Golpe do saque fantasma em apostas usa Pix falso e expõe cadastro de 3,6 mil pessoas

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Celular, golpe, alerta, fraude - TippaPatt/shutterstock.com Foto: Celular, golpe, alerta, fraude - TippaPatt/shutterstock.com

Plataformas falsas de apostas digitais aplicam uma fraude financeira conhecida como golpe do saque fantasma para reter depósitos via Pix e cobrar taxas indevidas de usuários no Brasil. Uma investigação técnica desenvolvida pela empresa de cibersegurança ZenoX identificou que o esquema bloqueia retiradas de dinheiro, impõe uma cobrança forjada no navegador e provocou a exposição de informações cadastrais de mais de 3,6 mil pessoas cadastradas.

A apuração, detalhada nesta quinta-feira (1), mostra que as operações ilegais atuam sob nomes como MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K. Segundo o relatório técnico, os criminosos não utilizam malwares nem programas maliciosos tradicionais para infectar celulares ou computadores, mas exploram manipulações diretas no código das páginas exibidas aos navegadores para enganar quem tenta resgatar os valores acumulados nos sistemas.

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Promessas de lucros rápidos alimentam o golpe do saque fantasma nas redes

A atração das vítimas ocorre por meio de vídeos e mensagens privadas distribuídas em plataformas sociais, com foco no TikTok, Instagram e Telegram. As postagens divulgam a promessa de que depósitos reduzidos, situados entre R$ 20,00 e R$ 30,00, geram ganhos expressivos entre R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00 em questão de poucos minutos de jogo.

Após realizar a transferência via Pix para a chave indicada pelo site, o apostador acompanha um saldo que cresce rapidamente de forma fictícia dentro do painel da conta. O problema surge no momento em que o participante tenta transferir a quantia acumulada de volta para a sua conta corrente.

Em vez de autorizar o envio dos recursos, o sistema apresenta uma mensagem de erro simulada e estabelece a exigência de uma taxa de liberação fixa no valor de R$ 30,00. O mecanismo alega que o pagamento suplementar é necessário para desbloquear os valores ganhos na rodada de apostas.

Pix
Foto: Pix – Diego Thomazini/Shutterstock.com

Taxa falsa de R$ 30 usa QR Code forjado em falha com a PixUp

A análise pericial realizada pela ZenoX no código-fonte das páginas revelou que a cobrança extra se trata de uma simulação montada dentro do próprio navegador do usuário. O sistema executa uma instrução que simula uma falha intencional de comunicação com a intermediadora PixUp, gerando imediatamente um QR Code genérico e adulterado para captar a taxa de R$ 30,00.

Quando a pessoa efetua a nova transferência na expectativa de receber o saldo total, o processamento da operação nunca é confirmado pelos servidores. Gabriel Alves, pesquisador de ameaças da ZenoX e autor do relatório, explicou a mecânica da fraude estruturada na aplicação.

“A malícia desta operação não é malware clássico: é econômica e de engenharia. O próprio código da aplicação implementa o bloqueio do pagamento, a taxa falsa e a confirmação impossível de saque”, afirmou Gabriel Alves na apresentação dos dados técnicos levantados pela equipe.

Como a infraestrutura não envolve infecção por vírus de computador, softwares antivírus comuns não conseguem alertar os usuários sobre o perigo da operação. A ofensiva depende exclusivamente da engenharia social para direcionar transações bancárias irreversíveis aos organizadores da rede clandestina.

Vazamento no NEWWBET7K expôs registros pessoais de 3,6 mil usuários

A investigação também constatou falhas severas cometidas pelos próprios desenvolvedores das páginas ilegais, o que expôs senhas e chaves de acesso administrativo deixadas visíveis no código público dos portais. A vulnerabilidade permitiu que pesquisadores acessassem os bancos de dados vinculados aos endereços monitorados.

Apenas no domínio NEWWBET7K, a equipe técnica encontrou uma base de dados aberta contendo informações privadas de mais de 3,6 mil clientes cadastrados. O arquivo acessível reunia nomes completos, endereços de e-mail, telefones de contato, históricos de pagamentos por Pix e os saldos fictícios atribuídos a cada perfil.

A circulação dessas informações amplia os riscos de fraudes secundárias contra as pessoas lesadas. Com os dados em mãos, criminosos passam a contatar as vítimas por telefone ou mensagem direta, oferecendo falsas assessorias de recuperação de saldo sob a exigência de novos pagamentos antecipados.

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Retenção de depósitos e rotação constante de domínios na internet

Nos registros internos vinculados aos domínios MAXXBET7K e MAXBTT7K, o levantamento técnico localizou um montante acumulado de R$ 107.519,00 retido em 415 contas de apostadores. O painel contábil indicou que 92% de todos os depósitos efetuados pelas vítimas correspondiam a quantias financeiras de pequeno porte.

O monitoramento apontou ainda que 68% de todas as movimentações financeiras cadastradas nas plataformas permaneceram definitivamente retidas com a identificação de status pendente. A rotina confirma que o bloqueio não decorre de instabilidade técnica temporária, mas da arquitetura intencional do golpe.

“O padrão é inequívoco: entra muito depósito pequeno, e quase nada sai. O estado ‘pendente’ não é fila de processamento, é o destino final do dinheiro da vítima”, informou o relatório da empresa de cibersegurança ZenoX.

Para manter as atividades em funcionamento, os operadores aplicam uma tática de rotação de domínios. Sempre que um endereço eletrônico é denunciado, suspenso ou retirado do ar pelas empresas de hospedagem, novos endereços com variações do mesmo nome são colocados no ar para continuar atraindo apostadores.

Como recorrer ao MED 2.0 do Banco Central e dados do esquema

A orientação técnica para os cidadãos que enviaram recursos para as páginas fraudulentas é agir com rapidez junto à sua respectiva instituição financeira. Como as transações foram executadas de forma direta pelas próprias pessoas, a recuperação do capital depende do acionamento de mecanismos regulamentados pelo Banco Central.

  • Depósito inicial exigido nas redes: faixa de R$ 20,00 a R$ 30,00 para começar a apostar
  • Promessa fictícia de retorno financeiro: ganhos simulados de R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00
  • Falsa taxa de liberação de saque: cobrança de R$ 30,00 via QR Code adulterado
  • Volume retido nos sistemas MAXXBET7K e MAXBTT7K: R$ 107.519,00 distribuídos em 415 contas
  • Proporção de pequenos depósitos no sistema: 92% do volume financeiro de entrada
  • Transações retidas permanentemente: 68% do total registrado em estado pendente
  • Contas com dados expostos na base NEWWBET7K: 3,6 mil usuários afetados pelo vazamento
  • Canal financeiro de contestação: Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) no aplicativo bancário
  • Registro oficial da ocorrência: formalização de boletim de denúncia junto à Polícia Civil

O Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0) deve ser acionado diretamente pelo aplicativo do banco em que a vítima mantém conta corrente. A ferramenta do Banco Central atua bloqueando preventivamente os valores na conta de destino e efetuando o rastreamento em cadeia de contas intermediárias utilizadas pelos fraudadores para ocultar o dinheiro.

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Para solicitar o procedimento, a pessoa prejudicada precisa reunir os comprovantes das transferências bancárias, registros de conversas e capturas de tela das páginas falsas. Com esses documentos, o cliente registra a contestação por fraude no canal do banco e formaliza a denúncia na Polícia Civil para auxiliar na derrubada judicial dos endereços virtuais.

A identidade dos responsáveis pela criação, publicação e administração das páginas MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K ainda não foi identificada pelas autoridades policiais, e as apurações continuam abertas a partir dos registros técnicos levantados até 1 de outubro de 2026.

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