O número de funcionários que utilizam inteligência artificial nas companhias cresceu 183% entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento da plataforma corporativa Luria registrou também que o volume mensal de perguntas enviadas aos sistemas avançou 240% na mesma janela.
Os números refletem o comportamento de empresas ativas em segmentos como energia, setor farmacêutico, varejo e serviços financeiros no Brasil. “A pergunta que separa as empresas hoje não é qual modelo de IA elas escolheram, porque isso muda a cada seis meses. É o que fica na companhia quando o modelo troca ou quando a pessoa que faz as melhores análises muda de área ou até mesmo de empresa”, afirmou Allan Miranda, CEO e cofundador da PX Data, criadora da Luria.
Distribuição das consultas à IA ao longo do expediente
A pesquisa de telemetria identificou que o uso corporativo deixou de ser pontual e passou a ocupar períodos contínuos da jornada de trabalho. A faixa das 14h às 18h concentra 41% das interações diárias, enquanto o intervalo matutino das 9h às 12h responde por 29% das demandas.
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Os horários com maior densidade de requisições acontecem às 11h, com 11,6% do total diário, e às 15h, com 11,3%. Entre 11h e 13h, o tráfego de perguntas cai pela metade em virtude do intervalo de almoço dos funcionários, voltando a acelerar a partir das 14h30.
A intensidade das atividades também varia conforme o calendário semanal. As terças-feiras e quintas-feiras concentram as maiores taxas de acesso à plataforma, enquanto a sexta-feira apresenta o menor volume registrado entre os dias úteis. Metade dos usuários ativos faz três ou mais consultas em cada dia de acesso à tecnologia.
Dados do levantamento da plataforma Luria
- Período monitorado: 1º de janeiro a 31 de agosto de 2026, comparado a igual intervalo de 2025
- Origem dos registros: telemetria de clientes ativos nos setores de energia, farmacêutico, financeiro e varejo
- Crescimento de usuários: avanço de 183% na base deduplicada de funcionários corporativos
- Volume de consultas: aumento de 240% no tráfego mensal de perguntas à tecnologia
- Horários de pico: 11h (11,6% das consultas diárias) e 15h (11,3% das demandas)
- Dias mais movimentados: terça-feira e quinta-feira, com menor movimento às sextas-feiras
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Evolução de usuários corporativos e investimentos no setor
O ritmo de adoção da ferramenta não ocorreu de maneira linear durante os oito meses analisados. Os dados apontam um intervalo de estabilidade em abril de 2026, seguido por dois saltos acentuados de expansão nos meses de maio e agosto.
A PX Data, startup do Rio de Janeiro responsável pela ferramenta Luria, captou R$ 15 milhões em abril de 2026 em uma rodada de investimentos liderada pelo Bradesco Venture Capital, com participação do fundo Vibra Ventures. A avaliação considerou ambientes externos de produção e desconsiderou testes e contas corporativas da própria fornecedora.
Desafios na implementação de inteligência artificial em grandes empresas
Indicadores de mercado mostram descompasso entre a contratação de ferramentas e a maturidade de aplicação. No cenário nacional, a pesquisa TIC Empresas 2025, realizada pelo Cetic.br e pelo NIC.br, apontou que o uso de inteligência artificial subiu de 13% para 17% entre as companhias do país, alcançando 50% no recorte de grandes corporações.
No mercado internacional, levantamento da McKinsey indicou que 44% das empresas conseguiram expandir a tecnologia por toda a estrutura operacional, e apenas 6% foram classificadas como organizações de alto retorno financeiro com os recursos. No Brasil, o estudo State of AI in the Enterprise 2026, da consultoria Deloitte, apontou que 23% das organizações levaram para a operação 40% ou mais dos projetos-piloto de IA, enquanto 58% implementaram no máximo 20% das iniciativas testadas.
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O total absoluto de consultas processadas e o número exato de funcionários avaliados no relatório da Luria não foram informados pela empresa, que baseou a divulgação apenas em percentuais agregados.
