Palestra no MAST discute papel da ciência diante das alterações climáticas do planeta

Planeta Terra Foto: Planeta Terra - Foto: Emre Okutan/Shutterstock.com

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) reuniu pesquisadores para debater a credibilidade da produção científica e a crise climática durante a conferência “Que ciências para um planeta em transformação?”. A atividade foi conduzida pela professora Alyne Costa no auditório do Prédio Ronaldo Mourão, na sede da instituição em São Cristóvão, na Zona Norte da capital fluminense.

A apresentação integrou a programação anual do ciclo MAST Colloquia, que em 2026 estabeleceu como eixo central as discussões sobre o tema “Clima e sociedade: alterações climáticas, conhecimentos e dinâmica política”. O encontro teve mediação de Fabiola Fonseca, pesquisadora vinculada à Coordenação de Educação em Ciências (COEDU) do museu, concentrando discussões sobre a habitabilidade global e as transformações do Antropoceno.

Alyne Costa alerta para meio século de inação diante do clima

Durante a sua exposição, a professora do Departamento de Filosofia da PUC-Rio ressaltou o descompasso entre o acúmulo de comprovações científicas e a resposta prática da sociedade em escala global. Alyne Costa pontuou que o conhecimento estabelecido sobre o aquecimento global não tem se traduzido em mobilização correspondente da comunidade internacional para frear a degradação ambiental acelerada nas últimas décadas.

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“Quem diz hoje que a mudança climática não existe? Mas, ao mesmo, não é algo que tira sono de ninguém. É a maior ameaça já enfrentada pela humanidade, sem comparação, é o maior fenômeno científico já documentado na história em termos de evidência, de comparação, e ainda assim, 50 anos depois que começaram a soar os alarmes a gente tá aqui, quieto”, afirmou a pesquisadora.

Expansão da Big Science e os desafios da credibilidade

Ao abordar os momentos históricos do fazer científico, a palestrante detalhou como o avanço das parcerias entre centros de pesquisa, estruturas governamentais e corporações privadas transformou a imagem pública dos pesquisadores. Esse modelo de produção em larga escala, frequentemente conceituado como Big Science, gerou benefícios materiais palpáveis, mas também abriu espaço para questionamentos sobre eventuais conflitos de interesses e a neutralidade dos estudos publicados.

“A gente começa a ver umas mudanças muito importantes na relação entre ciência, governo e indústria. Isso que a gente chama de Big Science começa a crescer, porque a ciência se torna tão bem sucedida na comprovação de que ela traz benefícios para a sociedade que todo mundo quer um pouquinho disso e todo mundo quer, de certa forma, impulsionar pesquisa, impulsionar desenvolvimento. A ciência começa a então receber para dentro da sua alcova parceiros que a sociedade sempre teve algum tipo de desconfiança: governos, empresas… Então começa a haver uma certa desconfiança sobre a alegada neutralidade e desinteresse da prática científica”, disse Alyne Costa.

Para contornar o ceticismo e o negacionismo, a professora defendeu que o setor acadêmico crie canais mais abertos de aproximação com os cidadãos. “Se a gente quiser que as pessoas acreditem nos fatos que os cientistas demoram tanto a estabilizar, a gente talvez precise produzir meios de engajar as pessoas, torná-las interessadas. Acho que talvez seja a única maneira da gente tentar produzir algum tipo de confiança”, apontou a pesquisadora da PUC-Rio.

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Ciclo MAST Colloquia mobiliza debates desde 1996

Criado em 1996, o ciclo de palestras permanentes MAST Colloquia funciona como um espaço multidisciplinar voltado aos temas investigados pelas equipes técnicas da instituição de pesquisa sediada no Rio de Janeiro. A agenda recente concentra estudos direcionados a analisar de que forma as alterações ecológicas contemporâneas obrigam a uma revisão teórica dos conceitos tradicionais de humanidade e natureza.

A instituição promove essas conferências com acesso gratuito para estudantes, pesquisadores e moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro, com o objetivo de aproximar o conhecimento acadêmico da comunidade em geral.

Estrutura e detalhes da conferência no MAST

  • Data da palestra: quarta-feira, 30 de setembro de 2026, às 14h
  • Local do evento: Auditório do Prédio Ronaldo Mourão, sede do MAST, em São Cristóvão, Rio de Janeiro
  • Entrada: gratuita e aberta ao público presencial
  • Mediação: Fabiola Fonseca, da Coordenação de Educação em Ciências (COEDU/MAST)
  • Publicação dos debates institucionais: quarta-feira, 7 de outubro de 2026, às 13h17

A divulgação dos debates marca o andamento do cronograma temático do museu para o ciclo de 2026, que segue com atividades institucionais voltadas a discutir a dinâmica política e o conhecimento científico em torno das mudanças climáticas.

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