SEGA restringe uso de inteligência artificial e mantém criação humana

Sega - TK Kurikawa / Shutterstock.com Foto: Sega - TK Kurikawa / Shutterstock.com

A produtora de jogos SEGA decidiu não repassar a criação artística e o desenvolvimento de seus títulos para ferramentas de inteligência artificial generativa. A orientação corporativa mantém todo o fluxo de produção de conteúdo criativo sob a responsabilidade de profissionais humanos, restringindo os recursos automatizados a departamentos administrativos, tarefas de publicação e estudos preliminares de mercado.

O posicionamento foi detalhado pelo diretor executivo sênior e vice-diretor executivo de negócios da SEGA, Tsuyoshi Saito, durante entrevista ao jornal econômico japonês Nikkei, publicada na terça-feira (6). O executivo explicou que a empresa japonesa adota uma postura cautelosa para proteger a identidade criativa de suas obras e evitar atritos técnicos ou jurídicos na indústria internacional.

Diretrizes da SEGA para o uso corporativo de inteligência artificial

A decisão da companhia separa a infraestrutura de negócios da confecção artística digital dos projetos. De acordo com Tsuyoshi Saito, o ganho de produtividade com modelos computacionais generativos precisa respeitar limites claros dentro do estúdio, sem substituir os desenvolvedores nos aspectos centrais dos jogos.

“Estamos usando a IA para melhorar a eficiência em áreas como publishing e departamentos corporativos, bem como para gerar ideias de negócios. No entanto, estamos sendo muito cautelosos sobre seu uso no processo de desenvolvimento de jogos e não estamos confiando os aspectos criativos dos jogos à IA”, afirmou Tsuyoshi Saito, em tradução livre do japonês.

O direcionamento estratégico da fabricante de Tóquio inclui a atuação de uma força-tarefa interna e de um grupo multidisciplinar voltado a assegurar conformidade operacional e exigências legais globais, incluindo as regras estabelecidas por plataformas digitais de distribuição de computadores como a Steam.

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Comitê de IA Generativa da SEGA e atuação regulatória desde 2025

A governança das ferramentas computacionais dentro da SEGA começou a ser estruturada publicamente em 2025, ano em que a empresa apresentou o seu Comitê de IA Generativa durante a conferência de desenvolvedores CEDEC. O órgão corporativo conta com a participação ativa de representantes das áreas jurídica e de relações públicas das divisões regionais da América do Norte e da Europa, garantindo o cumprimento das legislações locais e a transparência em contratos de distribuição.

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A criação da estrutura interna ocorreu após questionamentos da comunidade sobre o jogo Crazy Taxi: World Tour. Na época, a listagem do título na loja Steam informava a utilização de ferramentas automatizadas, o que gerou repercussão entre o público. Posteriormente, a empresa esclareceu que os modelos de aprendizado de máquina serviram apenas como base em pesquisas conceituais e ideação de cenários, sem gerar qualquer elemento visual, modelo tridimensional ou asset final presente na versão jogável.

O criador e produtor da franquia Crazy Taxi, Kenji Kanno, reforçou que os limites do estúdio são restritos à fase de ideação. “Para nós, a extensão de como usamos IA generativa é apenas o que mencionei anteriormente. É apenas para ideias e apenas como referência. No futuro, a IA generativa provavelmente será um tópico ainda mais quente, mas acho que isso é tudo o que posso dizer agora sobre como usamos IA generativa para este jogo”, declarou Kanno, em tradução livre.

Parâmetros institucionais da SEGA para tecnologia e produção

  • Data da manifestação oficial: terça-feira, 6 de outubro de 2026.
  • Sede da companhia: Tóquio, Japão.
  • Estruturação do Comitê de IA Generativa: ano de 2025, apresentado na conferência CEDEC.
  • Setores com uso liberado: departamentos corporativos, publicação e prospecção de negócios.
  • Setores com restrição total: arte, design e criação final de assets em desenvolvimento de jogos.

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Produção de Stranger Than Heaven com computação gráfica tradicional

A política restritiva em relação a conteúdos gerados por inteligência artificial foi aplicada em Stranger Than Heaven, novo projeto comandado por Masayoshi Yokoyama, chefe do estúdio Ryu Ga Gotoku. O título tem previsão de lançamento oficial marcada para 15 de janeiro de 2027, com versões programadas para consoles e PC.

A produção traz o músico Snoop Dogg no elenco principal e apresenta a recriação da imagem do falecido rapper Tupac Shakur. Em vez de recorrer a geradores automatizados ou tecnologias de deepfake, a equipe trabalhou em parceria com a Amaru Entertainment, gestora oficial do espólio do artista, e construiu a figura digital inteiramente por meio de computação gráfica tradicional.

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Com essa abordagem técnica, a SEGA estabelece um fluxo de trabalho que mantém a assinatura humana em suas principais franquias, enquanto direciona o aprendizado de máquina exclusivamente para otimizar operações corporativas internas.

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