade com as torcidas. Os contratos serão assinados nos próximos dias. Serão 15 milhões de reais para o Atlético, 15 milhões de reais para o Cruzeiro e 2 milhões de reais para o América”, declarou o governador.

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Valores da divisão de R$ 32 milhões entre os clubes

A partilha do montante total considera a dimensão das folhas de pagamento e o porte das agremiações no cenário esportivo brasileiro. Atlético-MG e Cruzeiro ficarão com as maiores parcelas, enquanto o América-MG terá uma cota proporcional para a manutenção das suas atividades operacionais ao longo da temporada de 2026.

  • Atlético-MG: R$ 15 milhões
  • Cruzeiro: R$ 15 milhões
  • América-MG: R$ 2 milhões

O encontro contou com a presença de Pedro Lourenço, proprietário da SAF do Cruzeiro, Renato Salvador, acionista e conselheiro da SAF do Atlético-MG, e Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão do América-MG. Os dirigentes apresentaram o panorama orçamentário imediato das instituições diante da perda repentina das receitas que vinham sendo pagas pelas empresas de apostas.

Cemig e Codemge financiam apoio ao futebol da capital

Os recursos financeiros sairão dos orçamentos de comunicação e publicidade de duas companhias públicas controladas pelo estado: a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e a Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais). A entrada das marcas estatais busca preencher lacunas comerciais urgentes nos uniformes dos times de futebol.

Em sua manifestação sobre a medida de socorro econômico, Mateus Simões defendeu a preservação da estrutura do esporte mineiro. “O futebol de Minas é muito maior que as bets. E a parte que o estado pode fazer nesse momento é sair, não vou dizer socorro, não, com apoio a essas nossas grandes torcidas que estão sendo imediatamente prejudicadas”, afirmou o chefe do Executivo estadual.

Como contrapartida social obrigatória para receber o dinheiro público, os clubes participantes deverão aplicar recursos diretamente no fortalecimento do futebol feminino e garantir cotas de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda em jogos oficiais ao longo do ano.

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Impacto da MP 1.394 sobre os contratos de patrocínio máster

A intervenção financeira das estatais mineiras ocorre na esteira da Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada na sexta-feira (25) pelo Governo Federal. O ato assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e anunciado com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, vetou a exploração e a veiculação de publicidade de apostas de quota fixa, obrigando a rescisão imediata dos acordos em vigor.

Antes do decreto do Governo Federal, o Atlético-MG contava com patrocínio da H2Bet, e o Cruzeiro mantinha parceria com a Betnacional, vínculos máster que figuravam entre as principais receitas de patrocínio das duas equipes. O aporte oferecido pelo estado cobre cerca de um terço do que os times recebiam anteriormente do segmento de apostas, amenizando parte do déficit contábil recente.

Prazos do encerramento das plataformas de apostas no país

A legislação federal estabeleceu um cronograma estrito para a descontinuação definitiva do setor de palpites no país. As datas determinam desde a retirada do saldo mantido pelos clientes até o encerramento do acesso técnico às plataformas digitais:

  • Segunda-feira, 5 de outubro de 2026, às 23h59: término do prazo para retirada voluntária dos recursos mantidos por apostadores nos sistemas
  • Terça-feira, 6 de outubro de 2026, à 00h00: início do bloqueio técnico e desativação total de sites e aplicativos de apostas no Brasil
  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026: abertura da devolução bancária compulsória dos saldos remanescentes a apostadores, com operações até 14 de outubro de 2026

Definições pendentes e conversas com times do interior

O Governo de Minas Gerais planeja abrir conversas com o Athletic, de São João del-Rei, e o Uberlândia para avaliar a inclusão de equipes do interior no plano de incentivo esportivo estadual. Os valores que poderão ser destinados a esses dois times ainda não foram divulgados pela administração mineira.

A posição exata das logomarcas da Cemig e da Codemge nos uniformes das equipes da capital também depende de validação jurídica e negociação técnica. A equipe de gestão analisa a aplicação das marcas nas mangas, omoplatas, costas ou na cota principal da camisa de forma temporária para evitar atritos com patrocinadores privados vigentes.