Médicos de São Paulo descartam cirurgia cardíaca do menino Kauan
A equipe médica do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto descartou a cirurgia cardíaca de Fontan no menino Kauan Carvalho Martins, de 5 anos, devido ao alto risco de morte decorrente de complicações neurológicas e pulmonares graves. A decisão clínica foi comunicada à família na sexta-feira (2), após a conclusão de uma série de exames diagnósticos pré-operatórios no interior paulista.
O paciente pediátrico, que nasceu com cardiopatia congênita caracterizada por ventrículo único funcional, viajou acompanhado pela mãe, a dona de casa Laise Sousa Carvalho, após mobilizações públicas e decisões judiciais no Tocantins. Com a contraindicação formal do procedimento cirúrgico paliativo, a criança será transportada de volta ao estado de origem em UTI aérea para observação clínica inicial no Hospital Geral de Palmas.
Avaliação diagnóstica de Kauan em São José do Rio Preto
O menino respira com dificuldade, alimenta-se exclusivamente por sonda enteral, não anda e não fala. Ele já havia passado por duas operações anteriores na mesma instituição de saúde e necessitava da cirurgia de Fontan, que representa a terceira e última etapa do tratamento paliativo para cardiopatias congênitas de ventrículo único. Antes da viagem, laudos do Hospital Municipal de Araguaína já apontavam fragilidade clínica severa e perda de acessos vasculares.
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Durante a internação iniciada em 25 de setembro de 2026 no hospital paulista, o paciente realizou tomografias de crânio e tórax, além de encefalograma e cateterismo cardíaco. Em nota oficial, o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto declarou que “após avaliação do paciente, a equipe médica prestou todos os esclarecimentos à família do mesmo”.
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Laise Sousa Carvalho relata decisão médica sobre o filho
A mãe do garoto relatou a determinação dos especialistas após a junta médica realizada na unidade. “É bem difícil começar. Esse vídeo, sabe? A médica acabou de passar, fizeram a reunião, né, que eu falei para vocês que ia fazer. E infelizmente não tem nada para se fazer pelo Cauã, sabe? Ele tem muitos problemas neurológicos, no pulmão e não dá para fazer nada por ele”, disse Laise Sousa Carvalho.
A dona de casa expressou a dor diante do prognóstico desfavorável após anos de espera pelo tratamento fora de domicílio. “A sensação que dá é que. Né, eu lutei tanto e morrer na praia. Mas Deus sabe que eu tentei o melhor. O risco dele, se mexer nele e ele morrer, é muito alto. Então, Não dá pra fazer nada por ele”, afirmou. A mãe acrescentou: “Entender e aceitar. Entender um diagnóstico desse não é fácil. E saber que ele vai ficar em casa agora e quando Deus quiser levar ele, Deus vai, né? Na hora dele”.
Cronologia do caso de Kauan Carvalho Martins
- 9 de setembro de 2026: Laise Sousa Carvalho se acorrenta aos portões do Hospital Geral de Palmas e à sede do Ministério Público do Tocantins
- 12 de setembro de 2026: Governo estadual confirma autorização da transferência interestadual mediante liberação de leito
- 25 de setembro de 2026: Paciente desembarca em São José do Rio Preto no período da noite por UTI aérea
- 29 de setembro de 2026: Criança passa por procedimento de cateterismo pré-operatório para diagnóstico cardiovascular
- 2 de outubro de 2026: Médicos descartam cirurgia em reunião com a mãe diante do risco cirúrgico de óbito
Retorno de Kauan para internação no Tocantins
A família de Kauan reside em Paraíso do Tocantins, município situado a cerca de 60 km de Palmas. A mãe aguardou dois anos pela viabilização do Tratamento Fora de Domicílio e manteve o filho internado durante 15 dias no Hospital Geral de Palmas antes de iniciar os protestos para exigir a transferência interestadual autorizada pela Justiça.
No retorno a Palmas, o menino deverá permanecer internado sob observação médica devido ao uso de um cateter venoso central na virilha. A data e o horário exatos da decolagem da UTI aérea de São Paulo rumo ao Tocantins ainda não foram confirmados. Também não há definição sobre o número exato de dias em que Kauan ficará hospitalizado antes de receber alta para os cuidados domiciliares.
