Prefeitura de SP cassa licença de taxista que cobrou R$ 30 mil de turista argentino

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Torcedor argentino paga R$ 30 em táxi - Reprodução Foto: Torcedor argentino paga R$ 30 em táxi - Reprodução

O Departamento de Transportes Públicos da Prefeitura de São Paulo cancelou o registro de condutor do taxista Marcos Oliveira de Morais e apreendeu o veículo utilizado pelo motorista. A medida administrativa foi tomada após o profissional ser indiciado pela Polícia Civil por estelionato eletrônico ao debitar R$ 30.350,00 de um turista argentino por uma corrida cujo valor original era de R$ 30,75.

O caso ocorreu na capital paulista e envolveu a fiscalização municipal e a Polícia Militar durante uma blitz de rotina. “O táxi envolvido no caso foi apreendido, e o taxista teve o Condutax (Cadastro Municipal de Condutores de Táxi) cancelado”, informou a Prefeitura de São Paulo em comunicado oficial emitido nesta terça-feira (29).

Marcos Oliveira de Morais alega engano sobre valor debitado

Taxista,Taxí
Foto: Taxista,Taxí -kodda/shutterstock.com

Durante o interrogatório conduzido pelas autoridades policiais, Marcos Oliveira de Morais sustentou que imaginou que a quantia transferida para a sua conta bancária se tratava de uma gorjeta voluntária ou de uma doação financeira. Ele afirmou em depoimento que utilizou R$ 19.000,00 do montante total para quitar dívidas pessoais acumuladas e declarou que não dispunha de condições para efetuar a devolução integral imediata do saldo restante aos passageiros.

Diante da impossibilidade de ressarcimento imediato de todo o montante, o motorista propôs à polícia e à vítima pagar parcelas mensais de R$ 1.000,00 até liquidar a diferença pendente. Antes da formalização da proposta de parcelamento, o condutor restituiu R$ 11.700,00 ao torcedor argentino, quantia que foi recuperada pelas autoridades e repassada ao visitante estrangeiro que registrou a ocorrência policial.

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A versão apresentada pelo motorista foi rebatida pelos responsáveis pela apuração criminal na capital paulista. “Nosso entendimento é má-fé mesmo do motorista”, afirmou o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista, Luiz Alberto Guerra, órgão vinculado ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas da Polícia Civil.

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Como a cobrança de R$ 30 mil ocorreu no trajeto até o museu?

A corrida foi realizada no dia 15 de setembro de 2026, por volta de 11h30, partindo do bairro do Morumbi em direção ao Museu do Futebol, localizado na praça Charles Miller, no Pacaembu. O trajeto de aproximadamente 14 quilômetros foi contratado por um torcedor do Boca Juniors que viajou da Argentina acompanhado pelo filho para assistir à partida contra o São Paulo, válida pela Copa Sul-Americana de futebol.

Ao término do percurso, o passageiro efetuou o pagamento por meio eletrônico e constatou a cobrança indevida logo após o encerramento da viagem. “Ele me deu uma máquina, e eu digitei R$ 30,75. Depois, apareceu uma compra de R$ 30.350. Não errei o número nem fiz doação a ele. Eu fiz uma transação de R$ 30, eu não coloquei R$ 30 mil a mais. Não é possível”, relatou a vítima aos policiais da delegacia especializada.

A apuração policial apontou ainda que o automóvel utilizado no transporte de passageiros pertencia a uma empresa administradora de frota e apresentava pendências. O verdadeiro proprietário do veículo já havia registrado um boletim de ocorrência contra Marcos Oliveira de Morais comunicando a recusa do condutor em devolver o carro após notificações prévias.

Valores apurados pela Polícia Civil e restituídos à vítima

O inquérito policial detalhou as movimentações financeiras declaradas pelas partes envolvidas na transação eletrônica:

  • R$ 30.350,00: valor total debitado eletronicamente da conta do passageiro argentino;
  • R$ 30,75: preço original e registrado para a corrida de 14 quilômetros;
  • R$ 19.000,00: montante que o motorista declarou ter utilizado no pagamento de dívidas pessoais;
  • R$ 11.700,00: quantia recuperada e efetivamente restituída à vítima na delegacia;
  • R$ 1.000,00: valor mensal oferecido pelo taxista para pagar o restante da dívida.

Datas das investigações e próximos passos do processo

A cronologia do caso envolve registros oficiais da administração municipal, da polícia e do calendário de eventos do visitante no país:

  • 15 de setembro de 2026: realização da corrida entre o Morumbi e o Pacaembu e registro do débito indevido;
  • 29 de setembro de 2026: divulgação da apreensão do automóvel e do cancelamento oficial do Condutax pela prefeitura;
  • 20 de outubro de 2026: data da partida entre Vasco e Boca Juniors pela Copa Sul-Americana, ocasião em que o turista planeja retornar ao Brasil.

Situação jurídica do motorista e andamento do inquérito policial

A abordagem ao taxista ocorreu durante uma fiscalização de trânsito realizada pela Polícia Militar nas ruas da capital paulista. No momento da interceptação, os policiais apreenderam um aparelho celular e a máquina de pagamento que estava em posse de Marcos Oliveira de Morais, encaminhando os dois equipamentos para exames periciais no Instituto de Polícia Técnico-Científica para analisar o histórico de transações.

O condutor foi formally indiciado por estelionato praticado por meio eletrônico e responde ao inquérito policial em liberdade perante a Justiça de São Paulo. A identidade do passageiro estrangeiro não foi divulgada publicamente pelas autoridades policiais a pedido formal do próprio turista, e a defesa técnica de Marcos Oliveira de Morais não foi localizada para apresentar esclarecimentos sobre as medidas administrativas e criminais.

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