Desenvolvedor countervolts atualiza mod d4r para rodar DLSS 4.5 na AMD

Por
placa de vídeo - Kathrine Andi / Shutterstock.com Foto: placa de vídeo - Kathrine Andi / Shutterstock.com

O mod d4r recebeu uma atualização que adiciona compatibilidade com placas de vídeo AMD Radeon RX 9000 baseadas na arquitetura RDNA 4. O projeto de software permite executar a tecnologia proprietária de upscaling NVIDIA DLSS 4.5 em computadores com sistema operacional Linux, utilizando aceleração de cálculos em ponto flutuante de 8 bits.

A nova versão da ferramenta foi disponibilizada nesta quinta-feira (1) pelo desenvolvedor independente countervolts na plataforma GitHub. A implementação possibilita que os modelos neurais da Nvidia funcionem fora do ecossistema GeForce RTX, embora o próprio criador ressalte o caráter experimental do código neste estágio de desenvolvimento.

“O d4r mostra que o DLSS pode rodar em uma GPU da AMD, mas ainda não é realmente prático para o uso diário. Ele foi testado em uma GPU em um punhado de jogos e depende de correções não lançadas para o ZLUDA e o vkd3d-proton”, afirmou countervolts, em tradução livre.

Como o mod d4r executa o DLSS 4.5 em placas AMD?

AMD
Foto: AMD – Kevin Paul Davis / Shutterstock.com

O funcionamento do d4r baseia-se na execução direta da biblioteca oficial original da Nvidia, o arquivo nvngx_dlss.dll, sem a aplicação de modificações binárias em seu código interno. Para contornar a exigência dos núcleos tensores da rival, o mod intercepta as chamadas de renderização do jogo e redireciona os comandos por meio do OptiScaler e da camada de compatibilidade ZLUDA. Essa ponte de software converte as instruções CUDA para as interfaces ROCm e HIP, permitindo que os circuitos de computação gráfica da AMD processem os algoritmos de inteligência artificial.

A adição da série Radeon RX 9000 ao projeto aproveita um avanço específico da microarquitetura RDNA 4: a presença de suporte nativo a instruções em precisão FP8. Nas placas anteriores da linha Radeon RX 7000, construídas sob a arquitetura RDNA 3, a execução dos modelos do DLSS exigia uma conversão intermediária dos cálculos para ponto flutuante de 16 bits, o que gerava sobrecarga computacional. Com a nova geração, os modelos neurais transformer conseguem operar com maior eficiência teórica diretamente nos registradores dos chips gráficos.

Leia também: Código no Linux indica memórias GDDR7 nas placas AMD Radeon

Desempenho do DLSS em testes práticos na Radeon RX 7700 XT

Os testes de desempenho divulgados pelo desenvolvedor foram conduzidos na terça-feira (29) com o jogo Silent Hill: Townfall em resolução 1440p, utilizando uma placa de vídeo Radeon RX 7700 XT. A configuração avaliada utilizou o perfil de qualidade de imagem no modo Qualidade, demonstrando variações sensíveis conforme a geração do algoritmo selecionada no menu do jogo.

Durante a execução com a biblioteca do DLSS 4.5, a taxa média obtida pela placa da AMD atingiu 49,3 quadros por segundo. Ao alternar para o DLSS 4 convencional, o rendimento subiu para a faixa entre 67,9 e 68,1 quadros por segundo. A versão baseada no DLSS 3 registrou taxas entre 71,7 e 71,9 quadros por segundo. Em comparação direta no mesmo cenário, a solução nativa da própria fabricante, o AMD FSR 4 configurado em modo Qualidade, alcançou uma taxa de referência de 76,0 quadros por segundo.

A diferença de rendimento ocorre porque as versões mais recentes do DLSS empregam modelos matemáticos estruturados em redes neurais transformer, identificados pelos perfis internos K, M e L, que demandam um volume substancialmente maior de processamento em comparação com as redes convolucionais do preset E usadas no DLSS 3. Medições preliminares anteriores relatadas em fóruns técnicos apontavam pequenas variações, marcando 51,5 quadros por segundo no DLSS 4.5 e 72,4 quadros por segundo no DLSS 3, números ajustados nas medições documentadas mais recentes.

Limitações técnicas e escopo da ferramenta

O projeto d4r concentra-se unicamente na reconstrução de resolução de imagem, denominada Super Resolution. Recursos como o gerador de quadros adicionais e a reconstrução de traçado de raios foram deixados de fora do código de forma intencional pelo autor. A comunidade de modificações mantém esforços paralelos para estender outras capacidades de inteligência artificial gráfica ao hardware da AMD, como a iniciativa independente DLSS-NR-on-AMD, criada pelo programador danielblnc para portar renderização neural.

Historicamente, a Nvidia mantém o DLSS bloqueado por software para operar exclusivamente em suas próprias unidades de processamento gráfico GeForce RTX. A estratégia difere da política adotada pela AMD com o FidelityFX Super Resolution, cuja base de código sempre manteve distribuição aberta e funcionamento agnóstico em diferentes arquiteturas do mercado de computadores pessoais.

Requisitos técnicos e especificações do mod d4r

  • Nome oficial da modificação: d4r (DLSS 4 Radeon)
  • Data de atualização da compilação: 1 de outubro de 2026
  • Sistemas operacionais suportados: Distribuições Linux por meio da camada Valve Proton
  • Interface gráfica exigida: Jogos em execução na API DirectX 12
  • Bibliotecas de compatibilidade integradas: ZLUDA, ROCm/HIP e OptiScaler
  • Tecnologias contempladas: NVIDIA DLSS Super Resolution (versões 3, 4 e 4.5)
  • Arquiteturas gráficas AMD suportadas: RDNA 3 (RX 7000) e RDNA 4 (RX 9000)

O que ainda falta confirmar sobre o d4r nas placas RX 9000

O suporte às placas Radeon RX 9000 permanece em caráter estritamente conceitual e experimental. O criador do mod compilou o código para as novas instruções FP8 utilizando ferramentas de emulação de hardware, sem realizar validações físicas em placas de vídeo RDNA 4 reais até o momento. Em hardware físico de gerações anteriores, apenas a Radeon RX 7700 XT com chip Navi 32 teve estabilidade documentada; placas com chip Navi 31, como a RX 7900 XTX, apresentaram falhas de execução nos modelos transformer.

Também não existe previsão técnica para a chegada do d4r ao sistema operacional Windows. A estrutura da ferramenta depende de componentes presentes apenas na pilha de software de código aberto do Linux, incluindo o Wine, o Proton e os patches especializados do tradutor de comandos gráficos vkd3d-proton.

Notícias relacionadas