Com ajuda de IA, pesquisadores decifram mistério de carta secular; entenda

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Carta antiga - Triff/shutterstock.com Foto: Carta antiga - Triff/shutterstock.com

O modelo de inteligência artificial GPT-6 Astra decifrou uma carta militar secreta enviada em 1809 ao general francês Auguste de Marmont, documento que permaneceu sem solução por 217 anos. O experimento foi conduzido em Mountain View, na Califórnia, pelo engenheiro de inteligência artificial Carter Church, da empresa de segurança cibernética SentinelOne, que utilizou cerca de seis horas de processamento de máquina para desvendar todo o conteúdo cifrado.

Carter Church divulgou publicamente a solução completa na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, após ter publicado um relatório técnico preliminar em 18 de setembro de 2026. “O que torna isso impressionante não é exatamente a quebra do código, mas o fato de o Astra ter concluído todo o fluxo de trabalho multimodal em cerca de seis horas a partir de uma única imagem e um objetivo”, afirmou o engenheiro, em tradução livre.

GPT-6 Astra quebra a barreira da cifra homofônica de 155 símbolos

O documento histórico apresenta uma primeira linha escrita em francês claro e outras 24 linhas compostas por cerca de 1.300 caracteres cifrados. A mensagem utilizava uma cifra homofônica, método de criptografia que atribui diferentes símbolos manuscritos a uma mesma letra frequente, além de incluir ideogramas específicos para termos inteiros como “général”, “vous” e “les”, o que neutraliza as tentativas tradicionais de decifração por análise estatística de repetição de caracteres.

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A inteligência artificial realizou todo o processo a partir de uma única imagem escaneada em baixa resolução do manuscrito. O sistema transcreveu os 155 símbolos distintos, gerou códigos para algoritmos de têmpera simulada e processou hipóteses sintáticas em francês. Antes desse experimento, o historiador francês de criptologia Daniel Tant havia decifrado uma chave parcial com 33 valores que correspondiam a cerca de 435 unidades do texto, deixando a maior parte da carta ainda inacessível.

“Todo mundo já teve a experiência de ver um modelo alegar algo absurdo, mas a diferença aqui é que a solução é testável mecanicamente: há chance essencialmente zero de uma chave incorreta produzir um resultado coerente e historicamente consistente”, declarou Carter Church, em tradução livre.

Satoshi Tomokiyo valida a resolução no acervo digital Cryptiana

A solução obtida pelo modelo foi encaminhada para revisão independente de Satoshi Tomokiyo, engenheiro de patentes e criptógrafo responsável pelo acervo digital Cryptiana, especializado em documentos históricos codificados. Após a checagem rigorosa das correspondências linguísticas e dos padrões matemáticos, Tomokiyo transferiu o registro da carta de Marmont da categoria de mensagens não solucionadas para o catálogo de documentos decifrados.

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O teste de Church teve como referência outro avanço técnico recente no setor de inteligência artificial. O engenheiro Carter Leffen havia empregado o GPT-6 Astra para solucionar, em cerca de dez horas de processamento, uma mensagem alemã emitida em 1941 pela máquina Enigma, cujo enigma criptográfico resistia a análises há décadas.

Napoleão Bonaparte e a preparação militar na campanha de 1809

As instruções contidas na carta foram ordenadas por Napoleão Bonaparte em 16 de março de 1809 ao vice-rei da Itália e seu enteado, Eugène de Beauharnais, de cujo quartel-general partiu a correspondência. Na ocasião, o general Auguste de Marmont liderava cerca de 13.000 soldados franceses na Dalmácia, região geograficamente isolada dos demais contingentes imperiais em razão do avanço de forças austríacas no prelúdio da Guerra da Quinta Coligação.

A carta trazia diretrizes táticas sobre a distribuição e o efetivo de contingentes franceses, bávaros, saxões, poloneses e russos. A única reprodução moderna conhecida da folha cifrada havia sido publicada em 1 de janeiro de 1969 pelo tenente-coronel J. Vilcoq na revista Revue Historique des Armées, sob o título “Le Chiffre sous le Premier Empire”. A publicação continha uma datação incorreta de 1807, mas o cruzamento das informações operacionais confirmou que a redação ocorreu no fim de março de 1809, cerca de duas semanas antes do ataque austríaco contra a Baviera.

A leitura completa do documento também preencheu uma lacuna histórica nas memórias de Napoleão impressas em 1865, onde um trecho de instrução a Marmont aparecia interrompido. O texto decifrado pela inteligência artificial revelou o fim da frase, na qual o comando imperial orientava o general a não recuar diante de contingentes pequenos ou de “um ajuntamento de ralé”.

Dados do documento militar decifrado pelo GPT-6 Astra

  • Data original da determinação imperial: 16 de março de 1809
  • Publicação da reprodução no século XX: 1 de janeiro de 1969, na Revue Historique des Armées
  • Estrutura do documento: uma linha em francês legível e 24 linhas criptografadas
  • Volume total de texto codificado: cerca de 1.300 unidades cifradas
  • Complexidade gráfica: 155 caracteres manuscritos distintos sob regra homofônica
  • Base de decifração prévia de Daniel Tant: 33 valores identificados para 435 unidades
  • Tempo de execução de máquina do modelo: aproximadamente seis horas de processamento
  • Efetivo das forças sob comando de Auguste de Marmont: cerca de 13.000 combatentes na Dalmácia

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Variações de leitura e análise das transcrições de Eugène de Beauharnais

Pesquisadores que analisam o material observam que cerca de cinco símbolos da carta admitem leituras alternativas pontuais na composição dos termos. Ainda não se confirmou se a mensagem cifrada representa uma transcrição literal das ordens ditadas por Napoleão Bonaparte ou se consiste em uma síntese elaborada diretamente pela equipe do quartel-general de Eugène de Beauharnais antes do envio das linhas ao front da Dalmácia.

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