Após fim de acordos com bets, Governo de Minas destina R$ 32 milhões a Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG
O Governo de Minas Gerais anunciou um aporte de R$ 32 milhões para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG por meio de patrocínios de estatais. O montante visa amortecer o impacto financeiro provocado pela Medida Provisória federal que determinou o encerramento do funcionamento das casas de apostas de quota fixa e cassinos online no território nacional.
A divulgação do apoio financeiro ocorreu na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em Belo Horizonte, em reunião com dirigentes dos três times da capital mineira. O governador Mateus Simões explicou que o estado decidiu atuar para resguardar o setor esportivo local. “O futebol de Minas é muito maior que as bets. E a parte que o estado pode fazer nesse momento é sair, não vou dizer socorro, não, com apoio a essas nossas grandes torcidas que estão sendo imediatamente prejudicadas”, afirmou o chefe do Executivo.
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Valores e critérios do patrocínio do Governo de Minas Gerais
Os recursos financeiros do pacote serão distribuídos em cotas anuais com verbas de publicidade da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Para calcular o montante repassado, a gestão estadual considerou referências históricas de contratos anteriores da Cemig com equipes locais até o ano de 2015, além do modelo de patrocínio adotado pelo Banrisul no Rio Grande do Sul com Grêmio e Internacional. A cifra estatal representa cerca de um terço do que os times arrecadavam com as marcas de apostas que ocupavam o espaço máster dos uniformes.
O anúncio na sede do banco de fomento reuniu o acionista majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro, Pedro Lourenço, o membro do conselho de administração e acionista da SAF do Atlético-MG, Renato Salvador, e o coordenador de gestão da SAF do América-MG, Marcus Salum.
- Atlético-MG: R$ 15 milhões em contrato anual
- Cruzeiro: R$ 15 milhões em contrato anual
- América-MG: R$ 2 milhões em contrato anual
- Empresas estatais envolvidas: Cemig e Codemge
- Contrapartidas obrigatórias: investimento no futebol feminino e ingressos para estudantes de baixa renda
- Local do anúncio: sede do BDMG, em Belo Horizonte
- Data do comunicado oficial: 29 de setembro de 2026
Prazos da Medida Provisória e retirada de patrocínios de apostas
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A entrada das empresas públicas acontece em razão das exigências impostas pela legislação federal recém-publicada. As equipes de futebol do país precisam remover as marcas vinculadas a apostas esportivas de uniformes, placas de publicidade e demais canais institucionais até as 23h59 de segunda-feira, 5 de outubro de 2026. A determinação é o passo que antecede o bloqueio digital completo do setor.
A partir de terça-feira, 6 de outubro de 2026, todos os sites e aplicativos de apostas serão desativados e bloqueados em território brasileiro. Diante desse calendário imediato de rescisões involuntárias nos contratos privados, a administração estadual estruturou os acordos que serão formalizados nos próximos dias para garantir a entrada de receitas aos cofres dos clubes.
Negociações com clubes do interior e espaço nas camisas
Além da capital, a política de apoio desportivo pode contemplar outras regiões do estado. O governo estadual mantém conversas em andamento para formalizar contratos de menor porte com o Athletic Club, de São João del-Rei, e com o Uberlândia. Os valores exatos que serão oferecidos a essas duas agremiações do interior ainda não foram definidos pelas estatais.
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A aplicação visual das marcas da Cemig e da Codemge também permanece pendente de conclusão. As posições exatas dos logotipos nas camisas de jogo de Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG serão alinhadas de forma individual entre a administração pública e os departamentos comerciais de cada clube. A negociação busca evitar a sobreposição de marcas ou conflitos com acordos de outros patrocinadores que já estão em vigor nos uniformes.
Mateus Simões rebate críticas sobre destinação de verba pública
A liberação de recursos estatais gerou questionamentos em setores da oposição política e em redes sociais sobre as prioridades no uso do dinheiro público. Em resposta às contestações, o governador Mateus Simões publicou um vídeo para esclarecer a origem dos valores empregados na operação desportiva.
“Quero deixar alguns pontos bem claros, gente. Primeiro, zero dinheiro da saúde e da educação, não tem nem um centavo das áreas sociais entre o futebol, a lei não permite isso”, declarou o governador. Mateus Simões ressaltou que as despesas são custeadas pelos orçamentos próprios de publicidade institucional das estatais Cemig e Codemge, sem remanejamento de verbas orçamentárias vinculadas a serviços públicos essenciais do estado.
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Como contrapartida social e esportiva pelo investimento das empresas públicas, os contratos preveem a aplicação de verba direta no futebol feminino e a distribuição gratuita de ingressos em partidas selecionadas para estudantes de baixa renda da rede pública.
A assinatura dos termos de patrocínio entre as diretorias dos três clubes da capital e os representantes das estatais mineiras está agendada para ocorrer nos próximos dias.
