São Paulo atrasa direitos de imagem e chega a quatro meses de dívida

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Camisa do São Paulo - x/SaoPauloFC Foto: Camisa do São Paulo - x/SaoPauloFC

O São Paulo deixou de pagar a parcela dos direitos de imagem que venceu na segunda-feira (28), completando quatro meses consecutivos de inadimplência com a maior parte do elenco profissional. O clube não honrou os repasses referentes a junho, julho, agosto e setembro de 2026, além de suspender a parcela mensal de um acordo anterior firmado para liquidar pendências financeiras herdadas do ano passado.

A diretoria são-paulina também enfrenta situações individuais mais severas dentro do grupo de atletas, com contratos específicos que já registram seis meses de direitos de imagem represados. Em posicionamento sobre o momento financeiro e as cobranças internas, o São Paulo declarou ver “a questão do contrato com a Ticketmaster estar sendo tratada como algo político e eleitoreiro”, enquanto busca soluções imediatas de caixa.

Dívida de R$ 1 bilhão e quebra de acordo com o elenco

No início de 2026, logo após assumir o mandato executivo, o presidente da diretoria executiva, Harry Massis Júnior, estabeleceu um compromisso público e direto com os jogadores para encerrar o modelo de gestão anterior. Durante a administração do ex-presidente Julio Casares, a praxe administrativa adotada postergava com frequência o pagamento dos direitos de imagem em 30 dias. Para reorganizar o fluxo, a nova gestão combinou pagar o calendário corrente rigorosamente em dia e parcelar as dívidas deixadas de 2025 em dez vezes, meta agora interrompida com o novo calote na parcela de setembro.

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O quadro de restrição financeira do clube se aprofundou nas últimas semanas e atingiu patamar inédito no início de setembro de 2026. Pela primeira vez na gestão de Harry Massis Júnior, o São Paulo atrasou os salários registrados em carteira de trabalho (CLT) relativos a agosto, quitando os valores dos jogadores com três dias de atraso. O cenário reflete a pressão do endividamento global da instituição, que atingiu o patamar histórico de R$ 1 bilhão e reduziu a margem para manobras orçamentárias de curto prazo.

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Como a parceria com a Ticketmaster pode socorrer o São Paulo?

A direção tricolor aposta na aprovação de uma parceria de longo prazo com a Ticketmaster, empresa escolhida para substituir a Total Acesso no sistema de venda de ingressos do Morumbis a partir de 2027. O contrato desenhado prevê a entrada de R$ 140 milhões aos cofres são-paulinos, divididos em duas operações comerciais distintas. A principal fatia, de R$ 110 milhões, consiste em um adiantamento de receitas de bilheteria formatado como mútuo financeiro, com quitação prevista em cinco anos e juros atrelados ao CDI mais 1,99%. O restante da receita, avaliado em R$ 30 milhões, corresponde à exploração do Camarote 29A do estádio.

Para destravar o recurso financeiro, o projeto foi enviado para deliberação extraordinária dos conselheiros do clube, conduzida pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior. A votação híbrida teve início às 22h de terça-feira (29) e segue aberta até as 17h de quarta-feira (30). O regulamento interno exige o apoio de dois terços do colegiado são-paulino, o que representa a necessidade de 171 votos favoráveis para a validação imediata do contrato comercial.

Detalhes da negociação financeira e próximos passos no Morumbis

  • Operação financeira: adiantamento de R$ 110 milhões em mútuo com prazo de cinco anos e taxa de juros de CDI mais 1,99%
  • Comercialização de espaço: R$ 30 milhões referentes aos direitos de exploração do Camarote 29A
  • Quórum no Conselho Deliberativo: exigência de 171 votos de conselheiros para homologação do contrato
  • Próximo jogo: São Paulo x Santos, sexta-feira (2), às 20h, no Morumbis, em duelo atrasado da 21ª rodada do Campeonato Brasileiro
  • Sequência da tabela: Cruzeiro x São Paulo, quarta-feira, 7 de outubro de 2026, às 21h30, no Mineirão, pela 29ª rodada nacional

Ainda não há confirmação de que os 171 votos necessários para a homologação do contrato serão obtidos na apuração que se encerra às 17h de quarta-feira (30). Caso a proposta passe pelo plenário do Conselho Deliberativo, a diretoria projeta utilizar o capital para quitar as pendências salariais com os atletas até 6 de outubro, embora a data exata da liberação e entrada dos recursos na conta bancária do clube permaneça indefinida.

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