Ex-gerente do Santander suspeita de desvio de R$ 2 milhões em Miguelópolis alega vício em apostas
A ex-gerente do Santander Vanessa Gonçalves Miranda, presa sob suspeita de desviar mais de R$ 2 milhões de correntistas em Miguelópolis, no interior de São Paulo, sofre de ludopatia ligada a apostas virtuais conhecidas como jogo do tigrinho, além de depressão e síndrome de burnout, segundo informou sua defesa. A bancária e o companheiro dela, o cirurgião-dentista Adilson Coelho de Paula, foram detidos preventivamente pela Polícia Civil por furto qualificado mediante abuso de confiança contra idosos e vulneráveis e por suspeita de lavagem de dinheiro.
O advogado Laudemiro Neto, responsável pela defesa da ex-gerente, sustentou que o quadro de saúde mental se agravou durante o período de trabalho na agência bancária. “Ela tem 12 anos de banco, e somente depois de 10 anos que ocorreu esse problema? Durante 10 anos ela dedicou sua vida ao banco, ficou doente e veio passar por esses problemas”, declarou o defensor.
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Desvios no Santander e esquema de repasses a casas de apostas
A apuração da Polícia Civil e da Justiça aponta que a ex-gerente atuou de forma continuada entre 2024 e 2026 realizando saques indevidos, contratação de empréstimos fraudulentos e resgates não autorizados de aplicações financeiras pertencentes a clientes da agência de Miguelópolis. O inquérito policial foi aberto depois que correntistas procuraram a delegacia para formalizar queixas sobre transações bancárias e transferências atípicas executadas sem autorização prévia.
De acordo com os investigadores, o dinheiro subtraído dos correntistas era pulverizado em contas de terceiros e transferido para plataformas de apostas eletrônicas. A estrutura tinha o objetivo de ocultar a origem dos valores para tentar reinseri-los na economia formal. A decisão judicial de prisão destacou que Vanessa continuou movimentando recursos mesmo após ser desligada funcionalmente do banco, com apoio do companheiro, que recebia valores e os transferia para contas pessoais e empresariais.
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Dados da investigação sobre o caso em Miguelópolis
- Local da apuração: agência bancária em Miguelópolis e comarca judiciária local
- Data das prisões preventivas: segunda-feira, 28 de setembro de 2026
- Tempo de trabalho da investigada na unidade: 12 anos
- Prejuízo apurado pela Polícia Civil: R$ 2.000.000,00 calculados a partir das queixas iniciais
- Patamar mínimo fixado na ordem de prisão: R$ 2.100.000,00 em desvios identificados pela Justiça
- Destino de Adilson Coelho de Paula: Centro de Detenção Provisória de Franca
Idosa perdeu R$ 300 mil em aplicação e paga parcelas de empréstimo
Entre os casos analisados no inquérito está o de uma aposentada de 78 anos que teve cerca de R$ 300.000,00 retirados de sua conta no banco. A vítima descobriu que o saldo financeiro havia sido zerado após passar por uma cirurgia de transplante de córnea. Além de perder as reservas acumuladas, a aposentada teve parcelas de um empréstimo não reconhecido descontadas diretamente de seu benefício previdenciário, restando-lhe R$ 1 mil por mês para custear despesas básicas.
Existe divergência sobre a reparação financeira às vítimas. O Banco Santander afirmou que nenhum cliente sofreu prejuízo financeiro e declarou dispor de mecanismos de monitoramento para frear fraudes internas. Em contrapartida, a Polícia Civil registrou que, até terça-feira (29), as vítimas que registraram boletins de ocorrência não haviam recebido qualquer ressarcimento dos valores subtraídos.
Situação prisional dos investigados e perícia de laudos
Adilson Coelho de Paula passou por audiência de custódia na terça-feira (29), teve a ordem de prisão preventiva mantida pelo Poder Judiciário e seguiu sob escolta policial para o Centro de Detenção Provisória de Franca. Vanessa permanece sob custódia do sistema prisional à disposição das autoridades policiais e judiciais do estado de São Paulo.
A data exata em que Vanessa Miranda teria recebido o diagnóstico formal de ludopatia, depressão e burnout não foi detalhada pela defesa, e os laudos médicos e psiquiátricos citados pelo advogado não foram anexados para verificação pública até o momento. A Polícia Civil mantém a análise pericial sobre os extratos bancários e os computadores apreendidos na residência do casal.
