Falha técnica na nave LINK impede resgate inédito do telescópio Swift pela NASA
A espaçonave robótica LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space Technologies para a NASA, encerrou suas operações sem conseguir acoplar e elevar a órbita do telescópio espacial Neil Gehrels Swift. A nave reentrou e se desintegrou na atmosfera terrestre na sexta-feira (25) de setembro de 2026, selando a perda definitiva do observatório, que deve queimar no retorno não controlado à Terra até o encerramento deste ano.
O resultado decorre do esgotamento precoce de combustível do veículo comercial, provocado por problemas em giroscópios e no controle de atitude pouco após a decolagem. O administrador da NASA, Jared Isaacman, avaliou a operação em declaração institucional: “A NASA deve estar disposta a agir com rapidez e assumir riscos inteligentes quando o retorno potencial valer a pena, e foi exatamente isso que fizemos nesta missão. Este não é o resultado pelo qual trabalhávamos, mas não muda a razão pela qual valeu a pena tentar a missão”, afirmou, em tradução livre.
Problemas de rotação e perda de combustível na nave LINK
Financiada por um contrato emergencial de US$ 30 milhões firmado com a agência espacial norte-americana em 1 de setembro de 2025, a Katalyst Space construiu a LINK como um protótipo acelerado da sua linha NEXUS. O objetivo principal consistia em agarrar a estrutura do Swift com braços mecânicos e utilizar motores a xenônio para impulsionar o satélite científico a uma altitude mais segura.
Durante os procedimentos iniciais em órbita, o veículo robótico perdeu o alinhamento de orientação e entrou em rotação involuntária. A central de comando precisou acionar repetidamente os propulsores para estabilizar o sistema e restabelecer a comunicação intermitente. O esforço contínuo consumiu a margem de propelente necessária para alcançar a velocidade e a trajetória de engate do telescópio, forçando os engenheiros a mudarem os planos do projeto.
Aproximação de 12 km e cancelamento da captura do Swift
Diante do déficit de combustível e das restrições de manobrabilidade, a NASA e a empresa de tecnologia espacial decidiram, em 19 de agosto de 2026, abortar a elevação de altitude do observatório. A missão foi reduzida para uma rotina de demonstração técnica e medição de proximidade, sem contato físico entre as estruturas.
Os instrumentos de navegação autônoma e propulsão elétrica da nave executaram testes secundários até estabelecerem uma aproximação que variou de 12 km a 15 km do satélite astronômico. Após completar as verificações experimentais, os operadores direcionaram a LINK para uma rota descendente, finalizando a trajetória de 85 dias no espaço às 04:03 UTC de 25 de setembro de 2026.
Cronologia da missão LINK e do observatório Swift
- 20 de novembro de 2004: lançamento do telescópio Swift para detecção de explosões de raios gama no espaço profundo.
- 1 de setembro de 2025: assinatura do contrato de US$ 30 milhões entre a NASA e a Katalyst Space Technologies.
- Dezembro de 2025: controladores da Penn State University iniciam configuração de arrasto reduzido no telescópio.
- 3 de julho de 2026: foguete Pegasus XL lança a nave comercial LINK a partir do Atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall.
- 19 de agosto de 2026: agência e fornecedora cancelam o plano de acoplamento físico com o telescópio.
- 25 de setembro de 2026: nave LINK realiza reentrada controlada na atmosfera e encerra atividades operacionais.
- 28 de setembro de 2026: NASA divulga balanço de engenharia e lições aprendidas com a iniciativa de manutenção orbital.
Trajetória de 22 anos do Swift na observação astronômica
Lançado em novembro de 2004, o observatório Neil Gehrels Swift operou por quase 22 anos no monitoramento das emissões mais energéticas do universo, funcionando sob gestão do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em cooperação científica com a Universidade Estadual da Pensilvânia. A plataforma nunca possuiu propulsão interna própria para correções de curso.
Com o ciclo solar recente em patamares elevados de radiação, a termosfera da Terra aqueceu e expandiu seu volume, aumentando a densidade de partículas e a resistência aerodinâmica sobre satélites em órbita baixa. Essa pressão atmosférica acelerou o declínio do telescópio rumo à cota de 300 quilômetros de altitude, estabelecida pela agência como o limite de não retorno antes da queda irreversível.
Manobras aerodinâmicas da Penn State e reativação dos sensores
Para mitigar a perda contínua de altitude antes da chegada do socorro comercial, os operadores de voo da Penn State posicionaram o equipamento em uma orientação de arrasto mínimo a partir de dezembro de 2025. O procedimento exigiu sacrificar as campanhas de pesquisa: de meados de fevereiro ao final de agosto de 2026, o satélite permaneceu sem captar alvos científicos programados para não sofrer danos pelo atrito térmico ou pela radiação solar direta.
Com o encerramento formal do projeto de resgate, os astrônomos voltaram a ligar os instrumentos de detecção de alta energia. O objetivo da equipe coordenada pelo astrofísico Brad Cenko é aproveitar as últimas semanas de capacidade operacional do observatório na coleta de dados cósmicos antes da queima estrutural definitiva.
Previsão para o término das operações no espaço
A NASA mantém o telescópio monitorado em sua descida gradual, embora a data exata e o ponto geográfico em que os componentes remanescentes atingirão as camadas mais densas da atmosfera ainda não estejam determinados pelos radares de rastreamento orbital.
