O senador Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República pelo Partido Liberal na eleição geral realizada em 4 de outubro de 2026. A confirmação de seu nome nas urnas sob o número eleitoral 22 consolida a transição do parlamentar fluminense da articulação no Congresso Nacional para a disputa direta pelo Palácio do Planalto contra o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Filho primogênito do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, o congressista ingressou na corrida ao Poder Executivo federal amparado pelo capital político construído ao longo de duas décadas de vida pública no Parlamento brasileiro. Ao assumir a candidatura partidária após deliberação de sua legenda, o senador afirmou publicamente: “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação”. Com a votação encerrada às 17h no território nacional e o início da apuração pelo Tribunal Superior Eleitoral, a movimentação inicial das urnas mobiliza o eleitorado, embora o resultado final dependa da conclusão de todas as seções eleitorais distribuídas pelas unidades da federação.
Origens familiares e a formação acadêmica de Flávio Bolsonaro
Flávio Nantes Bolsonaro nasceu no município de Resende, na região sul do estado do Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1981. Ele é o primeiro dos filhos de Jair Messias Bolsonaro, fruto da união com Rogéria Nantes Nunes Braga, que também construiu carreira no Poder Legislativo municipal carioca ao exercer mandato como vereadora na capital fluminense. Na vida pessoal, Flávio Bolsonaro é casado com a dentista Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro.
Sua formação acadêmica teve início na área jurídica no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro concluiu o bacharelado em Direito na Universidade Candido Mendes, instituição tradicional de ensino superior fluminense. O aprofundamento nos estudos continuou com a realização de duas pós-graduações voltadas para a gestão e o setor produtivo.
O parlamentar concluiu especialização em Políticas Públicas no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e pós-graduação em Empreendedorismo na Fundação Getulio Vargas. O conjunto de formações acadêmicas serviu de base teórica para os projetos e debates temáticos que assumiu nos primeiros anos de exercício parlamentar, orientando sua atuação técnica tanto na elaboração legislativa quanto na análise orçamentária.
Flávio Bolsonaro e o início no Legislativo fluminense em 2002
A entrada formal de Flávio Bolsonaro na política institucional ocorreu nas eleições de outubro de 2002, quando disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro pela legenda do Partido Progressista Brasileiro. Aos 21 anos de idade, o candidato obteve 22.860 votos na disputa estadual, marca que garantiu sua primeira vitória nas urnas e a estreia da nova geração familiar na representação representativa.
A posse oficial na Alerj ocorreu em 1º de fevereiro de 2003, período em que completou 22 anos no início da legislatura. O desempenho nas urnas abriu caminho para uma permanência duradoura no Parlamento regional, onde exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual entre 2003 e 2019. A renovação contínua de sua bancada na Alerj refletiu a consolidação de redutos eleitorais específicos no estado, com expressiva votação oriunda da capital, da Baixada Fluminense e do interior.
Ao longo dos 16 anos ininterruptos em que ocupou um gabinete na Alerj, o parlamentar dedicou-se a temas estruturais da administração fluminense. Ele presidiu a Comissão Especial de Planejamento Familiar e esteve à frente de debates sobre os efeitos socioeconômicos da demografia regional. Integrou ainda comissões permanentes dedicadas à segurança pública, assuntos de administração penitenciária e defesa civil, áreas em que fiscalizou condições carcerárias, equipamentos de forças policiais e respostas estaduais a desastres climáticos.
Disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016 e as trocas partidárias de Flávio Bolsonaro
Em 2016, após consolidar seu terceiro mandato na Alerj, Flávio Bolsonaro disputou o Poder Executivo na capital fluminense ao lançar candidatura à Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Social Cristão. No primeiro turno da eleição municipal daquele ano, a chapa encabeçada pelo deputado alcançou 14% dos votos válidos, resultado que o posicionou em quarto lugar na classificação geral do pleito carioca.
A candidatura municipal marcou a ampliação de sua visibilidade política para além das fronteiras estritamente legislativas, expondo propostas para transporte público, saúde comunitária e contenção de índices de violência urbana. A dinâmica eleitoral também ilustrou a série de adequações de siglas ao longo de sua trajetória pública, caracterizada por rearranjos partidários em sintonia com os projetos do grupo político liderado por seu pai.
O percurso de registros partidários de Flávio Bolsonaro inclui passagem por cinco siglas diferentes desde o início do século:
- Partido Progressista Brasileiro e Partido Progressista — filiação entre os anos de 2001 e 2016;
- Partido Social Cristão — vinculação partidária adotada de 2016 a 2018;
- Partido Social Liberal — agremiação em que atuou nos anos de 2018 e 2019;
- Republicanos — legenda pela qual exerceu mandato entre 2020 e 2021;
- Partido Liberal — filiação formal consolidada em 30 de novembro de 2021.
Mandato no Senado Federal a partir de 2019 e a atuação nas comissões técnicas
Na esteira da reorganização do cenário político nacional em 2018, Flávio Bolsonaro concorreu a uma das vagas do estado do Rio de Janeiro no Senado Federal pela legenda do PSL. Eleito com ampla votação para o período representativo de 2019 a 2027, tomou posse no Congresso Nacional em 1º de fevereiro de 2019, iniciando seu mandato de oito anos em Brasília.
Na Câmara Alta do Parlamento brasileiro, o congressista passou a ocupar assentos estratégicos nas principais instâncias deliberativas. Integrou como membro titular a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, colegiado responsável pelo crivo constitucional, legal e regimental de todas as propostas de emenda à Carta Magna, reformas do Código Penal e matérias de processo civil. Na comissão, relatou e votou matérias referentes ao funcionamento dos órgãos jurisdicionais e à segurança pública nacional.
O senador assumiu assento titular também na Comissão de Assuntos Econômicos, espaço institucional encarregado de votar diretrizes sobre dívida pública, limites de endividamento da União, operações financeiras externas, regulação bancária e política monetária. Em conjunto com esses trabalhos, Flávio Bolsonaro exerceu o papel de conselheiro e articulador político direto da gestão de Jair Messias Bolsonaro no Palácio do Planalto entre 2019 e 2022, mantendo diálogo constante com as lideranças partidárias da Câmara dos Deputados e do próprio Senado.
Durante o exercício de sua atividade parlamentar em Brasília, o senador enfrentou apurações do Ministério Público em relação a repasses financeiros e movimentações de assessores de seu antigo gabinete na Alerj. O processo teve desdobramentos no Poder Judiciário, onde as instâncias superiores deliberaram pela anulação das principais provas colhidas na fase preliminar da investigação em razão de ilegalidades processuais reconhecidas em julgamento formal.
Linha do tempo da trajetória política de Flávio Bolsonaro
A cronologia das principais etapas da carreira pública do senador e candidato presidencial abrange momentos decisivos no Rio de Janeiro e em Brasília:
- 1981 — Nascimento de Flávio Nantes Bolsonaro em Resende, no dia 30 de abril;
- 2002 — Eleição para o primeiro mandato de deputado estadual na Alerj, com 22.860 votos;
- 2003 — Posse formal na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 1º de fevereiro;
- 2016 — Disputa eleitoral para a Prefeitura do Rio de Janeiro, com 14% dos votos válidos;
- 2018 — Eleição como senador da República pelo Rio de Janeiro para o mandato de 2019 a 2027;
- 2019 — Tomada de posse no Senado Federal no dia 1º de fevereiro;
- 2021 — Entrada oficial no Partido Liberal em 30 de novembro, em ato conjunto com Jair Bolsonaro;
- 2026 — Homologação da candidatura à Presidência da República nas eleições gerais com o número 22.
Acontecimentos marcantes na evolução política do candidato
O percurso público de Flávio Bolsonaro é delimitado por momentos que consolidaram seu posicionamento nas decisões internas de seu grupo político:
- A entrada na disputa legislativa fluminense em 2002 aos 21 anos, conquistando vaga na Alerj pelo PPB;
- A permanência por 16 anos consecutivos na Alerj, com vitórias eleitorais sucessivas e chefia de colegiados técnicos;
- A condução da Comissão Especial de Planejamento Familiar e participação em grupos temáticos de segurança prisional e defesa civil;
- O desempenho na eleição municipal carioca de 2016, alcançando a quarta colocação na corrida pela chefia do Executivo;
- A vitória na eleição para o Senado em 2018, assumindo assento pelo estado do Rio de Janeiro em 2019;
- A nomeação como membro titular da CCJ e da CAE, dois dos mais importantes colegiados permanentes do Senado Federal;
- A atuação como interlocutor e articulador político das pautas de governo no Congresso Nacional ao longo da presidência de Jair Bolsonaro;
- O anúncio e lançamento oficial de sua postulação presidencial pelo PL para o pleito geral de 2026.
Encerramento da votação no território nacional e apuração dos votos pelo TSE
Os eleitores brasileiros compareceram às seções eleitorais neste domingo (4) para escolher presidente da República, governadores de estado, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Em conformidade com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, o horário de votação transcorreu das 8h às 17h pelo horário oficial de Brasília em todas as unidades da federação. A participação dos cidadãos ocorreu por meio das urnas eletrônicas distribuídas nas capitais e nos municípios do interior.
Com o encerramento do processo de votação às 17h, o sistema do Tribunal Superior Eleitoral iniciou a recepção das mídias das urnas e a totalização oficial dos votos computados. A população e os comitês partidários acompanham a divulgação pública das primeiras parciais a partir do sistema eletrônico oficial do tribunal. A liderança pontual constatada nos boletins preliminares logo após as 18h decorre da contagem inicial de dados enviados pelas primeiras seções apuradas no país e não expressa resultado consolidado da disputa.
O encerramento do primeiro turno depende do processamento integral de 100% das urnas pelo Tribunal Superior Eleitoral. A definição sobre a liquidação da disputa na etapa inicial ou a eventual realização de um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue condicionada à validação de todos os votos válidos registrados em território nacional e no exterior pelo tribunal eleitoral.
