Petrobras acha nova camada de petróleo no poço Morpho no Amapá

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Exploração de petróleo na Marquem Equatorial - Petrobras/Divulgação Foto: Exploração de petróleo na Marquem Equatorial - Petrobras/Divulgação

A Petrobras identificou um novo intervalo portador de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas, ao aprofundar as perfurações no poço Morpho, na costa do Amapá. O achado amplia o conhecimento geológico da área exploratória situada na Margem Equatorial e marca a segunda constatação de óleo na mesma estrutura em menos de dois meses.

O poço pioneiro, registrado tecnicamente como 1-BRSA-1405-APS, fica no bloco FZA-M-59, onde a lâmina d’água atinge a marca exata de 2.886 metros de profundidade oceânica. A presença de hidrocarbonetos na camada recém-atingida foi comprovada por meio de perfis elétricos, indícios diretos em fragmentos de rochas e amostras de fluidos coletadas durante a descida da broca.

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Em comunicado ao mercado e fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta sexta-feira (2), a companhia informou que o resultado reforça os estudos sobre a viabilidade dos reservatórios da região norte do país. “A nova descoberta amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da área e fornecerá informações adicionais para a avaliação dos sistemas petrolíferos e do potencial de recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas”, declarou a estatal.

Dados técnicos da perfuração do poço Morpho no Amapá

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Foto: Plataforma de petróleo
  • Localização: bloco FZA-M-59, a cerca de 175 quilômetros da costa de Oiapoque (AP)
  • Lâmina d’água: 2.886 metros de profundidade oceânica
  • Identificação oficial da perfuração: poço 1-BRSA-1405-APS
  • Participação societária da concessão: 100% de operação da Petrobras
  • Licença de operação vigente: autorização emitida pelo Ibama em 20 de outubro de 2025

A constatação de óleo em camadas mais profundas não representa, por si só, uma comprovação de viabilidade comercial para a extração do produto. A Petrobras precisa finalizar a etapa de perfuração do poço exploratório, retirar amostras adicionais e encaminhar o material para exames laboratoriais detalhados, procedimento indispensável para calcular a extensão do reservatório e estimar o volume total de barris recuperáveis.

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Na primeira etapa dos trabalhos no Morpho, anunciada em 14 de agosto de 2026, os técnicos já haviam identificado a presença de hidrocarbonetos. As avaliações laboratoriais concluídas sobre aquele intervalo inicial constataram que se tratava de petróleo cru com perfil de boa qualidade, o que incentivou os engenheiros a prosseguirem as sondagens rumo a horizontes geológicos mais profundos na mesma locação oceânica.

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Negociações ambientais e o histórico do bloco FZA-M-59 desde 2013

A concessão do bloco FZA-M-59 foi arrematada pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013, mantendo desde então o controle integral dos direitos exploratórios sobre o ativo marinho. A campanha de perfuração esteve paralisada durante anos em razão de exigências e divergências nos trâmites de licenciamento ambiental conduzidos pelos órgãos reguladores federais.

Em maio de 2023, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia negado a autorização preliminar para perfuração no bloco, alegando lacunas na estrutura de atendimento a eventuais vazamentos em alto-mar. As operações foram liberadas em 20 de outubro de 2025, data em que o órgão ambiental concedeu a licença de operação após a petroleira reforçar o plano de proteção à fauna, realizar simulados de emergência e apresentar garantias operacionais na base de apoio no Amapá.

A abertura da fronteira na foz amazônica mobiliza discussões técnicas e manifestações de entidades científicas e de preservação ambiental. Especialistas do setor de conservação apontam riscos à biodiversidade da costa setentrional brasileira, com ênfase na sensibilidade ecológica dos extensos manguezais do Amapá e dos sistemas de recifes de corais, além dos impactos potenciais sobre a pesca artesanal praticada pelas populações ribeirinhas e indígenas da região de Oiapoque.

Estratégia da Petrobras visa recompor reservas diante do pico do pré-sal

A expansão em bacias sedimentares do Norte e Nordeste compõe o planejamento de longo prazo da petroleira para recompor estoques de óleo e gás natural. Projeções técnicas do setor indicam que os campos de petróleo do pré-sal, que hoje sustentam a maior parte da produção nacional, devem atingir o pico de extração entre os anos de 2034 e 2035, entrando em trajetória de declínio natural a partir desse intervalo de tempo.

Sem novas áreas produtoras mapeadas e desenvolvidas com antecedência mínima de uma década, o país enfrentaria dificuldades logísticas e financeiras para manter a autossuficiência energética nas décadas seguintes. Em posicionamento oficial sobre as operações na Margem Equatorial, a diretoria da estatal ressaltou o caráter preventivo dos investimentos exploratórios em novas bacias marítimas.

“A atuação da Petrobras no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, contribuindo para o atendimento à demanda energética do país”, afirmou a empresa em nota institucional.

O processo ambiental em curso no bloco prevê a perfuração do poço principal Morpho e de outros três poços contingentes na mesma bacia sedimentar. A estatal continuará os testes físicos no poço 1-BRSA-1405-APS e aguarda manifestações do Ibama sobre os pedidos de autorização para as etapas exploratórias adicionais.

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