William Correia tem absolvição decretada em caso de assédio contra atleta

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Segundo o Ministério Público, William Correia fundou e lidera o grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” - Divulgação Foto: Segundo o Ministério Público, William Correia fundou e lidera o grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” - Divulgação

William Correia da Silva Júnior foi absolvido pela Justiça de São Paulo da acusação de assédio sexual contra uma atleta paralímpica de 16 anos, em decisão relativa a episódios narrados em uma competição escolar de 2021. O Ministério Público do Estado de São Paulo informou que vai recorrer da sentença absolutória proferida em primeiro grau.

A sentença foi assinada pela juíza Cristina Alves Biagi Fabri, da 2ª Vara Criminal do Foro Regional de Santana, na capital paulista. A magistrada registrou na decisão que a palavra da vítima tem “extrema relevância” em delitos sexuais, mas concluiu que os depoimentos e as mensagens anexados aos autos não comprovaram investida sexual, comportamento insistente ou tentativa de encontro a sós.

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Decisão da 2ª Vara Criminal de Santana sobre William Correia

A ação penal teve origem em fatos relatados durante um torneio escolar interestadual realizado no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, na capital paulista, iniciado em 23 de novembro de 2021. Na ocasião, o acusado tinha 34 anos e viajou com a comitiva esportiva, enquanto a competidora paralímpica tinha 16 anos.

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Na acusação, a Promotoria sustentava que William Correia teria feito comentários inadequados, enviado mensagens em aplicativo convidando a jovem para seu quarto e ingressado no dormitório onde a vítima estava acompanhada por outra adolescente. Em depoimento judicial, o réu negou todas as imputações, declarou que jamais permaneceu sozinho com a atleta e sustentou não ter feito menções de teor sexual ou mantido contato físico com a competidora.

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Ao analisar o conjunto de provas, a juíza apontou que as versões continham contradições e que os diálogos eletrônicos não demonstraram “comportamento insistente, agressivo ou intimidativo”. O texto da decisão destacou também que William Correia não exercia função técnica nem de professor em relação à menor de idade, atuando na delegação como apoio político durante os jogos.

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Em manifestação pública, a defesa do acusado avaliou o desfecho judicial. “William Correia recebeu com serenidade a decisão da Justiça de São Paulo que julgou improcedente a ação penal e o absolveu da acusação”, comunicaram os advogados de defesa.

Tramitação da denúncia de 2021 até a sentença de 2026

O episódio passou por diferentes órgãos de persecução penal antes do julgamento final na capital paulista:

  • 23 de novembro de 2021: abertura da competição esportiva escolar no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, local apontado na denúncia;
  • Registro inicial: caso protocolado na Delegacia de Atendimento à Mulher no Rio de Janeiro, com escuta especializada que não apontou sinais do delito;
  • Transferência de jurisdição: remessa do inquérito para a Polícia Civil de São Paulo, foro do local dos acontecimentos, que concluiu pelo indiciamento;
  • 20 de maio de 2026: acolhimento da denúncia do Ministério Público de São Paulo pela Justiça estadual;
  • 25 de setembro de 2026: publicação oficial da sentença absolutória pela 2ª Vara Criminal de Santana.

Vínculo de William Correia na delegação e apurações no Rio de Janeiro

A presença de William Correia no evento paulista em 2021 ocorreu por meio de um termo de colaboração firmado entre a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos. Ele havia sido exonerado de cargo público no governo estadual fluminense em 2020, mas ingressou na lista oficial como membro de apoio e comissão operacional, condição confirmada por documentos que a instituição enviou à comarca de Santana.

Paralelamente ao processo esportivo em São Paulo, Correia responde a investigações conduzidas pelas autoridades fluminenses. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o aponta como organizador e liderança do grupo autointitulado Anjos da Guarda Vigilância Comunitária.

Segundo os procedimentos em curso no Rio de Janeiro, o grupo é suspeito de promover perseguições, agressões físicas e rondas ilegais armadas nos bairros de Copacabana e Ipanema. As apurações apontam convocação de vigilantes em redes sociais e exibição de imagens de adolescentes em vias públicas, existindo ao menos 2 investigações policiais em andamento sobre essas ações na capital fluminense.

Próximos passos processuais do Ministério Público de São Paulo

A contestação à sentença de absolvição cabe diretamente ao Ministério Público de São Paulo, que atua como titular da ação penal pública. A Promotoria informou oficialmente a decisão de ingressar com apelação perante o Tribunal de Justiça de São Paulo para solicitar a reforma do julgamento da 2ª Vara Criminal de Santana.

A data exata em que os promotores de Justiça protocolarão as razões do recurso de apelação no tribunal ainda não foi divulgada.

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