Astrônomos registram pela primeira vez a formação direta do planeta WISPIT 2b

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Exoplaneta NGTS-38 b - Reporudção/Nasa Foto: Exoplaneta NGTS-38 b - Reporudção/Nasa

O protoplaneta gigante gasoso WISPIT 2b teve sua interação direta com redemoinhos de gás registrada de forma inédita e completa por uma equipe internacional de astrônomos liderada por Myriam Benisty. A captação ocorreu por meio do radiotelescópio ALMA, localizado no planalto de Chajnantor, no deserto do Atacama, no Chile, e os resultados científicos foram divulgados na quinta-feira (24).

WISPIT 2b se tornou o único planeta em formação conhecido onde a ciência conseguiu observar em conjunto o disco de poeira, o corpo planetário em crescimento, a taxa contínua de atração de matéria e o fluxo dinâmico dos gases vizinhos. Em declaração divulgada pela equipe, em tradução livre, Myriam Benisty, diretora do departamento de Formação Planetária e Exoplanetas do Instituto Max Planck de Astronomia, afirmou: “Vemos claramente ambos os planetas moldando seu ambiente. WISPIT 2c esculpiu uma cavidade, e WISPIT 2b, uma abertura. Em torno de WISPIT 2b, encontramos redemoinhos de gás que haviam sido previstos por simulações de interações entre disco e planeta, mas nunca vistos antes de verdade. Agora há uma imagem deles!”.

Dados observacionais do sistema WISPIT 2 no deserto do Atacama

  • Local de captação: observatório ALMA, no planalto de Chajnantor, deserto do Atacama, Chile
  • Equipamento: arranjo astronômico composto por 66 antenas de rádio de alta resolução
  • Distância do sistema em relação à Terra: entre 430 e 437 anos-luz, na direção da constelação de Aquila
  • Idade estimada das estrelas e do disco: entre 5 e 5,4 milhões de anos
  • Massa e órbita de WISPIT 2b: entre 4,9 e 5 massas de Júpiter, situado entre 57 e 60 unidades astronômicas do par central
  • Massa e órbita de WISPIT 2c: entre 8 e 12 massas de Júpiter, situado entre 14 e 15 unidades astronômicas do par central

Radiotelescópio ALMA comprova a rotação do gás ao redor de WISPIT 2b

As 66 antenas do radiotelescópio ALMA foram mobilizadas em configurações de longo alcance para medir a emissão de monóxido de carbono no disco. Essa técnica revelou um desvio para o azul de um lado da estrutura e um desvio para o vermelho do lado oposto. Essa variação física comprova o movimento circular de rotação do gás enquanto ele é puxado pela gravidade do gigante gasoso, validando modelos matemáticos teóricos que até então existiam apenas em computadores.

O proponente das observações com a rede no Chile, Stefano Facchini, professor e astrônomo da Universidade de Milão, explicou a relevância do registro para as pesquisas astronômicas ao redor do mundo. Em declaração traduzida livremente, Facchini afirmou: “Esperamos que observações como esta ensinem os astrônomos a distinguir entre características do disco que indicam a presença de um protoplaneta e características que não indicam”. O pesquisador destacou que turbulências gasosas comuns em discos jovens muitas vezes se parecem com redemoinhos gerados por novos mundos.

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Diferenças estruturais entre o sistema PDS 70 e o sistema WISPIT 2

A captação estabelece um novo marco comparativo para a astrofísica observacional. Até a divulgação dos dados de WISPIT 2, o único outro sistema confirmado com corpos flagrados diretamente dentro de um berçário estelar era o PDS 70. Naquele sistema, a astrônoma Miriam Keppler, também do Instituto Max Planck de Astronomia, liderou a detecção pioneira de PDS 70b em 2018 com o instrumento SPHERE instalado no Very Large Telescope, no Chile. Contudo, os planetas do sistema PDS 70 já tinham limpado quase todo o gás residual das suas redondezas, o que impedia os cientistas de visualizarem o processo físico de alimentação do planeta em tempo real.

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O sistema WISPIT 2, cujo nome tem origem na pesquisa astronômica WIde Separation Planets In Time focada em gigantes gasosos com grande separação orbital, revelou também uma dinâmica estelar complexa em seu interior. Em vez de uma estrela solitária parecida com o Sol, o centro é ocupado por um par binário espectroscópico muito próximo, cujas duas estrelas completam uma volta mútua a cada 4,8 dias, conforme estudo conduzido pelo pesquisador Cade J. Bürgy.

Etapas de identificação e confirmação dos planetas de WISPIT 2

  • 25 de agosto de 2025 — Anúncio oficial da descoberta do sistema estelar e do protoplaneta WISPIT 2b pela pesquisadora Richelle van Capelleveen e colaboradores
  • 1 de setembro de 2025 — Início formal da campanha de registros em altíssima resolução com as antenas do observatório ALMA
  • 24 de março de 2026 — Confirmação e publicação da existência do segundo corpo gasoso interno, WISPIT 2c, sob liderança de Chloe Lawlor
  • 24 de julho de 2026 — Submissão do artigo assinado por Cade J. Bürgy comprovando que o núcleo de WISPIT 2 é formado por uma estrela binária espectroscópica
  • 4 de setembro de 2026 — Disponibilização pública do estudo analítico com os dados do ALMA liderado por Myriam Benisty na plataforma científica arXiv
  • 24 de setembro de 2026 — Apresentação internacional dos resultados finais que atestam os redemoinhos de gás em torno de WISPIT 2b

Pesquisadores investigam possível terceiro planeta nas bordas de WISPIT 2

Embora WISPIT 2c e WISPIT 2b estejam formalmente caracterizados, a dinâmica total do disco ainda guarda pontos não esclarecidos. Os dados do ALMA detectaram uma terceira cavidade em formato de anel nas regiões mais externas do material circundante. Os pesquisadores apontam que essa abertura adicional pode ter sido provocada por um terceiro planeta gigante distante, mas a existência desse corpo ainda não foi confirmada por imagem direta.

O próximo passo das equipes envolve novas observações planejadas para instalações de sensibilidade ampliada, incluindo futuras atualizações no próprio arranjo ALMA e a entrada em operação do Extremely Large Telescope de 39 metros, construído pelo Observatório Europeu do Sul no Chile. Os cientistas pretendem determinar a composição química precisa dos gases capturados por WISPIT 2b e rastrear se a cavidade externa abriga novos corpos em crescimento.

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