Nasa valida coronógrafo do telescópio Roman após registrar estrelas
O instrumento coronógrafo do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman registrou suas primeiras imagens no espaço após captar luz estelar na Grande Nuvem de Magalhães. O sistema comprovou uma estabilidade de apontamento com margem de desvio inferior a 1/100.000 de grau durante os ensaios técnicos, desempenho comparável a manter a mira de um feixe de laser fixa em uma moeda a 240 quilômetros de distância.
A agência espacial norte-americana divulgou os resultados em 30 de setembro de 2026, confirmando que o observatório conseguiu bloquear a radiação direta de corpos celestes brilhantes para viabilizar o registro de estruturas tênues em sua órbita. “Nossos testes confirmaram que somos capazes de manter o observatório muito estável para operações científicas: melhor que 1/100.000 de grau durante meia hora por vez para observações do Wide Field Instrument ou por oito horas por vez para observações do instrumento coronógrafo, que levam muito mais tempo. Este foi um momento muito empolgante para a equipe”, afirmou Begoña Vila, líder de sistemas do instrumento de guiamento do Roman no Goddard Space Flight Center da Nasa, em tradução livre.
Estabilidade de apontamento e precisão do telescópio Roman
O sistema de guiamento fino do observatório passou por verificações entre 15 e 21 de setembro de 2026 para avaliar a capacidade de sustentação do foco astronômico. Para manter a estabilidade exigida pelas câmeras, o instrumento principal do Roman, chamado Wide Field Instrument, utiliza pequenas seções dos seus 18 detectores para monitorar continuamente estrelas de referência que possuem coordenadas previamente mapeadas com extrema exatidão.
Earth to Roman! 📡 Our team has deployed Roman’s high-data-rate dish antenna. This antenna will be used to send more than a terabyte of science data down from the observatory daily. https://t.co/VCza9Jp04D https://t.co/mHEmPcLgdg
— Nancy Grace Roman Space Telescope (@NASARoman) September 1, 2026
As informações de posicionamento são transmitidas quatro vezes por segundo ao mecanismo de controle de atitude da nave espacial. Esse fluxo ininterrupto de dados permite que os propulsores e atuadores realizem microcorreções imediatas para compensar vibrações térmicas e oscilações estruturais. A equipe de engenharia em Pasadena, na Califórnia, trabalha com a meta de estender a precisão do sistema para o equivalente a atingir o alvo de uma moeda a 370 quilômetros de distância nas próximas fases de calibração fina.
“Cada observação do Roman depende de sua capacidade de permanecer apontado com precisão para a região correta do espaço por tempo suficiente para coletar uma imagem, o que pode levar de minutos a horas para uma exposição profunda”, explicou Begoña Vila ao detalhar as exigências mecânicas da missão.
Primeiros ensaios do coronógrafo do Roman na Grande Nuvem de Magalhães
A captação inicial de luz estelar pelo coronógrafo ocorreu em 22 de setembro de 2026, quando a equipe direcionou a óptica para uma estrela tênue na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia anã vizinha da Via Láctea. Nessa etapa de abertura do sensor, os operadores mantiveram os detectores aquecidos propositalmente acima da temperatura final de operação científica, uma barreira térmica planejada para evitar que gases residuais e partículas voláteis da nave se condensassem nas superfícies ópticas sensíveis.
Após a conclusão da fase de liberação de resíduos, os engenheiros resfriaram os detectores aos parâmetros nominais de trabalho e apontaram o telescópio para outro quadrante da Grande Nuvem de Magalhães em 27 de setembro de 2026. A segunda exposição revelou um campo com múltiplos pontos estelares em foco preciso, validando a integração entre o subsistema óptico e os algoritmos de controle de solo.
“Esta observação confirma que o instrumento pode produzir uma imagem focada. É um teste muito limitado que dá início a um processo metódico de tarefas cada vez mais complexas que nos ajudam a preparar o instrumento para futuras observações”, declarou Vanessa Bailey, cientista do instrumento coronógrafo do Roman no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em tradução livre. A análise dos dados e o processamento de telemetria contam com a coordenação de Alexandra Greenbaum, líder do sistema de gerenciamento de dados do coronógrafo no IPAC/Caltech.
Diferenças ópticas do telescópio Roman em relação ao Hubble e ao Webb
Projetado como uma demonstração tecnológica pioneira, o coronógrafo do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman possui capacidade de atenuar o brilho de uma estrela hospedeira em fatores que variam de 100 milhões a 1 bilhão de vezes. Essa supressão luminosa viabiliza a detecção de planetas gasosos e anéis de poeira interestelar que seriam completamente ofuscados pela luz da estrela central nos instrumentos astronômicos convencionais.
Ao contrário dos coronógrafos puramente passivos montados nos telescópios espaciais Hubble e James Webb, que usam máscaras físicas fixas para bloquear a luz, o equipamento do Roman integra tecnologia óptica ativa com espelhos deformáveis. Esses componentes microscópicos mudam de formato em tempo real para anular pequenas falhas de reflexão e aberrações de frente de onda causadas por variações térmicas no espelho principal da nave. O método servirá como base de desenvolvimento para a concepção do Habitable Worlds Observatory, futura missão astrofísica da Nasa planejada para catalogar mundos potencialmente habitáveis.
O observatório também experimentará uma técnica inédita de guiamento baseada em espectros luminosos, padrões que decompõem a luz em seus diferentes comprimentos de onda. Como o telescópio foi desenhado para coletar esses perfis espectrais durante os estudos regulares de energia escura e astrofísica, os cientistas utilizarão as mesmas medições analíticas para estabilizar o apontamento da plataforma em substituição ao uso exclusivo de sensores de guiamento separados.
Cronologia das operações de teste do telescópio Roman no espaço
- 30 de agosto de 2026: lançamento do observatório a bordo do foguete Falcon Heavy a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, rumo ao ponto de Lagrange L2 Terra-Sol, situado a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
- 1 de setembro de 2026: energização e ligação primária dos circuitos e subsistemas eletrônicos do coronógrafo em ambiente orbital.
- 15 a 21 de setembro de 2026: execução da série principal de calibrações do sistema de guiamento fino e ensaios de estabilidade estrutural.
- 22 de setembro de 2026: primeira captação de fótons estelares pelo instrumento coronógrafo com detectores aquecidos na Grande Nuvem de Magalhães.
- 27 de setembro de 2026: segundo registro de imagens astronômicas de teste com sensores resfriados, confirmando a nitidez de múltiplos alvos estelares.
- 30 de setembro de 2026: anúncio oficial da validação dos ensaios de guiamento e das imagens operacionais pela equipe técnica da Nasa.
Próximas etapas do comissionamento e início das operações científicas
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman segue em regime de comissionamento operacional com duração prevista de três meses no ponto de Lagrange L2 Terra-Sol. Engenheiros do Centro de Voos Espaciais Goddard e do Laboratório de Propulsão a Jato dão continuidade ao cronograma de alinhamento óptico antes de autorizar o uso rotineiro das cargas úteis por equipes internacionais de astronomia.
A transição definitiva para os programas regulares de observação científica está programada para ocorrer no início de 2027, com previsão de divulgação das primeiras imagens científicas definitivas em 1 de janeiro de 2027.
