O telescópio espacial PRIMA foi selecionado pela NASA para ingressar na Fase B de desenvolvimento preliminar, tornando-se a missão inaugural da nova categoria Probe Explorers da agência espacial norte-americana. A iniciativa estabelece um teto orçamentário de até US$ 1,2 bilhão, excluindo custos do veículo de lançamento e despesas não relacionadas, para projetar um observatório com previsão de lançamento para 2033 voltado ao estudo do nascimento de planetas, estrelas e buracos negros.
A aprovação técnica decorre da análise de estudos conceituais iniciada em outubro de 2024, quando a agência espacial colocou em concorrência o projeto de infravermelho distante com a proposta de raios X chamada AXIS. Com a vitória da PRobe far-Infrared Mission for Astrophysics, os engenheiros iniciam o detalhamento dos componentes de tecnologia e dos instrumentos que operarão em órbita profunda.
“A missão PRIMA é a próxima janela da humanidade para o universo profundo. Ela revelará o obscuro através do tempo cósmico para entender melhor a formação de planetas, estrelas, buracos negros e até mesmo como a água na Terra surgiu”, afirmou Nicky Fox, administradora associada da Direção de Missões Científicas da NASA, em tradução livre sobre o anúncio oficial formalizado em 23 de setembro de 2026.
Telescópio PRIMA fecha lacuna entre o James Webb e o rádio terrestre
O objetivo científico central do observatório é cobrir uma faixa de radiação eletromagnética invisível aos aparelhos atuais em operação no espaço. Enquanto o telescópio espacial James Webb atua majoritariamente no infravermelho próximo e médio, registrando comprimentos de onda de 0,6 a 28,5 micrômetros, o PRIMA terá capacidade de detectar radiações muito mais longas. Esses comprimentos de onda conseguem atravessar densas nuvens de gás e poeira interestelar onde novos sistemas planetários estão sendo formados, permitindo também o estudo de elementos químicos frios e o mapeamento de moléculas de vapor de água cósmica.
Os dados gerados pelo observatório vão preencher o intervalo que separa as observações infravermelhas espaciais daquelas conduzidas por radiotelescópios instalados na superfície da Terra, como o complexo ALMA localizado no Chile. O último observatório espacial a cobrir esse espectro específico foi o satélite Herschel, coordenado pela Agência Espacial Europeia, cujas atividades se encerraram em 2013 quando o suprimento de hélio líquido utilizado para manter a refrigeração do equipamento se esgotou por completo após quatro anos de medições contínuas.
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“PRIMA representa um salto gigante para a astronomia no infravermelho distante, nascido de décadas de engenhosidade ousada no Caltech e no JPL”, declarou Ray Jayawardhana, presidente do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em tradução livre a respeito da liderança da instituição acadêmica na gestão científica da proposta.
Estrutura técnica e instrumentos do telescópio PRIMA
Diferentemente das missões anteriores que dependiam de tanques descartáveis de fluidos criogênicos, a arquitetura do telescópio conta com um sistema de refrigeração ativa em ciclo fechado. O espelho primário, construído inteiramente em alumínio com 1,8 metro de diâmetro, operará mantido a uma temperatura contínua de 4,5 Kelvin para anular o ruído térmico gerado pela própria estrutura do satélite. O Jet Propulsion Laboratory lidera o desenvolvimento e a integração de engenharia da missão, enquanto o centro IPAC do Instituto de Tecnologia da Califórnia atuará no processamento dos dados científicos gerados pelo complexo.
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- Diâmetro do espelho primário de alumínio: 1,8 metro
- Temperatura operacional de resfriamento ativo: 4,5 Kelvin
- Espectrômetro de alta resolução FIRESS: faixa espectral de 24 a 235 micrômetros
- Imageador e polarímetro auxiliar PRIMAger: mapeamento de campos magnéticos e imagens diretas
- Ponto orbital de operação planejado: Ponto de Lagrange L2 do sistema Terra-Sol
Quando o telescópio PRIMA deve chegar ao espaço?
A categoria Probe Explorers foi recomendada pelo relatório decenal Astro2020 das Academias Nacionais de Ciências dos Estados Unidos com a função de viabilizar missões que custassem valores intermediários entre os programas de médio porte e os megaprojetos multibilionários. Para garantir a viabilidade financeira e o cumprimento dos prazos até a década seguinte, a equipe chefiada pelo pesquisador principal Jason Glenn, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, precisará demonstrar a maturidade das tecnologias na próxima revisão formal de engenharia.
O cronograma institucional estabelece uma sequência de etapas para que o satélite seja construído, integrado e enviado à sua posição orbital definitiva a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, operando por pelo menos meia década de atividades regulares de pesquisa astrofísica.
- 23 de setembro de 2026: seleção oficial do projeto para ingresso na Fase B do programa Probe Explorers
- 24 de setembro de 2026: publicação de documento complementar listando os parceiros internacionais e agências colaboradoras
- 1 de janeiro de 2029: estimativa de conclusão da Fase C com entrega de subsistemas e instrumentos
- 1 de janeiro de 2033: meta temporal calculada para o lançamento espacial do observatório
- 2033 a 2038: intervalo nominal de cinco anos para a execução da missão científica principal
A NASA ainda não confirmou qual foguete governamental ou comercial será contratado para fazer o transporte do equipamento rumo ao Ponto de Lagrange L2. A data exata para a realização da revisão técnica de confirmação, etapa obrigatória que autorizará a liberação das verbas da Fase C de construção, será divulgada conforme o avanço dos testes preliminares de engenharia.
