Character.AI pede recuperação judicial e tem oferta de US$ 20 milhões da Disney

Character.AI - Instagram Foto: Character.AI - Instagram

A Character.AI ingressou com pedido voluntário de proteção contra falência nos Estados Unidos para reestruturar suas contas e leiloar ativos tecnológicos. A criadora de chatbots personalizados formalizou um acordo inicial com a Disney Worldwide Services, que ofereceu US$ 20 milhões para adquirir uma licença perpétua e não exclusiva sobre parte da propriedade intelectual desenvolvida pela companhia.

A solicitação de recuperação judicial foi apresentada na segunda-feira (12) no Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito de Delaware. A plataforma continuará ativa durante o processo competitivo de venda judicial, mas a administração informou que pretende desligar os servidores de forma definitiva se nenhum participante do leilão aceitar assumir os custos e a continuidade das operações do sistema de conversação.

Colin Adams detalha a reestruturação e a venda judicial da Character.AI

O processo foi registrado sob o número 26-11603 no tribunal de Wilmington. De acordo com a petição inicial apresentada à Justiça norte-americana, a Character Technologies declarou que o valor estimado dos seus ativos totais fica na faixa entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, mesmo intervalo financeiro calculado para os passivos e as dívidas acumuladas com credores.

A estratégia de venda foi autorizada pela diretoria para tentar preservar recursos diante das dificuldades comerciais e das disputas legais que cercaram o serviço nos últimos anos. Em declaração oficial anexada ao procedimento de falência, o presidente-executivo da Character.AI, Colin Adams, justificou a escolha pelo mecanismo legal da Seção 363 do Código de Falências dos Estados Unidos para coordenar as propostas concorrentes no tribunal.

“Ao longo do último ano, a Character.ai tomou medidas significativas para sustentar e aprimorar seus negócios diante de ventos contrários jurídicos, regulatórios e operacionais expressivos. Após uma análise abrangente das alternativas disponíveis, o conselho determinou que este processo de venda supervisionado pelo tribunal oferece à empresa a melhor oportunidade de maximizar o valor para todas as partes interessadas”, afirmou Colin Adams, em tradução livre.

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Disney entra como compradora de piso no leilão da Character.AI

A Walt Disney não está comprando o controle societário da Character Technologies nem assumindo a administração integral do serviço de inteligência artificial. A gigante do entretenimento foi qualificada formalmente como compradora inicial de referência, figura jurídica conhecida no mercado norte-americano como compradora de piso. Esse mecanismo estabelece um patamar financeiro mínimo de US$ 20 milhões para o certame, permitindo que outros interessados apresentem lances superiores até o fechamento da concorrência.

O desenho da negociação estabelece que a própria Disney prestará serviços técnicos de transição à startup falimentar utilizando ex-funcionários da Character.AI contratados recentemente pela empresa de mídia. Entre os profissionais que migraram para a gigante do entretenimento está Karandeep Anand, ex-presidente-executivo da plataforma de inteligência artificial, contratado para atuar como o primeiro diretor de tecnologia corporativo da Disney.

A Character.AI continuará funcionando para os usuários?

O aplicativo e o portal da Character.AI permanecem acessíveis para o público durante a tramitação das audiências no tribunal de Delaware. A sobrevivência do serviço após o fim do leilão depende exclusivamente do surgimento de uma empresa disposta a comprar a infraestrutura operacional completa e bancar os custos de computação necessários para manter os personagens virtuais disponíveis para conversa.

Caso o certame termine apenas com a venda fatiada das licenças intelectuais para a Disney ou para outros concorrentes de tecnologia, a empresa encerrará os servidores e desativará os robôs virtuais. A plataforma ganhou notoriedade ao permitir a criação de assistentes interativos para diálogo, mas as despesas operacionais elevadas tornaram a sustentação do produto inviável de maneira independente com as receitas obtidas pelas assinaturas e parcerias existentes.

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Histórico de acordos e litígios enfrentados pela Character.AI

Fundada em 2021 pelos ex-pesquisadores do Google Noam Shazeer e Daniel De Freitas, a Character.AI atingiu avaliação de mercado bilionária nos primeiros meses da expansão da inteligência artificial generativa. No entanto, a estrutura corporativa começou a encolher em 2024, quando o Google desembolsou cerca de US$ 2,7 bilhões em um acordo de licenciamento não exclusivo. Naquela ocasião, o Google recontratou os dois fundadores e dezenas de especialistas da equipe técnica, decisão que forçou a startup a abandonar a pesquisa de modelos fundacionais próprios.

Além da reformulação na engenharia, a Character.AI passou a lidar com forte pressão regulatória e processos judiciais movidos por famílias nos Estados Unidos, que acusaram os chatbots de induzir comportamentos danosos, automutilação e suicídio de adolescentes. O relacionamento com a própria Disney também já havia passado por atritos prévios: a companhia de mídia chegou a enviar notificações extrajudiciais à startup exigindo a remoção imediata de perfis automatizados que imitavam personagens protegidos por direitos autorais sem permissão comercial.

Dados do processo de recuperação e do leilão da Character.AI

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  • Processo judicial: número 26-11603 no Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito de Delaware
  • Ativos estimados declarados à Justiça: US$ 50 milhões a US$ 100 milhões
  • Passivos estimados declarados na petição: US$ 50 milhões a US$ 100 milhões
  • Valor da proposta inicial da Disney: US$ 20 milhões por licença perpétua e não exclusiva
  • Janela prevista para encerramento do leilão: segunda-feira, 30 de novembro de 2026, com conclusão entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2026

Ainda não se sabe se surgirão compradores interessados em arrematar e manter a plataforma inteira da Character.AI em funcionamento durante as rodadas de lances supervisionadas pela Justiça em Delaware. A companhia também não divulgou a relação individualizada com os valores exatos devidos a cada credor listado na petição inicial do processo falimentar.

O cronograma do tribunal estabelece que a fase final de apresentação de ofertas concorrentes e a conclusão da venda dos ativos estão previstas para começar em 30 de novembro de 2026, com decisão definitiva programada para as primeiras semanas de dezembro.

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