O fenômeno El Niño atingiu a maior intensidade já registrada para o início do mês de outubro, segundo o boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), agência climática dos Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira (12). A anomalia semanal da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Oceano Pacífico Equatorial Central, chegou a +3,3°C pelo Índice Oceânico Niño (ONI, método tradicional) e a +2,4°C pelo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI).
Os dois indicadores colocam o evento na faixa de El Niño muito forte, chamada popularmente de Super El Niño quando o aquecimento das águas iguala ou supera o limiar de +2,0°C. “Jamais se observou um episódio de El Niño com tamanha intensidade no começo do mês de outubro como no evento deste ano, mostram dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de clima dos Estados Unidos”, afirmou Estael Sias, meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia, em análise publicada nesta terça-feira (13).
El Niño em 2026 supera marcas históricas de outubro desde 1950
Adotado oficialmente pela NOAA em 1º de fevereiro de 2026, o índice RONI desconta o aquecimento médio dos oceanos tropicais, na faixa entre as latitudes 20°N e 20°S, provocado pelas mudanças climáticas globais para isolar o sinal específico do fenômeno. Mesmo com essa compensação metodológica, o patamar semanal de +2,4°C supera todas as marcas observadas na primeira metade de outubro em episódios anteriores considerados muito fortes pela meteorologia moderna, mantendo o evento atual no topo da série histórica iniciada em 1950.
- Super El Niño de 1982-1983 no começo de outubro: +2,0°C pelo índice ONI e +2,3°C pelo índice RONI.
- Super El Niño de 1997-1998 no começo de outubro: +2,0°C pelo índice ONI e +2,0°C pelo índice RONI.
- Super El Niño de 2015-2016 no começo de outubro: +2,1°C pelo índice ONI e +1,6°C pelo índice RONI.
- Super El Niño de 2023-2024 no começo de outubro: +1,5°C pelo índice ONI e +0,9°C pelo índice RONI.
Projeções da NOAA para o pico do El Niño até março de 2027
A configuração do atual episódio no Pacífico Equatorial foi confirmada pela agência norte-americana em junho de 2026, após um aquecimento iniciado em abril. Em setembro, as anomalias de temperatura em profundidade, abaixo da superfície do mar entre as longitudes 180° e 100°W, passaram de +10°C no leste do oceano, fornecendo calor para sustentar o avanço do fenômeno.
Na atualização mensal divulgada na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, o Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA apontou 83% de probabilidade de o índice RONI atingir ou passar de +2,5°C no trimestre de outubro a dezembro. “O El Niño continua a se fortalecer, com um El Niño de forte a muito forte provável durante janeiro a março de 2027 (permanecendo maior do que 83% de chance)”, informou o órgão em boletim oficial, em tradução livre.
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Ainda não há consenso entre os modelos climáticos sobre o valor exato que o pico atingirá entre novembro e dezembro de 2026. A maior parte das projeções indica anomalia máxima entre 3,5°C e 4,0°C pelo índice tradicional na região Niño 3.4, enquanto outros modelos apontam marcas acima de 4,0°C e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê +3,7°C para o trimestre de outubro a dezembro.
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Chuvas e impactos do El Niño em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul
A relação entre a temperatura das águas no Pacífico Equatorial e os efeitos no clima de cada país não é linear, porque depende da posição das águas mais quentes, dos ventos e da circulação atmosférica de cada temporada. No Brasil, o El Niño de 2026 já provoca excesso de chuvas, temporais e enchentes em São Paulo e no Paraná, além de cheias em rios do Rio Grande do Sul, mas com distribuição diferente da registrada há três anos, quando os paulistas enfrentaram ondas de calor e os gaúchos tiveram volumes maiores de precipitação até esta época do ano.
- São Paulo: registro de excesso de chuva e enchentes em 2026, em contraste com as ondas de calor de 2023.
- Paraná: aumento na ocorrência de chuvas e tempestades em comparação ao episódio de três anos atrás.
- Rio Grande do Sul: cheias em rios, mas com volume acumulado de chuva até o início de outubro menor que o observado em 2023.
Após o pico previsto para os meses de novembro e dezembro de 2026, as projeções indicam que o fenômeno começará a perder força de forma gradual no início de 2027, mantendo intensidade entre forte e muito forte até março de 2027.
