O Oceano Pacífico Equatorial registrou uma escalada térmica sem precedentes em 2026, com o fenômeno El Niño atingindo uma anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,2ºC na Região Niño 3.4. O patamar representa o maior índice observado em toda a era moderna de monitoramento contínuo e consolida uma transição acelerada que se iniciou logo após a dissipação de uma La Niña fraca no primeiro bimestre do ano.
A velocidade com que a bacia oceânica mudou de fase surpreendeu meteorologistas e superou marcas históricas. O meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, analisou a dimensão do evento em relatório técnico divulgado nesta quarta-feira (7): “Esta variação de La Niña para El Niño recorde é, seguramente, a mais impressionante e rápida já observada nos tempos modernos. Nunca se tinha testemunhado uma mudança tão radical, rápida e significativa das condições do Pacífico Equatorial.”
Transição no Oceano Pacífico acelera aquecimento na Região Niño 3.4
No início de 2026, as medições indicavam a presença de La Niña fraca, com anomalia de -0,7ºC na Região Niño 3.4, área de referência utilizada para a classificação técnica dos episódios climáticos. As condições frias desapareceram em fevereiro, abrindo espaço para um período de neutralidade climática que perdurou por apenas três meses. O aquecimento acentuado das águas começou em abril e levou a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) a declarar formalmente o El Niño em 11 de junho de 2026. Apenas quatro semanas depois, na semana de 8 de julho de 2026, o índice já superava a barreira de +2,0ºC, atingindo precocemente o patamar de Super El Niño.
- Região Niño 3.4: anomalia saltou de -0,7ºC no início do ano para +3,2ºC em outubro de 2026.
- Região Niño 1+2: nos litorais do Peru e do Equador, o desvio térmico passou de -0,2ºC para +5,3ºC.
- Neutralidade climática: intervalo de transição durou apenas três meses entre o fim da La Niña e o início do aquecimento.
- Oficialização da NOAA: agência declarou o início do evento em 11 de junho de 2026.
- Limiar de Super El Niño: registro de +2,0ºC foi alcançado na semana de 8 de julho de 2026.
Comparação com eventos históricos mostra antecipação de marcas térmicas
A evolução registrada em 2026 contrasta com episódios severos anteriores pela precocidade com que atingiu índices críticos no Pacífico Equatorial. Em eventos passados de Super El Niño, a anomalia de +2,0ºC demorou meses a mais para se firmar: no ciclo de 1982-1983, a marca ocorreu na semana de 24 de novembro; em 1997-1998, foi registrada na semana de 3 de setembro; e no episódio de 2015-2016, a linha foi cruzada na semana de 16 de setembro. Até então, o valor semanal mais elevado pelo Índice Oceânico Niño pertencia ao evento de 2015-2016, que alcançou +3,0ºC na semana de 18 de novembro de 2015.
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Estudos climáticos conectam velocidade da transição ao aquecimento global
Pesquisadores analisam mecanismos dinâmicos que explicam a rápida transformação entre extremos opostos. Um trabalho de Tomoki Iwakiri, pesquisador de ciências climáticas e pós-doutorando do International Pacific Research Center da Universidade do Havaí, publicado em 2026 na Geophysical Research Letters, aponta que o deslocamento de anomalias de vento em direção ao Hemisfério Sul enfraquece conexões entre oceano e atmosfera e induz transições abruptas. Além disso, pesquisa liderada por Fan Jia na publicação Science Bulletin em 2025 indicou que a alternância direta de períodos frios prolongados para episódios de aquecimento forte, embora historicamente infrequente, torna-se mais provável com o avanço do aquecimento global.
Modelo europeu projeta pico do El Niño superior a 4ºC em 2026
As projeções do modelo climático europeu ECMWF/SEAS5 divulgadas em outubro de 2026 indicam que o pico do evento atual deve se concentrar entre novembro e dezembro de 2026, com a anomalia na Região Niño 3.4 ficando próxima ou acima de +4,0ºC. Em simulações isoladas de membros do modelo numérico, os desvios chegam à máxima pontual de +4,3ºC. A equipe técnica da MetSul Meteorologia, que conta com a meteorologista e sócia-diretora Estael Sias, aponta que a circulação atmosférica deve sustentar forte intensidade do fenômeno pelos próximos meses, estendendo a atuação do El Niño até o outono de 2027.
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