Número de mortos por ebola na República Democrática do Congo passa de 4 mil

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Tubo de teste de amostra de sangue do vírus ebola Foto: Tubo de teste de amostra de sangue do vírus ebola - vetre/shutterstock.com

A epidemia de ebola na República Democrática do Congo superou a marca de 4 mil vítimas fatais após atualização divulgada pelas autoridades sanitárias nesta sexta-feira (2). O balanço oficial aponta 4.018 mortes acumuladas e 8.300 infecções confirmadas, configurando taxa de letalidade de 48,4% no país africano.

O atual surto superou a epidemia congolesa registrada entre 2018 e 2020, consolidando-se como o mais mortal da história da República Democrática do Congo e o segundo do mundo. Do total de infectados acompanhados pelas equipes de saúde, mais de 2 mil pessoas conseguiram se recuperar da infecção.

Por que o vírus Bundibugyo dificulta o combate à doença?

Ebola teste
Foto: Ebola teste – Arif biswas/shutterstock.com

Diferentemente dos surtos históricos provocados pela cepa Zaire, a atual crise de saúde pública é causada pelo vírus Bundibugyo, identificado pela primeira vez em 2007. Para essa variante rara, ainda não existem vacinas nem terapias específicas homologadas, o que limita o trabalho médico ao suporte clínico enquanto produtos experimentais passam por fases de testes. Na etapa inicial, os pacientes apresentam sintomas aparentemente brandos, fator que retarda a busca por socorro e o isolamento de contágio.

Saiba mais: Autoridades de saúde buscam quase trezentas pessoas com ebola desaparecidas na República Democrática do Congo

Avanço territorial e violência armada no interior do país

A transmissão teve início na província de Ituri e avançou geograficamente até alcançar sete províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo, Bas-Uélé, Haut-Uélé e Ubangi do Sul, a mais recente a declarar surto. O controle epidemiológico enfrenta a atuação de grupos armados em regiões com pouca presença estatal. Na cidade de Butembo, a autoridade local Marie-Célestin Karondwa foi morta em um ataque após defender publicamente as medidas sanitárias contra o avanço do vírus.

Protestos salariais e impasses no rastreamento de infectados

Em Bunia, profissionais de saúde e equipes de vigilância protestaram contra a falta de pagamento dos salários de agosto e setembro de 2026, impactando o monitoramento de contatos. Sobre a perda de estruturas de atendimento, o coordenador sênior da Organização das Nações Unidas para a resposta ao ebola, Julien Harneis, avaliou a situação. “Quando perdemos um centro, isso significa que perdemos capacidade, perdemos investimento e temos de começar de novo. E, acima de tudo, significa que as pessoas não têm acesso aos cuidados de que realmente precisam”, afirmou, em tradução livre.

Veja também: França confirma primeira infecção por ebola após retorno de médico da República Democrática do Congo

Balanço oficial da epidemia na República Democrática do Congo

  • Casos confirmados: 8.300 infecções
  • Óbitos acumulados: 4.018 mortes
  • Taxa de letalidade: 48,4%
  • Províncias com surto: 7 regiões
  • Data do relatório oficial: 2 de outubro de 2026

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