Sonda da NASA fotografa espaçonave sul-coreana Danuri na órbita da Lua

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"prancha de surf" sobrevoando a Lua - NASA/Goddard/Universidade Estadual do Arizona) Foto: "prancha de surf" sobrevoando a Lua - NASA/Goddard/Universidade Estadual do Arizona)

A sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, operada pela agência espacial norte-americana NASA, registrou imagens da espaçonave sul-coreana Danuri durante aproximações em alta velocidade na órbita da Lua. As capturas ópticas mostraram o veículo espacial asiático transformado em um traço fino e prateado semelhante a uma prancha de surfe, provocado pela velocidade relativa de 11.500 quilômetros por hora entre os dois artefatos.

O efeito visual incomum decorre do desfoque de movimento provocado pelo deslocamento das espaçonaves em direções opostas. Em comunicado divulgado sobre a manobra, a NASA esclareceu a deformação técnica: “Embora o tempo de exposição da câmera da LRO tenha sido muito curto, de apenas 0,338 milissegundo, a Danuri ainda aparece borrada em dez vezes o seu tamanho na direção oposta ao deslocamento por causa das altas velocidades relativas entre as duas espaçonaves”, em tradução livre.

Sonda Danuri cruza caminho da LRO em manobras orbitais

NASA - NASA
Foto: NASA – NASA

Os registros aconteceram entre 5 e 6 de março de 2024, período em que as duas naves espaciais cruzaram rotas em três órbitas distintas na região lunar. A Danuri, formalmente designada como Korea Pathfinder Lunar Orbiter (KPLO), viajava em trajetória paralela, mas em sentido inverso ao do satélite da NASA, exigindo manobras precisas das equipes de solo para apontar os instrumentos de captura no momento exato de cada passagem.

Durante a primeira das três passagens de aproximação, os controladores de voo da missão norte-americana tiveram de alterar a inclinação rotineira dos sensores ópticos para captar o artefato sul-coreano. A agência explicou que o enquadramento exigiu cálculos detalhados: “Na primeira oportunidade de imagem, a LRO foi orientada 43 graus para baixo de sua posição típica de observação da superfície lunar para capturar a Danuri cruzando o centro a partir de 3 milhas, ou 5 quilômetros, acima dela”, afirmou a equipe da missão em tradução livre.

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Na segunda passagem, a distância vertical entre os dois orbitadores diminuiu para 4 quilômetros, permitindo um novo registro sob condições ópticas semelhantes. Na terceira órbita, as naves ficaram separadas por uma distância vertical de 8 quilômetros, ocasião em que a equipe operacional posicionou a sonda norte-americana em uma inclinação de 60 graus para conseguir manter a Danuri dentro do campo de visão da câmera estreita.

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Câmera LROC operou com frações mínimas de segundo

Para conseguir registrar um objeto movendo-se a 11.500 quilômetros por hora em relação ao seu próprio referencial, a câmera de ângulo estreito do sistema Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC) funcionou no limite de sua capacidade de obturação. O intervalo de exposição de 0,338 milissegundo evitou que a espaçonave sul-coreana se transformasse em uma linha invisível, mas o tempo não foi suficiente para impedir que a estrutura sofresse o alongamento visual de dez vezes.

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A equipe do sistema LROC é liderada pelo cientista Mark Robinson, pesquisador principal do projeto na Universidade Estadual do Arizona. Robinson também supervisiona a operação da câmera ShadowCam, instrumento científico fornecido pela própria agência norte-americana para integrar a carga útil do orbitador Danuri, demonstrando a colaboração técnica contínua entre os programas espaciais dos dois países.

O equipamento sul-coreano tem formato cúbico convencional, dotado de antenas e painéis solares planos e retangulares nas laterais. O aspecto de lâmina metálica e delgada observado nas imagens públicas não corresponde à geometria física real da nave, derivando exclusivamente do tempo que a luz levou para ser processada pelos sensores eletrônicos enquanto a nave percorria quilômetros a cada fração mínima de segundo.

Cronologia da exploração com as sondas Danuri e LRO

O encontro e a subsequente divulgação pública das fotografias coroaram anos de atividade operacional de ambas as missões científicas na órbita do satélite natural da Terra:

  • 18 de junho de 2009: Lançamento da missão Lunar Reconnaissance Orbiter pela NASA a partir do Cabo Canaveral;
  • 4 de agosto de 2022: Lançamento da sonda Danuri pelo Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia a bordo de um foguete espacial;
  • 16 de dezembro de 2022: Conclusão da viagem de transferência e inserção com sucesso da Danuri na órbita lunar;
  • 7 de abril de 2023: Instrumento ShadowCam da Danuri fotografa a sonda LRO a 18 quilômetros de distância vertical;
  • 5 de março de 2024: Início da série de cruzamentos orbitais de três órbitas que resultou nos registros da Danuri esticada;
  • 5 de abril de 2024: NASA divulga os arquivos de imagem processados e detalha o motivo óptico da deformação visual.

Instrumento ShadowCam antecedeu registros entre naves na Lua

A aproximação registrada em março de 2024 não configurou o primeiro contato visual entre os dois veículos espaciais. Em 7 de abril de 2023, a sonda Danuri utilizou a câmera ShadowCam para captar imagens da traseira da LRO quando os satélites passaram com uma distância vertical de 18 quilômetros entre si, aproveitando a sensibilidade luminosa extrema do equipamento óptico fornecido pelos norte-americanos.

A ShadowCam foi concebida para mapear áreas permanentemente sombreadas situadas no fundo de crateras dos polos lunares, regiões que nunca recebem luz solar direta e que permanecem inacessíveis para as câmeras padrão da LRO. A alta sensibilidade do equipamento permite coletar dados topográficos detalhados usando apenas a luz fraca refletida por bordas de crateras e montanhas vizinhas.

A missão do Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia tem como atribuição principal identificar recursos naturais, como gelo de água, hélio-3, urânio, silício e alumínio, além de testar tecnologias experimentais como uma rede de internet espacial. As informações geológicas e os mapas detalhados de relevo coletados pelos sensores da sonda sul-coreana fornecem dados que apoiam o planejamento de futuros pousos robóticos e tripulados na superfície do satélite natural.

Manobras conjuntas na órbita lunar permanecem sem novas datas

A velocidade relativa das duas sondas gerou inicialmente uma estimativa de 11.000 quilômetros por hora na primeira nota técnica da agência espacial dos Estados Unidos, mas cálculos de telemetria revisados ajustaram o valor oficial para 11.500 quilômetros por hora dias após a primeira divulgação pública.

Até o momento, não constam divulgações de novas sessões fotográficas de aproximação mútua programadas entre os operadores da Danuri e da missão Lunar Reconnaissance Orbiter em datas posteriores aos eventos registrados em março de 2024. As duas espaçonaves permanecem em suas respectivas trajetórias científicas ao redor do corpo celeste, coletando dados independentes de mapeamento e sensoriamento remoto da superfície da Lua.

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