Margaret Hamilton morre aos 90 anos após liderar software do voo da Apollo 11

Margaret Hamilton - Reprodução/YouTube

Margaret Hamilton - Reprodução/YouTube

A cientista da computação Margaret Hamilton morreu aos 90 anos em Cambridge, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. A matemática liderou a equipe do Laboratório de Instrumentação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts responsável por criar o sistema computacional de voo das missões Apollo da Nasa, responsável por viabilizar a descida do módulo lunar na superfície da Lua.

O anúncio do falecimento, ocorrido em 30 de setembro de 2026, foi divulgado oficialmente pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts na quarta-feira (7). Em declaração oficial da instituição, o chefe interino do Departamento de Aeronáutica e Astronáutica do MIT, Olivier de Weck, avaliou o alcance histórico do trabalho desenvolvido pela pesquisadora. “Dizer que Margaret Hamilton foi uma pioneira, dizer que ela estava à frente de seu tempo, seria um eufemismo dramático. Ela era uma engenheira de software em uma época em que esse campo estava na infância, e não apenas desenvolveu códigos avançados, mas também liderou uma equipe no uso dessa tecnologia nascente para criar um dos sistemas mais complexos que a humanidade já alcançou”, declarou o professor, em tradução livre.

Continue lendo: Nasa divulga imagem do rover Curiosity com paredões esculpidos pelo vento no Monte Sharp

Margaret Hamilton e os alarmes da missão Apollo 11

Foto: tripulantes da Apollo 11 – Rawpixel.com/Shutterstock.com

Durante a descida histórica do módulo lunar Eagle em 20 de julho de 1969, a arquitetura criada pelo grupo de Margaret Hamilton foi posta à prova diante de uma sobrecarga imprevista nos sistemas eletrônicos. A memória de armazenamento do computador de bordo contava com apenas 72 kilobytes, e comandos acionados inadvertidamente na cabine geraram um excesso de processamento a minutos do pouso. Como a estrutura do programa priorizava tarefas essenciais de navegação e descartava operações secundárias, os computadores conseguiram continuar operando.

Saiba mais: Telescópio espacial PRIMA avança na NASA com orçamento de US$ 1,2 bilhão

O episódio gerou alertas nos painéis que quase provocaram o cancelamento da manobra em direção ao solo lunar. “De repente, os alarmes de prioridade dispararam, 1201 e 1202. E eu sabia que esses alarmes soavam quando havia uma emergência, e eles não tinham razão para disparar naquele momento”, relatou Hamilton em entrevista sobre o momento crítico. A triagem automática configurada nos sistemas garantiu a descida segura dos astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin no Mar da Tranquilidade.

Quais foram os marcos na carreira de Margaret Hamilton?

Contratada pelo MIT em 1965 como a primeira mulher e primeira programadora na divisão dedicada ao projeto Apollo, Hamilton cunhou e popularizou o termo engenharia de software para exigir que a disciplina recebesse o mesmo rigor técnico e científico atribuído ao desenvolvimento de peças físicas e componentes de hardware. A pesquisadora acumulou vasta produção teórica e prática ao longo das décadas:

Veja também: Nuvens pirocumulonimbus geradas por incêndios florestais são mapeadas em missão inédita da NASA

  • Mais de 130 publicações científicas, relatórios e artigos acadêmicos elaborados como autora ou coautora;
  • Mais de 400 engenheiros e especialistas sob sua coordenação em 1968 durante o auge do programa espacial;
  • Dois computadores de navegação desenvolvidos para os módulos de comando e lunar, cada um pesando 32 quilos;
  • Duas empresas de tecnologia fundadas em Cambridge, a Higher Order Software em 1976 e a Hamilton Technologies em 1986.

Antes de coordenar a equipe espacial na universidade, a cientista trabalhou no departamento de meteorologia com Edward Norton Lorenz em projetos pioneiros de previsão do tempo associados à teoria do caos. Em 1961, integrou o programa militar de defesa aérea da Força Aérea americana, decifrando sistemas complexos antes de assumir as diretrizes dos sistemas operacionais dos voos espaciais.

Cronologia e homenagens na trajetória de Margaret Hamilton

A dedicação profissional rendeu condecorações de magnitude internacional no final de sua carreira acadêmica e empresarial. Em 2016, Margaret Hamilton recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade na Casa Branca, a maior honraria civil concedida pelo governo dos Estados Unidos. Na cerimônia, o presidente Barack Obama destacou a velocidade de resposta do código espacial. “Nossos astronautas não tinham muito tempo, mas felizmente eles tinham Margaret Hamilton”, afirmou o mandatário na ocasião, em tradução livre.

  • 17 de agosto de 1936: nascimento em Paoli, no estado de Indiana;
  • 1965: início dos trabalhos como pioneira de programação na missão lunar no MIT;
  • 20 de julho de 1969: pouso do módulo Eagle na Lua operado com o software de bordo da equipe;
  • 22 de novembro de 2016: condecoração com a Medalha Presidencial da Liberdade concedida por Barack Obama;
  • 2017: lançamento da minifigura oficial da coleção Mulheres da Nasa desenvolvida pela Lego;
  • 30 de setembro de 2026: falecimento aos 90 anos em Cambridge.

Confira também: SpaceX Crew-12 tem retorno confirmado pela NASA com transmissão ao vivo

Margaret Hamilton deixa a filha Lauren Hamilton, o genro Richard Selesnick, dois netos, quatro bisnetos e os irmãos John, David e Kathryn. A causa médica do falecimento da pesquisadora não foi informada pelos familiares nem pela instituição acadêmica.

Notícias Relacionadas