Falcon 9 da SpaceX leva à órbita os nanossatélites EduSat-2 e EduSat-3

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SpaceX - Steve Cukrov / Shutterstock.com Foto: SpaceX - Steve Cukrov / Shutterstock.com

Os nanossatélites educacionais EduSat-2 e EduSat-3, desenvolvidos por estudantes da rede pública brasileira, têm lançamento programado a bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX nesta quinta-feira (1). A missão leva ao espaço o trabalho direto de 100 alunos de Sorocaba e Fortaleza, responsáveis pela montagem e pelos objetivos científicos dos equipamentos integrados à carga da missão Transporter-18.

A decolagem ocorre a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, nos Estados Unidos, integrando o programa institucional “AEB – Escola em Órbita”. O projeto consiste em uma parceria entre a empresa Ideia Space e a Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

EduSat-2 e EduSat-3: cronograma da missão Transporter-18 da SpaceX

O plano operacional estruturado para a missão dividiu os horários entre a abertura dos canais oficiais de transmissão e o acionamento dos motores do veículo espacial. O cronograma técnico reservou o início da tarde para os preparativos finais de solo, enquanto a partida da estrutura de propulsão foi estabelecida para a etapa seguinte da janela de voo.

  • Data da operação: 1 de outubro de 2026
  • Local de partida: Base da Força Espacial de Vandenberg, Califórnia, Estados Unidos
  • Veículo transportador: foguete Falcon 9, da SpaceX, na missão compartilhada Transporter-18
  • Horário de início da transmissão oficial: 14h (horário de Brasília)
  • Horário previsto para a decolagem do foguete: 15h18 (horário de Brasília)
  • Instituições organizadoras: Ideia Space e Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTI)

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Atuação dos alunos de Sorocaba e Fortaleza na montagem dos nanossatélites

O projeto técnico reuniu três instituições públicas de ensino distribuídas entre as regiões Sudeste e Nordeste do país para criar aparelhos baseados no padrão PocketQube de nanossatélites miniaturizados, voltados à validação tecnológica em órbita baixa. No interior paulista, 50 estudantes do ensino fundamental II da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, localizada em Sorocaba, definiram a arquitetura do EduSat-2 com foco em demandas territoriais diretas, como a coleta de dados sobre áreas de alagamento urbano e a medição de instabilidades nos sistemas de conectividade local. Paralelamente, em Fortaleza, outros 50 jovens vinculados ao Instituto Federal do Ceará (IFCE) e à Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Professor Paulo Ayrton de Araújo responderam pelas especificações e montagem do EduSat-3.

A preparação dos participantes envolveu rotinas de engenharia de sistemas espaciais, circuitos de eletrônica, programação de placas de bordo e integração de sensores físicos. Os estudantes participaram de todas as fases de construção, simulando procedimentos exigidos por laboratórios da indústria aeroespacial antes de despachar os equipamentos para os testes finais de integração na Califórnia.

Ideia Space e Agência Espacial Brasileira expandem formação técnica

As atividades de qualificação contaram com um cronograma prático executado em etapas sucessivas nas duas cidades atendidas pela iniciativa. Em Sorocaba, os alunos cumpriram uma carga horária de 18 horas de atividades presenciais durante o Curso Avançado de Missões Espaciais, realizado a partir de segunda-feira, 21 de setembro de 2026. Já a equipe cearense iniciou a fase presencial das oficinas na semana de segunda-feira, 28 de setembro de 2026, com foco na integração final dos instrumentos eletrônicos do EduSat-3. O modelo educacional buscou transformar conceitos teóricos de ciências exatas em soluções de engenharia construídas pelos próprios adolescentes.

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“Foi incrível vê-los como protagonistas na construção de tecnologia. Espero que essa seja só a primeira de muitas escolas da região a viver essa experiência”, declarou Matheus Six, sócio-fundador e diretor de produto e educação da Ideia Space.

Kevin, analista de Educação da Ideia Space e professor licenciado em Física, detalhou o processo didático: “Como professor licenciado em Física, sei o quanto experiências práticas podem abrir novos horizontes para os alunos. Eles pesquisam, questionam, trazem ideias próprias e descobrem, na prática, tudo o que a tecnologia e a exploração espacial podem oferecer”.

Sistema de carona espacial e histórico da SpaceX com o Brasil

Para viabilizar a chegada dos dispositivos ao espaço sideral, a missão adotou o modelo de carona espacial, formato de compartilhamento de voo conhecido pelo termo técnico rideshare. Nessa configuração de frete comercial, dezenas de cargas de menor porte dividem a capacidade de propulsão e a estrutura física de suporte em um mesmo foguete Falcon 9, o que reduz custos operacionais para instituições acadêmicas e governamentais.

O uso dos lançadores desenvolvidos pela empresa aeroespacial de Elon Musk já havia sido adotado anteriormente pelo governo brasileiro. Em 2022, a SpaceX realizou o lançamento de dois satélites de sensoriamento remoto por radar para a Força Aérea Brasileira (FAB), que entraram em operação orbital partindo do mesmo modelo de foguete comercial nos Estados Unidos.

Constelação nacional da Ideia Space e capacitação de 500 novos estudantes

A colocação dos dois artefatos em órbita representa a continuidade de uma constelação nacional de satélites educacionais coordenada pela startup Ideia Space. A infraestrutura em órbita permite que escolas públicas do país estabeleçam contato com os dispositivos para receber dados de telemetria, promovendo estudos sobre física aplicada, clima e tecnologia digital nas salas de aula.

Após a etapa atual com as três primeiras escolas, o programa educacional já tem expansão definida para o interior de São Paulo. A previsão da organização é capacitar cerca de 500 novos estudantes da região de Sorocaba em processos de design de missões espaciais, ampliando o número de jovens envolvidos na elaboração dos próximos artefatos da constelação didática.

A confirmação do desdobramento dos nanossatélites e o envio do primeiro sinal de telemetria em órbita dependem da conclusão dos procedimentos operacionais pós-separação do estágio superior do foguete Falcon 9.

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