Menores de idade reúnem R$ 3,5 bilhões em ações e fundos na B3

Ienes, dinheiro japonês, benefícios Foto: Ienes, dinheiro japonês, benefícios - bee32/ Istockphoto.com

Investidores de até 17 anos já reúnem aproximadamente R$ 3,5 bilhões aplicados em renda variável na B3, a bolsa de valores oficial do Brasil. O contingente de crianças e adolescentes cadastrados no mercado acionário alcançou 60,8 mil pessoas, o que representa uma expansão de 58% na comparação com o total verificado em dezembro de 2022.

O avanço registrado no período foi impulsionado pela presença feminina na bolsa, com o público de meninas crescendo 72% em quatro anos. Divulgado na sexta-feira (9) em levantamento temático da B3 em alusão ao Dia das Crianças, o balanço indica que a participação das garotas superou o ritmo de expansão verificado entre os garotos.

A superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3, Christianne Bariquelli, explicou que a movimentação reflete uma mudança de hábitos no orçamento doméstico. “O dado mostra que investir deixou de ser uma conversa restrita aos adultos. Cada vez mais famílias estão incluindo filhos e filhas no planejamento financeiro de longo prazo, muitas vezes antes mesmo da adolescência”, afirmou a executiva da instituição.

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Presença feminina cresce 72% na B3 e soma 24,5 mil contas

A fatia de meninas cadastradas com recursos em renda variável saltou de 14,3 mil participantes, patamar registrado ao fim de 2022, para 24,5 mil investidoras ativas em 2026. Com essa alta, as jovens passaram a representar 40% de toda a base de menores de idade com recursos aplicados no mercado de capitais brasileiro, o equivalente a quatro em cada dez aplicadores dessa faixa etária.

Entre os meninos, o índice de expansão foi de 50% no mesmo período de quatro anos. O número de investidores do sexo masculino passou de 24,1 mil em dezembro de 2022 para 36,3 mil participantes ativos na bolsa de valores. Em dezembro de 2022, a base conjunta de menores de 18 anos na B3 contabilizava 38,4 mil participantes no total.

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Ações lideram a preferência de menores na B3 com 46 mil aplicadores

A divisão por classes de ativos negociados na bolsa aponta que as ações de empresas de capital aberto continuam como o produto financeiro preferido das famílias que investem em nome dos filhos. Quase 46 mil investidores com até 17 anos possuem papéis de companhias listadas sob custódia direta, liderando as escolhas de alocação de patrimônio na instituição.

Na sequência aparecem os fundos de investimento imobiliário, conhecidos pela sigla FIIs, modalidade que reúne recursos coletivos para aplicação em imóveis físicos ou títulos do setor imobiliário. Cerca de 31,5 mil crianças e adolescentes mantêm cotas desses fundos em carteira. Além de ações e fundos imobiliários, a base monitorada pela B3 aloca recursos em recibos de ações estrangeiras conhecidos como BDRs e fundos de índice, chamados de ETFs.

A apuração de mercado indica que a composição dos portfólios dos jovens investidores é formada predominantemente por companhias brasileiras de grande porte. Entre as ações mais presentes nas carteiras registradas em nome de menores de idade estão os seguintes papéis:

  • Banco do Brasil
  • Itaú
  • Petrobras
  • Vale
  • Weg

São Paulo concentra 21,8 mil CPFs de menores investidores

A distribuição geográfica dos investidores mirins mostra que o estado de São Paulo ocupa o topo do ranking nacional de adesão à renda variável nessa faixa etária. O território paulista concentra 21,8 mil pessoas físicas de até 17 anos com cadastro ativo na bolsa, representando a maior parcela regional do país.

A segunda posição em volume de investidores jovens pertence ao estado do Rio de Janeiro, que registra 5,6 mil contas vinculadas a menores de idade. Logo em seguida aparece o estado de Minas Gerais, com 5,3 mil aplicadores mirins com posições em ativos negociados na B3.

Tesouro Direto reúne jovens em títulos voltados a estudos e previdência

Além das aplicações em bolsa de valores, os menores de idade também participam do Tesouro Direto, programa federal de compra e venda de títulos da dívida pública voltado a pessoas físicas, administrado em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional. Duas modalidades específicas criadas pelo Tesouro registram adesão significativa de famílias com crianças e adolescentes.

O título Tesouro EducA+, desenvolvido para financiar despesas de ensino e a formação de reserva voltada à universidade, conta com 12,9 mil investidores com até 17 anos de idade. Entre esses aplicadores, o saldo mediano investido é de R$ 2,5 mil por investidor mirim.

Por sua vez, o título Tesouro RendA+, que foi estruturado para atuar na formação de renda complementar de longo prazo voltada ao período de aposentadoria futura, reúne 6,7 mil menores de idade. Nessa categoria, o saldo mediano por titular atinge o valor de R$ 3,12 mil.

Procedimento exige CPF do menor e representação legal em corretoras

Para aplicar recursos em ações, cotas de fundos ou papéis públicos em nome de crianças e adolescentes, as regras do mercado financeiro determinam que o investimento precisa estar obrigatoriamente registrado no Cadastro de Pessoas Físicas próprio do menor. Não é permitido utilizar o documento dos responsáveis para a titularidade da custódia.

A abertura da conta de custódia é realizada em corretoras de valores mobiliários ou bancos de investimento autorizados pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. O processo exige a apresentação da documentação oficial da criança ou adolescente e a assinatura de termos de representação legal pelos pais ou tutores, que passam a operar as ordens de compra e venda até que o titular atinja a maioridade civil aos 18 anos de idade.

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