A Fator Administração de Recursos zerou suas posições aplicadas que ganhavam com o recuo dos juros futuros e liquidou as apostas vendidas em inflação implícita nos títulos públicos nesta semana. A instituição financeira concluiu que o resultado do primeiro turno da eleição presidencial já foi totalmente incorporado aos preços dos ativos de renda fixa.
O movimento ocorreu após o pregão de segunda-feira (5), marcado por uma forte reação positiva dos mercados à votação do senador Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Zeramos as posições na segunda-feira (5), já que está no preço uma vitória do Flávio Bolsonaro no segundo turno. Caso ele vença, eu não acho que teremos um novo alívio enquanto não tivermos uma novidade interna do fiscal e do plano de governo”, afirmou Ricardo Farias, gestor de renda fixa e multimercado da Fator.
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Com mais de R$ 6 bilhões sob gestão, Fator estuda compra de dólar
Com a liquidação integral das operações em contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), a gestora paulistana, que administra mais de R$ 6 bilhões em ativos, passou a manter seus recursos em caixa. A equipe técnica estuda agora a montagem de estratégias defensivas para proteger o patrimônio dos fundos, o que inclui a compra de dólar comercial por meio de operações direcionais ou derivativos e apostas na inclinação da curva de juros, estratégia que obtém ganhos com a elevação das taxas de vencimento longo.
Para o gestor da casa, o espaço para novas quedas expressivas nas taxas contratuais de juros futuros se esgotou temporariamente. Ricardo Farias avalia que os investidores concederam uma margem inicial de confiança à candidatura do senador, mas demandarão medidas palpáveis para sustentar novas valorizações nos contratos de curto e médio prazos. “Aqui não tem tanto espaço para continuar o rali, desde que venham propostas e planos que sejam exequíveis. O benefício da dúvida do mercado para o Flávio foi dado, agora é justamente entender se vai acontecer ou não”, declarou o gestor.
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Números do pregão histórico de 5 de outubro de 2026
- Volume sob gestão da Fator Administração de Recursos: mais de R$ 6 bilhões em ativos
- Recuo das taxas de juros futuros (DI): mais de 100 pontos-base na sessão de 5 de outubro
- Queda do dólar comercial: mais de 4% no primeiro dia útil após a votação
- Valorização do Ibovespa: quase 8% no pregão de 5 de outubro de 2026
- Fluxo de capital externo na B3: ingresso de R$ 10 bilhões em um único dia
- Votação de Flávio Bolsonaro no primeiro turno: 47,03% dos votos válidos
- Votação de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno: 45,16% dos votos válidos
Fator mantinha aposta em juros desde agosto de 2026 antes do megarrali
A gestora mantinha aposta aplicada na curva de juros futuros desde o fim de agosto de 2026. A tese inicial da instituição baseava-se na perspectiva de que o Banco Central do Brasil manteria a trajetória de redução na taxa Selic em razão de sinais de desaceleração na economia doméstica, antes mesmo da definição das urnas. O movimento de megarrali gerou uma das maiores valorizações em títulos públicos pré-fixados e indexados à inflação (IPCA+) de vencimento longo já registradas no Tesouro Direto desde 2008.
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O salto registrado nos preços foi impulsionado pela interpretação dos investidores de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno representaria uma condução fiscal mais austera no país. Além do alívio de mais de 100 pontos-base nas taxas dos juros futuros e da retração de mais de 4% na cotação do dólar comercial, o Ibovespa subiu quase 8% em 5 de outubro de 2026, seu maior avanço diário desde 2020. O pregão também movimentou a entrada recorde de R$ 10 bilhões em capital estrangeiro na bolsa paulista B3, marca inédita para uma única sessão desde 2008.
Bolsa de valores preserva viés favorável com cortes na Selic
Diferentemente da mesa de renda fixa, a estratégia de renda variável da Fator mantém recomendação otimista para o mercado de ações. A gestora preserva investimentos em companhias cujos resultados dependem diretamente da queda do custo do crédito e das taxas de juros, abrangendo empresas do setor elétrico e saneamento (utilities), construção imobiliária e as locadoras de veículos Localiza e Movida. “Acabando as eleições com o cenário atual, eu acho que ainda continua com um viés positivo pelos termos fiscais e principalmente por questão de juros”, avaliou Isabel Lemos, gestora de renda variável da Fator.
A alocação nessas empresas de perfil sensível ao ciclo da taxa Selic já estava montada antes da divulgação dos resultados do primeiro turno presidencial. “Não estávamos esperando que acontecesse o que aconteceu, era um posicionamento por viés de juros”, explicou Isabel Lemos ao comentar a entrada expressiva de estrangeiros. “A aposta do estrangeiro é porque o Brasil serve como uma diversificação para a carteira. O Brasil ainda tem atratividade para esse tipo de investidor”, complementou.
Flávio Bolsonaro ainda não detalhou equipe econômica nem plano fiscal
Até o momento, Flávio Bolsonaro não apresentou os nomes que formarão sua equipe econômica nem divulgou os detalhes técnicos do seu plano de metas fiscais para a gestão federal. A disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva será decidida no segundo turno, marcado para o domingo, 25 de outubro de 2026.
