Starship da SpaceX chega à órbita da Terra em voo com suposto OVNI azul

Por
suposto 'OVNI' em transmissão ao vivo no lançamento do foguete Starship, da SpaceX - X/Twitter Foto: suposto 'OVNI' em transmissão ao vivo no lançamento do foguete Starship, da SpaceX - X/Twitter

O foguete Starship alcançou a órbita da Terra pela primeira vez durante a transmissão ao vivo de seu 14º voo de teste, momento em que espectadores registraram uma estrutura azul luminosa flutuando no espaço atrás da nave. A aparição gerou discussões e teorias variadas nas redes sociais sobre a presença de um objeto voador não identificado ao longo da trajetória espacial do veículo construído pela SpaceX.

O lançamento ocorreu a partir da base Starbase, localizada em Boca Chica, no Texas, na segunda-feira, 28 de setembro de 2026. A missão marcou a primeira ocasião em que o sistema de transporte espacial de grande porte da fabricante norte-americana superou os perfis de testes suborbitais cumpridos nos 13 lançamentos integrados anteriores, atingindo velocidade suficiente para se estabelecer em órbita baixa ao redor do planeta.

Foguete Starship - Instagram
Foto: Foguete Starship – Instagram

Aparição luminosa na transmissão da Starship divide opiniões

Durante a exibição em tempo real do teste, o público observou uma formação alongada e curvada de tom azulado dotada de uma ponta brilhante na escuridão do espaço exterior. O momento exato em que a imagem se formou gerou leituras diferentes entre a comunidade de observadores: alguns relatos indicaram o surgimento de uma névoa difusa por volta de 6 minutos e 35 segundos de voo, enquanto as capturas mais nítidas e difundidas registraram o rastro bem delineado entre 7 minutos e 44 segundos e 7 minutos e 55 segundos após a partida da plataforma.

Sem explicações imediatas emitidas pela empresa ou por Elon Musk, fundador, CEO e designer-chefe da SpaceX, internautas passaram a formular hipóteses sobre o fenômeno. Algumas postagens sugeriram o avistamento de uma espaçonave de origem desconhecida, enquanto outros usuários cogitaram a passagem da Estação Espacial Internacional no campo de visão das câmeras montadas na fuselagem do foguete.

Divulgadores científicos e especialistas em observação de lançamentos rebateram essas suposições e apontaram uma causa comum em engenharia aeroespacial. O divulgador científico Dean Scott indicou que o formato curvado correspondia a uma nuvem de gás residual liberada pelos propulsores da nave ou pelos sistemas de manobra do propulsor Super Heavy logo após a separação de estágios. No ambiente de vácuo, as partículas expelidas se expandem com rapidez e continuam a refletir a luz solar direta contra o fundo escuro do espaço, gerando efeitos ópticos conhecidos que costumam ser confundidos com corpos sólidos.

Dados do voo 14 da Starship no Texas

  • Data e horário de decolagem: segunda-feira, 28 de setembro de 2026, às 08h48 no horário de Nova York (EDT)
  • Local de lançamento: Starbase, em Boca Chica, Texas, Estados Unidos
  • Altitude aproximada da órbita atingida: 275 quilômetros acima da superfície da Terra
  • Carga operacional transportada: 26 satélites Starlink V3 inseridos na órbita baixa terrestre
  • Duração da missão: cerca de 3 horas, com amerissagem no Oceano Pacífico

Starship coloca primeiros satélites Starlink V3 em órbita

Além da validação técnica da inserção orbital a cerca de 275 quilômetros de altitude, o 14º voo de teste serviu como a primeira missão da Starship com transporte efetivo de equipamentos operacionais. A nave liberou com sucesso 26 satélites Starlink V3 na órbita baixa da Terra, ampliando a infraestrutura de comunicação da companhia e demonstrando a capacidade de liberação de carga pelo compartimento do foguete.

O CEO Elon Musk confirmou o êxito da operação de posicionamento por meio de declaração sobre a integridade dos equipamentos. “Todos os 26 satélites operacionais Starlink V3 foram implantados e estão funcionando normalmente”, declarou o executivo. A confirmação de telemetria assegurou a comunicação estável entre a base terrestre e cada um dos satélites liberados.

A dimensão da capacidade de transporte do novo veículo em relação aos lançadores tradicionais também foi detalhada pela equipe de solo. Dan Huot, gerente de comunicações e porta-voz da SpaceX, afirmou que a carga colocada no espaço durante a manobra “equivaleu a cerca de 20 voos do Falcon 9 em termos de largura de banda”, ressaltando a escala operacional que a nova classe de foguetes pretende atingir no mercado aeroespacial comercial.

Corte na duração da missão e queda de motor Raptor

Embora a inserção na altitude planejada e a soltura dos satélites tenham sido cumpridas com sucesso, o voo não realizou o cronograma original completo. O plano previa uma jornada de dez horas de duração com seis voltas completas ao redor da Terra. A operação acabou encurtada pela equipe de controle de voo para aproximadamente três horas de atividade no espaço.

A decisão de interromper o teste de forma antecipada ocorreu após uma falha precoce com desligamento não programado de um dos motores Raptor durante a etapa de subida da nave. Com o problema técnico identificado na propulsão, os engenheiros determinaram a trajetória de reentrada controlada mais rápida para preservar a segurança da espaçonave, finalizando o ensaio com uma amerissagem nas águas do Oceano Pacífico, ao norte do arquipélago do Havaí, às 11h00 no horário da região central dos Estados Unidos (CT).

O histórico do programa Starship somava 13 voos de testes integrados realizados desde o ano de 2023, período em que todos os perfis adotados seguiam trajetórias suborbitais sem atingir velocidade orbital sustentada. A queima realizada por um único propulsor Raptor para a inserção final representou o avanço mais significativo do projeto até este momento.

Definições sobre objetos não identificados e posicionamentos oficiais

O conceito de objeto voador não identificado é adotado formalmente por órgãos civis e militares para classificar qualquer corpo ou fenômeno aéreo cuja natureza não seja confirmada de imediato pelos operadores ou radares. A designação técnica não pressupõe origem fora da Terra e costuma abranger balões meteorológicos, satélites desativados, lixo espacial em reentrada, drones ou reflexos luminosos em lentes e gases.

No Brasil, relatos dessa natureza passam por catalogação arquivística mantida pelo Arquivo Nacional com registros fornecidos pela Aeronáutica. Nos Estados Unidos, a agência espacial norte-americana, a NASA, adotou a partir de 2022 o termo UAP, sigla em inglês para fenômenos anômalos não identificados, visando conduzir avaliações científicas independentes sobre detecções visuais ou eletrônicas em território aéreo e na órbita.

Até o momento, nem a SpaceX nem a NASA publicaram notas técnicas oficiais esclarecendo de maneira conclusiva a natureza do rastro luminoso registrado pelas câmeras do Flight 14. As equipes técnicas da SpaceX seguem agora analisando a telemetria do desligamento do motor Raptor para definir as correções mecânicas da nave antes do agendamento do 15º voo de teste do programa.

Notícias relacionadas