Os Estados Unidos, a China e a Rússia aceleram projetos concorrentes para construir e transportar os primeiros reatores de fissão nuclear ao polo sul da Lua entre 2030 e 2036. A mobilização técnica busca viabilizar bases tripuladas e estações científicas permanentes em um ambiente onde sistemas tradicionais de geração elétrica não conseguem manter operações contínuas.
Uma análise comparativa divulgada na terça-feira (6) detalhou as exigências técnicas das iniciativas lideradas pela agência espacial norte-americana NASA e pela parceria firmada entre a agência espacial russa Roscosmos e a Administração Espacial Nacional da China (CNSA). As potências consideram a tecnologia atômica indispensável para alimentar suportes vitais e maquinários industriais durante a noite lunar, período de escuridão contínua que dura aproximadamente 14 dias terrestres e registra temperaturas inferiores a -200 °C em crateras polares.
NASA projeta reator de fissão de até 40 kW sob a campanha Artemis
O governo norte-americano estruturou sua iniciativa sob o programa Fission Surface Power (FSP), formalizado em memorando assinado em 13 de janeiro de 2026 entre o administrador da NASA, Jared Isaacman, e o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright. A meta estabelecida pela administração federal fixa a prontidão técnica para lançamento do primeiro reator de superfície até 31 de dezembro de 2030, cumprindo diretriz executiva expedida pela Casa Branca em dezembro de 2025 para instalar um posto avançado estável no satélite.
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“Sob a política espacial nacional do presidente Trump, a América está comprometida em retornar à Lua, construir a infraestrutura para ficar e fazer os investimentos necessários para o próximo salto gigante até Marte e além. Alcançar esse futuro exige o aproveitamento da energia nuclear”, afirmou Isaacman, em tradução livre do comunicado oficial do programa.
O projeto norte-americano prevê um sistema compacto com potência elétrica situada na faixa entre 20 kW e 40 kW, embora referências conceituais de longo prazo da agência considerem alternativas ampliadas. Ao justificar a cooperação entre as pastas federais, Wright declarou que a história mostra que a união da ciência e da inovação norte-americanas, a exemplo do Projeto Manhattan e da Missão Apollo, permitiu ao país liderar o mundo para alcançar novas fronteiras antes consideradas impossíveis, e que o novo acordo dá continuidade a esse legado.
Parceria entre China e Rússia planeja usina automatizada para a base ILRS
Em frente paralela, a China e a Rússia direcionam esforços para erguer uma central de geração nuclear autônoma destinada à Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), projeto anunciado conjuntamente em 2021. O plano conjunto projeta a entrega do módulo de energia na superfície da Lua para 31 de dezembro de 2035, com o início pleno de operações previsto até 2036, integrando infraestruturas científicas que operam de forma independente dos Acordos Artemis chefiados pelos norte-americanos.
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Como parte do cronograma industrial russo, a Roscosmos contratou a fabricante aeroespacial NPO Lavochkin, liderada pelo diretor-executivo Vasily Marfin, para escalonar as etapas logísticas do equipamento. O planejamento prevê missões preliminares entre 2033 e 2034 destinadas a testar pousos de precisão e preparar o terreno no polo sul lunar, antecedendo o envio da unidade geradora projetada preliminarmente com capacidade de 10 kW.
Estudo aponta densidade da fissão nuclear para enfrentar a noite lunar de 14 dias
Um estudo publicado no periódico científico npj Space Exploration avaliou que a fissão nuclear representa a tecnologia viável com maior densidade energética para sustentar colônias prolongadas fora da Terra. A pesquisa ressaltou que as baterias químicas atuais e os conjuntos fotovoltaicos tornam-se excessivamente pesados e ineficientes para suportar as duas semanas ininterruptas de frio extremo da noite lunar sem luz solar incidente.
Os pesquisadores ponderaram, contudo, que o uso de reatores exige superar gargalos complexos de engenharia, como a necessidade de construir barreiras espessas de regolito lunar para contenção de radiação contra astronautas e circuitos sensíveis, além de mecanismos eficientes de radiadores para dissipar calor residual no vácuo. A demanda de energia cresce substancialmente se houver mineração local: a extração e a eletrólise de água congelada para gerar 10 toneladas de oxigênio demandam cerca de 68 kW de potência contínua, volume que excede as capacidades das primeiras unidades em desenvolvimento.
Cronograma e especificações das iniciativas nucleares na Lua
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- Potência planejada pelos Estados Unidos: faixa de 20 kW a 40 kW com meta de prontidão fabril até 31 de dezembro de 2030
- Capacidade estimada da unidade sino-russa: 10 kW com instalação projetada até 31 de dezembro de 2035
- Demanda energética para produzir 10 toneladas de oxigênio lunar: 68 kW contínuos aplicados na extração e eletrólise da água
- Condições ambientais no polo sul: escuridão contínua de 14 dias terrestres e frio de até -200 °C
Pontos pendentes e próximos passos da exploração nuclear lunar
Apesar dos acordos governamentais firmados em Washington, Pequim e Moscou, aspectos críticos de ambas as campanhas permanecem em aberto. No programa norte-americano, não está confirmado se o reator de superfície estará instalado e em funcionamento no solo lunar em 2030 ou se a data representa apenas o término dos testes de qualificação para voo nos laboratórios terrestres.
No bloco sino-russo, as agências não divulgaram publicamente a composição do combustível atômico que alimentará a central automatizada nem a classe de foguetes lançadores pesados encarregados de transportar a carga entre 2033 e 2035. Os próximos passos das duas frentes dependem da conclusão dos testes de engenharia térmica e da definição dos veículos de pouso de grande porte voltados a descer a infraestrutura nas crateras do polo sul.
