Empresas de inteligência artificial puxam projeção de alta no S&P 500

Inteligência Artificial Foto: Inteligência Artificial - Foto: Tapati Rinchumrus/Shutterstock.com

Empresas de inteligência artificial devem concentrar a maior parte do crescimento estimado de 31% nos lucros do índice S&P 500 no terceiro trimestre de 2026. A apuração de projeções divulgada nesta sexta-feira (9) aponta que o avanço conjunto de companhias de tecnologia sustenta os recordes do mercado acionário em Nova York antes da divulgação oficial dos balanços.

O chefe de pesquisa de lucros e ações da LSEG, Tajinder Dhillon, indicou que dois terços de toda a expansão esperada para o índice decorrem diretamente do segmento tecnológico e das operações de Alphabet, Amazon e Meta. A concentração dos resultados no setor consolida a liderança dos grupos focados no fornecimento de infraestrutura digital e modelos computacionais sobre o restante da economia corporativa americana.

Setor de tecnologia concentra crescimento dos lucros corporativos

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Foto: inteligência artificial – Summit Art Creations/Shutterstock.com

Estimativas do Wells Fargo Investment Institute reforçam que o impacto real da modernização tecnológica sobre o resultado global das companhias abertas pode atingir patamares ainda mais elevados durante o ciclo trimestral.

“É tudo IA e, em menor grau, energia e materiais, mas isso se deve à geopolítica”, disse o chefe de ações globais e ativos reais do Wells Fargo Investment Institute, Sameer Samana. “Não me surpreenderia se 70% a 80% do crescimento pudesse ser atribuído à tecnologia e à IA.”

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A força das gigantes digitais estabelece uma disparidade visível em relação a atividades tradicionais do mercado financeiro. Enquanto as divisões ligadas a sistemas inteligentes aceleram as receitas, ramos voltados a bens de consumo básico e ao setor imobiliário registraram as menores projeções de expansão de ganhos para o trimestre encerrado em setembro.

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Samana apontou a distância de desempenho entre os diferentes setores de atividade nos Estados Unidos. “Quase tão revelador quanto isso é observar os setores que não têm nenhuma relação com a IA”, declarou o executivo ao analisar os balanços corporativos.

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Projeções financeiras para o S&P 500 no terceiro trimestre

Os números consolidados pela LSEG para o terceiro trimestre de 2026 detalham o comportamento previsto para as principais atividades econômicas:

  • 31% é a expansão média prevista para os lucros gerais das empresas listadas no índice S&P 500.
  • 136% é a taxa projetada para o avanço dos lucros específicos das fabricantes de semicondutores nos Estados Unidos.
  • 115% é a alta anual calculada para o setor de energia, favorecido pela valorização do petróleo.
  • 30% foi a elevação registrada pelas cotações do petróleo no mercado americano ao longo do período.
  • US$ 32 bilhões somam os compromissos em contratos comerciais de longo prazo reportados pela fabricante Micron.

Semicondutores e energia sustentam balanços nos Estados Unidos

A indústria de chips permanece como um dos elos centrais da cadeia de suprimentos digitais. O crescimento de 136% esperado para os ganhos dos fabricantes de semicondutores no terceiro trimestre representa uma leve desaceleração em relação à alta de cerca de 158% anotada no segundo trimestre, mas preserva a rentabilidade do segmento. A fabricante de semicondutores Micron, por exemplo, superou previsões de receita com contratos firmados em US$ 32 bilhões.

Ao mesmo tempo, as necessidades de infraestrutura física para processamento de dados exigem arranjos de energia em larga escala. A Google formalizou um acordo comercial com a fornecedora Constellation Energy para assegurar suprimento aos data centers dedicados ao treinamento e à execução de sistemas de computação.

Fora do setor tecnológico, o resultado positivo das companhias petrolíferas decorre das cotações elevadas da commodity, pressionadas pelo cenário de tensões e conflitos no exterior envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O que os analistas esperam do ritmo dos balanços?

O desempenho excepcional registrado no segundo trimestre de 2026 serve como baliza para investidores institucionais. No trimestre anterior, o crescimento anual dos ganhos do S&P 500 chegou a 54%, a maior marca apurada desde 2021. Mesmo ao retirar os efeitos contábeis dos investimentos em inteligência artificial feitos por Alphabet e Amazon, a alta foi de cerca de 35%.

A sequência ininterrupta de aportes financeiros em bens de capital começa a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade das margens de retorno exigidas por gestores e acionistas de Wall Street.

“Uma preocupação dos investidores é que estamos nos aproximando do pico de crescimento dos lucros”, afirmou o estrategista-chefe de mercado da Ameriprise Financial, Anthony Saglimbene. “Grande parte desse movimento em torno da IA se baseia em gastos contínuos com investimentos em ativos fixos, e a cada trimestre que passa, à medida que elas continuam a investir, as taxas de rentabilidade exigidas ficam mais altas e o escrutínio se torna mais intenso.”

A capacidade real de as empresas de tecnologia preservarem o patamar de investimentos em ativos fixos sem sofrer cobranças imediatas por retorno financeiro nos próximos ciclos permanece sem confirmação por parte do mercado.

Cronograma de divulgação corporativa na bolsa americana

A publicação dos demonstrativos contábeis das companhias americanas segue uma sequência definida de eventos ao longo de outubro de 2026:

  • Sexta-feira, 9 de outubro de 2026: divulgação do levantamento conjunto de estimativas de mercado compilado pela LSEG.
  • Terça-feira, 13 de outubro de 2026: início informal da safra corporativa com relatórios de instituições bancárias, incluindo JPMorgan Chase e Goldman Sachs.
  • Segunda quinzena de outubro de 2026: apresentação oficial dos balanços contábeis detalhados dos grandes grupos de tecnologia da informação.

Os números finais das instituições financeiras abrirão a rodada de checagem sobre o impacto dos juros nos custos operacionais das companhias americanas.

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